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segunda-feira, 20 de abril de 2015

Sobre "Misericordiae Vultus" [parte 1]

Na véspera do conhecido Domingo da Misericórdia, o II Domingo da Páscoa, o Santo Padre Francisco traz a público a Bula convocatória para o Jubileu Extraordinário da Misericórdia. Um Ano Santo para reacender e animar a Igreja e o mundo para a vivência do amor misericordioso de Deus, uma atribuição divina que como tal não têm limites.
Misericórdia: é a lei fundamental que mora no coração de cada pessoa, quando vê com olhos sinceros o irmão que encontra no caminho da vida. Misericórdia: é o caminho que une Deus e o homem, porque nos abre o coração à esperança de sermos amados para sempre, apesar da limitação do nosso pecado. (Misericordiae Vultus, 2)
Aqui o Santo Padre nos apresenta logo ao início uma breve compreensão de Misericórdia: "uma lei fundamental que mora no coração de cada pessoa", é claro que levando em consideração o que fora cultivado no coração desta "pessoa" para conseguir ter esta lei inscrita no seu coração.  É o que o mesmo Papa completa dizendo esta somente consegue viver esta lei quando enxerga com sinceridade não somente a si mesmo, mas que percebe a Deus e os outros. Por isso ser significativo as palavras inciais desta Bula Misercordiae Vultus, isto é, "o rosto da misericórdia" que não podia ser outro senão o próprio Cristo.
O Papa não podia falar em misericórdia sem mencionar o limite desta atribuição divina, que como já disse é "sem limites":
A misericórdia será sempre maior do que qualquer pecado, e ninguém pode colocar um limite ao amor de Deus que perdoa. (MV, 3)
E nestas palavras do Papa, tão simples ao passo que tão verdadeiras percebemos o porque que Deus sempre perdoa... porque ama o santo e o pecador, ama sua obra mais perfeita, o ser humano!
Acredito que este Ano Santo será de grande valia para muitos cristãos simplesmente por este motivo: fazer crescer uma verdadeira compreensão sobre o valor do perdão neste sentido de sua imensidade em comparação com o pecado. De fato, uma das grande dificuldades em nossas paróquias é justamente essa, fazer crescer o amor ao pecador apesar do desprezo ao pecado.
Tendo isto o Papa nos lembra o seguinte:
Deixar de lado o ressentimento, a raiva, a violência e a vingança são condições necessárias para se viver feliz. Acolhamos, pois, a exortação do Apóstolo: « Que o sol não se ponha sobre o vosso ressentimento » (Ef 4, 26). E sobretudo escutemos a palavra de Jesus que colocou a misericórdia como um ideal de vida e como critério de credibilidade para a nossa fé: « Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia » (Mt 5, 7). [...] Tal como ama o Pai, assim também amam os filhos. Tal como Ele é misericordioso, assim somos chamados também nós a ser misericordiosos uns para com os outros. (MV, 9)
Nas comunidades cristãs vemos surgir inúmeros grupos que fazem suas orações e pregações em torno do amor e da santidade, o que é muito positivo por estarem em acordo com o Evangelho, mas falta-lhes muitas vezes esta profundidade de que lembra o Papa, de que o amor e a santidade só se fazem quando o perdão nasce deste amor de Deus, quando ele supera tudo então começa a surgir verdadeiro amor aos demais e então santidade. Sempre pensei em inversão de valores quando se esquece que o ser humano precisa primeiro perdoar, depois começa a amar e enfim surge a santidade. Mudar esta ordem para mim nunca traz o resultado que Deus e nós esperamos.
Falando do perdão o Santo Padre desabafa como Pastor Universal o quanto "é triste ver como a experiência do perdão na nossa cultura vai rareando cada vez mais" (MV,10). Penso na facilidade de percebermos isso no mundo que atingimos no dia a dia, ou seja, casa-trabalho/escola-amigos. Neste nosso mundo diário experimentamos a falta de perdão e descaso no esforço em perdoar. Na verdade, muitas vezes parece mais ignorância espiritual do que má fé. Muitos nem sequer pensam em que perdoar precisa ser uma atitude vital no ser humano assim como o é comer ou beber água.

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