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terça-feira, 24 de março de 2015

Quem faz gemer a terra... ?!

O autor começa a narrar a história de um homem chamado Mateus que no presente se encontra preso pelo assassinato de um soldado, tendo sido a arma para tal crime uma foice. Este assassinato aconteceu quando se sucedeu uma manifestação do MST (Movimento dos Sem Terra) na praça da Matriz.
Na prisão, Mateus começa a rememorar as lembranças da infância: de seus irmãos, de seus pais e de seu avô, que fora tão agradável para Mateus. Entre estas lembranças vêm à memória a morte do avô e a saída trágica de sua casa, aliás, de toda família que foi viver em um acampamento do MST. Seu pai lançou em determinado tempo, na plantação de soja, mas não foi muito feliz na sua empresa e acabou afundado em dívidas, sendo que foi inevitável perder tudo, entregando terra, casa e móveis como parte do pagamento. Por isso a mudança trágica para um acampamento dos sem-terra, ideia esta que veio da mente sempre ligeira de Pedro, irmão de Mateus.
Nesta obra o autor desenvolve um romance tendo como pano de fundo a polêmica questão da Reforma Agrária. Para mim é inevitável que, além de aproveitar um cenário para desenvolver uma delicada história, Kiefer pretende passar também seu ponto de vista a respeito de tal assunto tão grave em nosso país. Grave e delicado porque não se pode enquadrar todos os sem-terras no quesito "mocinhos" ou "vítimas", do mesmo modo que não podemos taxar a prometida Reforma Agrária como remédio dos deuses que sanara a chaga da indigência e da desabitação de muitas famílias.
O personagem Mateus esta narrando sua história de vida até o presente, esta conversando com alguém que fora o visitar no horário de visitas da prisão. Faz saltos para frente e pra trás no meio da narrativa, sem perder, no entanto, a linha principal dos acontecimentos.
Sua trama se confunde com o destino dos sem-terras, mencionados na obra, pois ao encerrar a narrativa, interrogando se existe "uma história [que tenha] fim?" (cf. pág. 114), deixa a livre interpretação sobre o aparentemente eterno problema dos sem-terras.
Associando a vida de um homem ao sofrimento social de muitos, o escritor aborda um tema para além de uma questão específica, pois leva-nos a pensar nos males sociais de modo geral, que facilmente violentam as famílias mais simples forçando-as a mudanças radicais em suas pacatas e - até certo ponto - felizes vidas.
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