Destaque:

El centenario de las apariciones de la Virgem Maria en Fatima

Rosa Caroline Crespo Fernández Valderi da Silva En su visita al santuario de Fátima en 1982, San Juan Pablo II proclamaba que "a ...

Você escolheria a Monarquia como melhor sistema de governo para o Brasil?

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Sobre "Misericordiae Vultus" [parte III]

Neste Ano Santo, poderemos fazer a experiência de abrir o coração àqueles que vivem nas mais variadas periferias existenciais, que muitas vezes o mundo contemporâneo cria de forma dramática. (MV, 15)
Com esta frase o Santo Padre inicia o parágrafo 15 da Bula convocatória para o Jubileu Extraordinário da Misericórdia. No assunto misericórdia, perdão, amor, não poderia faltar o assunto caridade, que unido a estes outros termos exprimem as propriedades do próprio coração de Deus.
É certo que o santo Padre iria nos convocar a exercer a misericórdia nas diversas realidades sociais, pois são estas realidades o locus do testemunho cristão utilizando-se de todas as qualidades divinas em nós. A misericórdia, portanto, não poderia ficar alheia as tristes realidades sociais, como menciona o Papa, pois, do contrário estaríamos apenas falando teoricamente da misericórdia divina, que como seu Verbo, faz-se "carne" no meio de nós. As mais variadas periferias da existência humana revelam-se das maneiras mais sutis, sem exclusividade para a miséria econômica (apesar de mais visível), levando o ser humano cada vez mais para o fundo da própria existência, colocando-o num beco escuro e perto da inexistência. As doenças podem se revelar como misérias psicológicas, além dos próprios vícios que degradam a dignidade do homem e da mulher.
O Papa nos lembra de um lugar curador para a maioria destas misérias humanas, o sacramento da Confissão. É necessário incentivar as pessoas a procurarem este sacramento, pois cada vez que se procura mais a confissão se vai experimentando mais e mais o amor de Deus e sua misericórdia, além de nós mesmos experimentarmos viver desta misericórdia e vivê-la com os demais.
Penso ser muito interessante a observação que faz o Santo Padre no parágrafo 20 sobre a justiça e o misericórdia:
Não são dois aspectos em contraste entre si, mas duas dimensões duma única realidade que se desenvolve gradualmente até atingir o seu clímax na plenitude do amor. (MV, 20)
Esta culminância da misericórdia e da justiça de Deus na plenitude do amor é resultado inevitável destas duas prerrogativas divinas que não se contradizem, como facilmente a mente humana, baseada em frágeis categorias, poderiam pensar. Por isso o Papa destaca:
« Ide aprender o que significa: Prefiro a misericórdia ao sacrifício. Porque Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores » (Mt 9, 13). Diante da visão duma justiça como mera observância da lei, que julga dividindo as pessoas em justos e pecadores, Jesus procura mostrar o grande dom da misericórdia que busca os pecadores para lhes oferecer o perdão e a salvação. (idem)
De fato, a justiça de Deus é o perdão que salva e reconduz ao bom caminho.
E continuando no mesmo pensamento o Papa fala da misericórdia como alinhada a justiça e não contrária, pois em Deus existe ambas e sendo assim, seria impossível haver oposição em Deus, seria a própria destruição da ideia de "deus". Na Bula o Papa traz a lembrança um comentário bastante oportuno de Santo Agostinho, "é mais fácil que Deus contenha a ira do que a misericórdia" (Enarratio in Psalmos, 76, 11), trazendo a lembrança as muitas vezes que o próprio Senhor comunicou ao povo através dos seus profetas a contenção de Sua ira em favor da conversão do povo, utilizando-se de misericórdia para com todos.
Depois de falar de Maria Santíssima, a testemunha das palavras de perdão de Nosso Senhor (MV, 24), o Santo Padre utiliza palavras que lembram muito as primeiras que disse no início de seu Pontificado, "neste Jubileu, deixemo-nos surpreender por Deus" (MV, 25).
Enfim, parece-me claro que o Papa Francisco deseja, ao convocar este Jubileu Extraordinário da Misericórdia, animar toda a Igreja Católica, além de incentivar todo o mundo, a viver as palavras de perdão e amor, expressando mais concretamente a misericórdia, saindo do discurso retórico que facilmente fica no "demiurgo" das intenções e quase nunca pousa no - muitas vezes duro - coração humano.
===
Print Friendly and PDF
_______________________________________________________________
ANÚNCIO DO BLOG $$$ Confira a promoção na página Loja e Negócios $$$
_______________________________________________________________

Nenhum comentário: