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sábado, 18 de abril de 2015

A Morte e "A Menina que roubava livros"

Já li variados livros, de vários estilos de literatura, mas devo confessar que me surpreendi positivamente com A Menina que Roubava Livros do escritor australiano Markus Zusak (Rio de Janeiro, 2013. Editora Intrínseca, 479 pgs.). Escritor este que demonstra uma grande desenvoltura com as palavras ao tornar a própria leitura uma espécie de "sujeito" da narração, uma trama que tem por vilão (ou herói), a necessidade de ler.
De fato, este ponto é para mim o mais impressionante nesta leitura, falo do autor conseguir expressar de maneira tão clara a fixação que causa "a palavra" que necessita deste esforço humano que chamamos de leitura. Não sei se o escritor deste livro estudou filosofia mas encontro nesta obra um excelente material para dissertação filosófica em torno do verbum, isto é, da palavra enquanto expressão do próprio existir do ser humano. Zusak colou-me a seu livro pela sede de leitura, e isso para mim conta muito a seu favor visto minha paixão incontrolável por livros!  O estilo que utilizou nesta narração é uma reflexão tocante, tanto é assim que acredito não existir uma pessoa sequer que leia A Menina que Roubava Livros e não pare após cada parte do livro (ou capítulo) e olhe para o horizonte remoendo alguma reflexão, contextualizando o que fora lido da vida de Lisiel e sua companheira invisível. Isto que experimentamos somente com as boas histórias e melhores ainda suas narrações.
Esta companheira oculta de Liesel Meminger é na verdade a narradora deste drama. Conhecemo-la todos e quem ainda não a conhece pessoalmente irá conhecê-la, pois quem nesta vida não se encontra com a Morte pelo menos uma vez?! Pois é... quem conta a história da menina que encontrava no furto de livros sua felicidade é a própria Morte, esta que logo cedo se apresentou a ela com o término da respiração do irmãozinho de Liesel, quando estava a caminho com ele para a casa do casal que os adotariam. Assim começa a história, a Morte (herói ou vilã!) leva seu irmão mas apresenta a Liesel o primeiro livro antes mesmo dela saber ler e escrever.
As reflexões da narradora (a Morte) também contribuem para uma excelente reflexão não somente filosófica, mas também espiritual. Apesar de não parecer a intenção do escritor, a ideia de Deus e a necessidade do ser humano em acreditar no além morte surge latentemente. A morte age como reflexo das próprias indagações humanas sobre a morte e este mistério. Como por exemplo o desconcerto da própria Morte percebendo o que ela chama do "o bom sendo do ser humano em morrer" (pg. 426), sabendo que a vida não é eterna e nem pode ser, pois a própria natureza é limitada e não suportaria a eternidade.
Enfim, não é a toa que este livro já é um bestseller da literatura internacional, já tendo sido levada ao cinema e aparentemente recebendo boas críticas também. Mas é claro que tudo fica mais "vivo" quando o livro esta em nossas mãos.
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