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terça-feira, 5 de maio de 2015

Galilei: A verdade sobre o processo, segundo Francesco Agnoli

O processo "Galilei" é o mais conhecido e debatido na história.
Conhecido, na realidade, muito mal, se é verdade que para tantas pessoas isso assinala um contraste insanável entre a fé e a ciência, entre a Igreja e a revolução científica.
Em 1633, ano do processo de Galileu, o Sistema Ptolomaico (isto é, o sol e os planetas que giram ao redor da terra) e o sistema Copernicano, defendido por Galilei (isto é, a terra e os planetas que giram ao redor do sol) eram duas hipóteses equivalentes.
Para ambas, porém faltavam provas científicas.
O Santo Ofício, pois, não se opunha as evidências de uma suposta verdade científica em nome da Teologia.
A primeira prova experimental e indubitável da rotação da terra é de 1748, mais de um século depois.
Para se ver tal rotação, será necessário esperar até 1851. O filósofo e escritor Francesco Agnoli explica-nos:
Se formos as fontes, se formos estudar o caso Galilei, na sua verdade, naquilo que realmente aconteceu, perceberemos que nenhum confronto entre fé e ciência existiu naquele momento na Itália e na Europa.
Por quê? Porque Galileu Galilei apontou o telescópio e as primeiras descobertas que fez têm a ver com a escabrosidade da lua.O fato é que a lua tinha algumas irregularidades, de algum modo. Na sequência descobriu que também o sol estava destinado a se consumir. Tinha algumas manchas. Era imperfeito. Bem, uma descoberta deste tipo, alarmava o pensamento pagão, aristotélico e platônico, e não por certo o pensamento cristão. Por quê? Porque estamos na época em que, depois do Humanismo, ressurgiram os pensadores, o pensamento filosófico grego que via nos planetas entidades divinas: lisas, perfeitas, cristalinas, imortais. A famosa quinta essência na qual estariam permanentemente os planetas. Esta visão o mundo cristão tinha herdado. Não era um visão sua. Aliás, era uma visão, se quisermos, essencialmente anticristã, essencialmente pagã, essencialmente panteísta. De fato, uma das consequências deste modo de ver os planetas (lisos, perfeitos, divinos, cristalinos) era a Astrologia. Assim, como os planetas são superiores à Terra, sendo também divindades, são também capazes de influenciar a liberdade do homem. Bem, o pensamento cristão foi absorto desde o início. Pensemos em Santo Agostinho condenando estas posições. Não de um ponto de vista científico, mas filosófico. Santo Agostinho explicava - e, com ele, tantos outros pensadores cristãos - que os astros eram criaturas de Deus. Como tais, não poderiam ser divinos. E como tais, não poderiam de modo algum controlar a liberdade do homem. Este é o conceito de fundo em que se deve inserir a descoberta de Galileu. Quando Galileu diz, então, que a lua é irregular; que o sol vai aos poucos gastando-se; aqueles que começam a ver isto de certo modo negativamente estas descobertas, são os aristotélicos e os neoplatônicos.
Mas analisando com atenção, a vida e o pensamento do grande cientista, emerge um quadro histórico completamente diferente daquele que tem sido entregue por uma série impressionante de lugares comuns.
Realmente, o aristotélico de Pádua, Cesare Cremonini, se recusa em olhar pelo telescópio, dizendo que o telescópio falseia a vista, falseia os sensos. "Porque Aristóteles disse isso" (a cegueira do seguidor). Não se pode contradizer o pensamento de Aristóteles. Estas descobertas, porém, de Galileu Galilei são destinadas a terem um grande sucesso. Porque Galileu entende que a comunidade científica de seu tempo, os seus colegas, os licenciados da época, de Pisa, de Pádua e de outras universidades jamais estariam dispostos a abandonar as idéias de Aristóteles. E assim o único jeito é recorrer à outra grande autoridade científica da época que era o Colégio Romano dos Jesuítas. Galileu Galilei vai para o Colégio Romano dos Jesuítas e aqui o grande Clávio, o grande matemático Clávio, reconhece que Galileu têm razão: "É verdade, 'Phoebus habet maculas'". "É verdade, o Sol tem manchas. É verdade, a Lua é irregular". Do ponto de vista teológico entendeu: "Não há nenhum problema sequer". "Os planetas foram criados e tudo o que é criado é finito. Não são eternos. Não são divinos." O Colégio Romano, segundo todos os historiadores, cito por exemplo, Camerotto, da Universidade de Cagliari, foi o Colégio Romano que, de certa forma, deu uma Laurea Honris Causa a Galileu diante do mundo inteiro. É depois que o Colégio Romano dos Jesuítas reconheceu as descobertas de Galileu que ele se torna o grande cientista. O cientista mais famoso do mundo.
