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quarta-feira, 22 de abril de 2015

Tolstói e "A Manhã de Um Senhor"

Esteve em minhas mãos um exemplar da "Biblioteca de Ouro da Literatura Universal". E antes de falar deste livro em questão é preciso louvar estas iniciativas que a tempos passados eram mais frequentes do que em nosso tempo, iniciativas de editoras que em parcerias com outras empresas ou simplesmente sozinhas lançavam corajosamente coleções de algumas obras clássicas ou que foram consagradas por razoável prestígio entre os  leitores. É o caso desta coleção de 20 volumes intitulada "Biblioteca de Ouro da Literatura Universal".
Mas falando do livro em questão, trata-se de "A manhã de Um Senhor" (Editora Minha. Coleção Biblioteca de Ouro da Literatura Universal. 95 págs.), escrito por Léon Tolstói, ou Leão Tolstói, como alguns conhecem. Este pequeno livro traz além desta narração sobre as atividades de uma manhã de um jovem senhor, responsável por uma aldeia de camponeses, mais dois pequenos contos em sequencia: "Três Mortos" e "O Sonho".
Trata-se da narração das atividades matutinas de um jovem senhor, o príncipe Nekliudov, que cursava o terceiro ano de um curso universitário e que, depois de ter conhecimento das tristes realidades dos aldeões das propriedades de sua família, decide abandonar os estudos para dedicar-se ao governo destes camponeses, desejoso de melhorar-lhes a vida.
Depois de visitar numa só manhã quatro "isbás" (chalés ou casas em estilo camponês), acaba voltando para casa com o sentimento de frustração, pois na ânsia de mudar a situação das pessoas descobre que precisaria mudar elas, mas isso é mais difícil do que mudar ele mesmo.
Livrinho interessante este, levando em consideração o contexto do autor, a dura realidade social da Russia naquele momento histórico em que viveu Tolstói. De fato, ele mesmo acaba abandonando a própria família e riqueza para ser mais coerente com sua "ideologia" social-religiosa, negando o luxo a si por causa da miséria de tantos outros irmãos russos.
Os outros dois contos (que acredito que estão nesta edição por escolha da Editora que publicou esta coleção) trazem também um certo pensamento sobre a vida humana e o valor que se dá a ela. Em "Três Mortos" fica claro a referência ao fim da vida e a necessidade de edificação da moral e do caráter enquento existe possibilidade, pois ao fim da vida serão necessários como fortaleza diante do drama definitivo. Além disso a necessária confiança no além morte, confiança no Deus que nos quer dar uma vida eterna, justa com aquilo que se buscou viver enquanto gozava o dom da vida. É interessante que a última morte é a de uma árvore, algo curioso mas que mostra o quanto Tolstói também relaciona a natureza com este derradeiro fim da vida frágil que temos.
O último conto, "O Sonho", traz-nos a história de um velho príncipe, Mikail Ivanovitch, que tinha uma filha que era considerada por ela a joia de sua casa. Ela cresceu bela e formosa como era o esperado, mas não conseguia concretizar o sonho do pai de realizar bom casamento e elevar ainda mais a dignidade social da família. Pelo contrário, ela acaba aventurando-se em alguns namoricos até conhecer um sueco que lhe engravida. Pois Mikail ficou tão triste e decepcionado que desprezou a filha, sem mais querer vê-la na sua frente. A moça e seu futuro filho foram morar em outra cidade, mas o príncipe insistia em não a ver até que foi convencido a procurá-la pelo menos para entregar-lhe algum dinheiro e vê-la mais uma vez. Vendo-a, acidentalmente, acaba por deixar seu coração de pai falar mais alto, não conseguindo renegar mais sua filha:
A compaixão pela filha revelou ao príncipe seu próprio eu. E ao dar-se conta de como as coisas se haviam passado na realidade, compreendeu até que ponto era culpado diante dela, pelo seu orgulho, a sua frieza e inclusivamente os seus maus sentimentos. Alegrou-o o fato de não ter que perdoar, antes pelo contrário ter de pedir que lhe perdoassem. (TOLSTÓI, León. O Sonho, III)
Apesar de sua conversão para a filha não conseguia aceitar o menino que dela nascera, e isto ficou sendo fonte de sofrimento para a filha do príncipe. 
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