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quarta-feira, 24 de junho de 2015

A felicidade segundo Fiodor Dostoiévski

Do site Arvo | Tradução do espanhol Blog VALDERI
Em 9 de fevereiro 1881 morria, em São Petersburgo, Fiodor Dostoiévski. Sua vida se apagou aos setenta anos, na cidade que, como bom eslavófilo, sempre havia considerado diferente ao espírito da autêntica Por acaso uma pessoa pode fundamental sua felicidade na infelicidade de outra?
Rússia. Pouco antes, Dostoiésvski havia retornado a sua Moscou natal para assistir a inauguração de um monumento ao mais insigne dos literatos russos, Alexander Pushkin. Por ocasião desta homenagem, o escritor pronunciou uma conferência no dia 8 de junho 1880, na qual, além de fazer uma apaixonada reflexão quase profética sobre o povo russo, planteava uma questão que sacudiu as consciências de seus contemporâneos:
Dostoiévski não se limita a glosar o argumento de Eugenio Oneguin, a obra mestra de Pushkin. Não pretende fazer crítica literária, senão afirmar uma moral que forma parte da natureza do ser humano, embora as ideologias individuais e coletivas a descartariam por considerá-la um obstáculo ao seu desejo de liberdade sem limite ou de utopias reguladoras de mundos perfeitos. O escritor contrapõe o caráter de Oneguin, o protótipo de jovem imaturo do romanticismo, a sua vez volúvel e arrogante, ao de Tatiana, uma moça simples e profunda, que um assíduo das altas rodas sociais consideraria de pouco valor.
Anos depois, Oneguin, encontra a jovem em São Petersburgo, casada com um general "maior" que ela. Sem abandonar sua simplicidade, Tatiana triunfou nestes círculos admirados por aquele homem do mundo. Oneguin lhe oferece amor e juventude, e propõe-lhe fugir com ele. Esta oferta de aventura romântica seria aceita por Madame Bovary ou por Ana Karenina, cujas vidas eram tão monótonas, por causa da sua relevância social, como a do próprio Oneguin. Tatiana recusa o pretendente por fidelidade a seu marido, pois sua consciência não a permite buscar a felicidade a custa do outro.
Moral e felicidade
Nunca faltaram aqueles que qualifiquem sua atitude de convencional ou de hipócrita, mas, segundo destaca Dostoiévski, a atitude de Tatiana é a mais inteligente. Se houvesse seguido o galã romântico, logo se encontraria diante da desilusão com este, que, em sua atitude de fastio com a vida, mudaria os galanteios de outrora por seus habituais sarcasmos e ironias. Definitivamente, a jovem afasta o fantasma da felicidade que se oferece porque possui os pés na realidade.
Tatiana que seria a imagem de uma Russia humanista e universal, no discurso de Dostoiévski é voz contra determinados métodos de busca da felicidade. Não nos recorda, como em outras obras suas, que a felicidade não é incompatível com o sofrimento, mas recusa que a dita felicidade se possa alcançar por meio da desgraça alheia. Esta profetizando a chegada de um sistema coletivista que proclamaria em alta voz o objetivo de fazer os homens felizes, não lhe importando sacrificar mecanicamente muitos outros seres humanos como meio de conseguir uma suposta paz e tranquilidade.
O escritor investe com energia contra uma ideologia impiedosa, pois não concebe que seja "necessário e inevitável desonrar a um só ser humano, mesmo que seja um homem pouco digno, inclusive ridículo aos olhos de alguns". Não se deve chegar ao extremo de construir "uma felicidade fundamentada no sofrimento de um ser, torturado até a morte sem piedade e sem justiça". Como imaginar que, depois, os homens serão felizes para sempre? Dostoiévski não quer pensar em ser feliz após ter matado outra pessoa. Nem sequer Raskolnikov, o protagonista de "Crime e Castigo", pode enganar-se a si mesmo pensando que livrou o mundo de um ser desprezível ao assassinar a Aliona Ivanovna, a velha prestamista. Como separar a felicidade da compaixão aos demais?
Muitos anos de seu discurso sobre Pushkin, Dostoiévski refletiu em suas "Memórias do Subsolo" as contradições do ser humano, não sempre tão racional em sua vontade como pensaram alguns filósofos. Constatou que o amor próprio é capaz de antepôr a liberdade a felicidade. Uma liberdade ilimitada seria para muitos o caminho para ser feliz. Tendo estas considerações do individualismo extremo, não resultará estranho que outras pessoas sejam sacrificadas no caminho. Mas Dostoiévski nos seguirá estimulando a recordar que a felicidade não pode fundar-se na infelicidade alheia.
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