Galileu se torna um cientista famoso e bem retribuído, ou seja, lhe foi possível um bom sustento próprio graças à Igreja, que acolheu e consagrou todas as suas obras mais importantes. O conflito que nasceu com o tempo não foi um conflito entre fé e ciência, mas simplesmente um conflito por questões pessoais entre Galileu, Roberto Belarmino e Urbano VIII.
Há uma certa atenção no mundo religioso, especialmente do Cardeal Roberto Belarmino, que convida Galileu a Roma e lhe pede para apresentar a opinião copernicana como hipótese e não como certeza até o momento em que existam provas que a comprovem. E Roberto Belarmino diz muito verdadeiramente: "No momento em que, caro Galileu, você comprovar o heliocentrismo, ninguém terá problema em reconhecê-lo e em entender que a Escritura deva ser interpretada, também neste caso, metaforicamente". Na verdade, Galileu Galilei se convence que as Escrituras dão razão a ele. Ou seja, se convence que a interpretação literal da famosa passagem de Josué "Sol, detém-te", é mais absolutamente compatível com a teoria copernicana àquela aristotélica. E começa assim a entrar nas Escrituras, e continua a escrever que as Escrituras devam ser interpretadas deste modo e não do outro. Aqui acontece de certa forma o problema, o problema da situação, porque Roberto Belarmino tinha lhe dito: "Sustente tua tese como hipótese, mas não entre na interpretação das Escrituras". Eis a ruptura. Também porque a certo ponto Galileu Galilei foi recebido novamente por Urbano VIII, seu grande amigo. E Urbano VIII lhe propõe, de certo modo, uma sua objeção, que não sabemos até que ponto fundamentada. A esta altura, Galileu Galilei, em 1632, se não me engano, publica o "Diálogo sobre os dois máximos sistemas", no qual, substancialmente, põe na boca de um dos protagonistas deste diálogo simplório, algumas frases que eram frases do Papa. Só que coloco-as de certo modo ridicularizando-as. Ao mesmo tempo faz entender que tenha definitivamente demonstrado que o sistema copernicano é o certo.
- Eu - disse Galileu Galilei - demonstro a vocês porque as marés são as demonstrações de que a Terra se move e da agitação dos movimentos da terra são geradas as marés (do mares).
Este é o ponto no qual de certa forma acontece a grande batalha. Ou seja, Urbano VIII não perdoa Galileu Galilei por tê-lo posto como alvo de risos publicamente, depois de todas as honras que lhe foram conferidas pelo Colégio dos Jesuítas e depois pelo próprio Papa. Ele ao mesmo tempo lhe diz que deveria manter-se na posição da hipótese não da certeza, visto que a "prova" das marés não era uma prova verídica.
Hoje nós sabemos que o Sistema Copernicano será comprovado muito tempo depois, em 1851, com o pêndulo de Foucault. Sabemos que a prova de Galileu, a das marés, foi um dos grandes erros de Galileu Galilei. Os erros de Galileu foram poucos. Mas um deles, foi este.
Sabemos ainda que, Urbano VIII agiu, em boa parte, também um pouco pela irritação da traição de um amigo. E que, na sua consulta, feita precedentemente com outros grandes no Vaticano, como o seu Secretário de Estado, Monsenhor Ciampoli; com o teólogo Barbarigo, que era um dos mais importantes; com o seu teólogo pessoal, Agostino Reggi, todas estas três personagens que eram as máximas autoridades do Vaticano daquele momento lhe disseram que deveria evitar, de algum modo, entrar nesta polêmica, porque a consideravam completamente absurda. A consideravam, aliás, especialmente o seu secretário, Mons. Ciampoli, que Galileu Galilei introduziu em si finalmente um pensamento particularmente católico. "Por quê? Porque é particularmente idealístico". "Porque, repito, Ciampoli dizia a Urbano VIII que não o compreendeu. Veja que o pensamento de Galileu Galilei, o pensamento científico, o pensamento racional, corresponde perfeitamente à nossa importância que o pensamento católico sustenta". E corresponde perfeitamente à ideia da criação. Galileu Galilei retirou dos céus, das presenças divinas imanentes, panteístas, e então, de algum modo, desdivinizou o mundo.
Não se pode esquecer  que apesar do processo que é ainda hoje pintado com tintas foscas, Galileu morreu aos 78 anos, na cama de sua esplêndida vila, munido da indulgência plenária da benção do Papa sem ter cumprido um único dia de cárcere. Mas, ao contrário, isento e bem pago, como sempre estimado pelos vértices eclesiásticos.
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Transcrição na íntegra da reportagem da RAI, com legendas por Fábio Sexugi. Também veja o vídeo no original em italiano com legendas em português:
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