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quinta-feira, 23 de abril de 2015

A morte de um criminoso: justiça ou vingança?

"Nunca devemos nos alegrar com a morte de um homem" (Dom Henrique Soares da Costa, in https://youtu.be/DlJELZwJkvI?t=5m2s)

É claro que esta pequena fala de Dom Henrique não ilustra totalmente a opinião de sua pessoa, até porque pincei-a quando Sua Excelência tratava de um assunto mais específico apesar de ter uma íntima relação com o que falo a seguir. Por isso, recomendo que vejam o vídeo conforme o link postado junto a frase.
Vez por outra pensava na incoerência em se sentir "vingado" com a morte de um ser humano que mais mal fez neste mundo do que o bem. Sei que nossa inclinação bastante humana seria a de muitas vezes desejar a morte daquelas pessoas que matam, estupram, violentam, roubam descaradamente, ou seja, uma espécie de vinganças pelo mal que se descobre. Parece que aflora em nosso ser um senso de "justiça" em que a única sentença satisfatória seria a morte - talvez até a mais cruel possível - para aquele que nos indignou e revoltou com alguma barbárie.
Mas é essa a atitude condizente com a dignidade da natureza humana?
Apesar dos muitos casos que mostram a fragilidade do ser humano não posso aceitar que essa atitude seja coerente com a dignidade do ser humano, ou seja, querer mais a vingança do que a justiça. Claro que precisa-se entender a justiça na maneira mais pura possível, levando em  consideração além dos fatos a natureza do ser humano e sua dignidade enquanto ser vivente e pensante, e acrescentaria a condição de "obra de Deus".
Tendo isto, refletir sobre a "virtude" deste impulso de vingança que aflora segundo algumas circunstâncias específicas parece muito necessário, pois disto depende a própria valorização do pensamento humano.
Muitos em nosso tempo cometem tantas maldades que realmente são merecedores das mais severas penas para satisfazer o mal que cometeram, mas quem foi que pesou que a morte é a pena mais severa que se pode colocar a alguém?
Certa vez escutava um senhor que dizia, "desejo que este criminoso viva, para que possa pagar cada segundo de sua pena", pois este pensamento é muito mais racional - e considero também mais justo! - do que desejar a morte do criminoso. Mesmo que a dignidade da vida humana, independentemente da bondade da pessoa em questão, não seja o motivador para tal julgamento, não desejar a morte desta pessoa já revela uma ponderação de justiça mais equilibrada. Pois, a morte pode parecer cruel, mas pode ser libertadora, algo que fugiria a ideia de sentença ao criminoso.
É assim que, alguém que defende a morte pelo crime cometido, revela-se mais vingador do que justo. Por este motivo, fica-me difícil aceitar a pena de morte como alternativa, apesar de ter quem a defenda seriamente. Além do que, por mais cruel que tenha sido o criminoso, sempre devemos deixar a possibilidade de mudança interior, de arrependimento e edificação de paz no lugar da violência que estava instalada no coração.
Não desprezo as opiniões daqueles que, seriamente, defendem a pena de morte, inclusive com argumentos bastante substanciais. Mas ainda fica-me difícil pensar que a dignidade do ser humano, que é inata à sua natureza, deixe de estar presente naquele homem ou mulher que cometeram o mais terrível dos crimes, e que para alguns, mereceria "justamente" a morte.
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