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segunda-feira, 27 de abril de 2015

Sobre "Misericordiae Vultus" [parte III]

Neste Ano Santo, poderemos fazer a experiência de abrir o coração àqueles que vivem nas mais variadas periferias existenciais, que muitas vezes o mundo contemporâneo cria de forma dramática. (MV, 15)
Com esta frase o Santo Padre inicia o parágrafo 15 da Bula convocatória para o Jubileu Extraordinário da Misericórdia. No assunto misericórdia, perdão, amor, não poderia faltar o assunto caridade, que unido a estes outros termos exprimem as propriedades do próprio coração de Deus.
É certo que o santo Padre iria nos convocar a exercer a misericórdia nas diversas realidades sociais, pois são estas realidades o locus do testemunho cristão utilizando-se de todas as qualidades divinas em nós. A misericórdia, portanto, não poderia ficar alheia as tristes realidades sociais, como menciona o Papa, pois, do contrário estaríamos apenas falando teoricamente da misericórdia divina, que como seu Verbo, faz-se "carne" no meio de nós. As mais variadas periferias da existência humana revelam-se das maneiras mais sutis, sem exclusividade para a miséria econômica (apesar de mais visível), levando o ser humano cada vez mais para o fundo da própria existência, colocando-o num beco escuro e perto da inexistência. As doenças podem se revelar como misérias psicológicas, além dos próprios vícios que degradam a dignidade do homem e da mulher.
O Papa nos lembra de um lugar curador para a maioria destas misérias humanas, o sacramento da Confissão. É necessário incentivar as pessoas a procurarem este sacramento, pois cada vez que se procura mais a confissão se vai experimentando mais e mais o amor de Deus e sua misericórdia, além de nós mesmos experimentarmos viver desta misericórdia e vivê-la com os demais.
Penso ser muito interessante a observação que faz o Santo Padre no parágrafo 20 sobre a justiça e o misericórdia:
Não são dois aspectos em contraste entre si, mas duas dimensões duma única realidade que se desenvolve gradualmente até atingir o seu clímax na plenitude do amor. (MV, 20)
Esta culminância da misericórdia e da justiça de Deus na plenitude do amor é resultado inevitável destas duas prerrogativas divinas que não se contradizem, como facilmente a mente humana, baseada em frágeis categorias, poderiam pensar. Por isso o Papa destaca:
« Ide aprender o que significa: Prefiro a misericórdia ao sacrifício. Porque Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores » (Mt 9, 13). Diante da visão duma justiça como mera observância da lei, que julga dividindo as pessoas em justos e pecadores, Jesus procura mostrar o grande dom da misericórdia que busca os pecadores para lhes oferecer o perdão e a salvação. (idem)
De fato, a justiça de Deus é o perdão que salva e reconduz ao bom caminho.
E continuando no mesmo pensamento o Papa fala da misericórdia como alinhada a justiça e não contrária, pois em Deus existe ambas e sendo assim, seria impossível haver oposição em Deus, seria a própria destruição da ideia de "deus". Na Bula o Papa traz a lembrança um comentário bastante oportuno de Santo Agostinho, "é mais fácil que Deus contenha a ira do que a misericórdia" (Enarratio in Psalmos, 76, 11), trazendo a lembrança as muitas vezes que o próprio Senhor comunicou ao povo através dos seus profetas a contenção de Sua ira em favor da conversão do povo, utilizando-se de misericórdia para com todos.
Depois de falar de Maria Santíssima, a testemunha das palavras de perdão de Nosso Senhor (MV, 24), o Santo Padre utiliza palavras que lembram muito as primeiras que disse no início de seu Pontificado, "neste Jubileu, deixemo-nos surpreender por Deus" (MV, 25).
Enfim, parece-me claro que o Papa Francisco deseja, ao convocar este Jubileu Extraordinário da Misericórdia, animar toda a Igreja Católica, além de incentivar todo o mundo, a viver as palavras de perdão e amor, expressando mais concretamente a misericórdia, saindo do discurso retórico que facilmente fica no "demiurgo" das intenções e quase nunca pousa no - muitas vezes duro - coração humano.
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