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sábado, 21 de fevereiro de 2015

Joana D'Arc por Mark Twain

Poucas pessoas sabem que Mark Twain escreveu um livro sobre Santa Joana D'Arc. Menos sabem, ainda, que ele considerava este não somente seu mais importante trabalho, como, também, o melhor.
Para escrever JOANA D'ARC, Mark Twain passou doze anos pesquisando a vida de Joana e mais vários meses, na França, estudando arquivos históricos. O resultado foi um livro para informar e inspirar os leitores. O estilo sentimental e discreto do narrador é bem diferente do usualmente mostrado por Twain. Originalmente publicado em 1895, JOANA D'ARC foi apresentado como a tradução das memórias de Sieur Louis de Conte, supostamente a única pessoa a acompanhar a santa guerreira durante as três etapas de sua vida: a criança atormentada por visões, o gênio militar e a herege queimada em fogueira após um julgamento de cartas marcadas. Mas Mark Twain, pseudônimo de Samuel Langhorne Clemens, deixou algumas pistas de sua autoria. A começar pela escolha das mesmas letras de seu nome verdadeiro para criar um novo pseudônimo ao contar a história de Joana. O autor consegue desvendar a história de uma das personagens mais interessantes da história. Uma menina que, aos 17 anos, se tornou líder do exército francês, acostumado com as derrotas. Sob seu comando, ela reverte essa situação e devolve a coroa a Carlos VII, [chamado por Joana antes da coroação de delfim]. E foi queimada por isso.
A donzela de Orlèans, padroeira da França, nasceu em Domrèmy, em 1412. Aos 13 anos, começou a ouvir vozes divinas, que a incitavam a partir para Orlèans, sitiada pelos ingleses. Guiada pelas vozes, Joana consegue uma escolta que a leva até o rei. Ao reconhecer o rei - disfarçado de camponês - numa sala repleta de nobres, a autenticidade de sua fé foi comprovada e ela recebeu um séquito militar para ajudá-la na tarefa de libertar a cidade. Inúmeras vitórias sobre as posições inglesas permitiram-lhe reacender a chama do patriotismo. Mas a morosidade da diplomacia real entravou a ação de Joana, que fracassou na retomada de Paris. Ferida, ela foi capturada por João de Luxemburgo, conde de Borgonha, que a entregou aos ingleses. 
Em 1431, Joana foi declarada herética e queimada viva na Praça do Velho Mercado, em Rouen. Em JOANA D'ARC, Mark Twain conta detalhes do processo e mostra como as provas foram manipuladas de forma a prejudicar Joana. O autor conta ainda, os detalhes da reabilitação [promovida pela] Igreja Católica que, após um novo processo, em 1456, absolveu-a. O processo de beatificação e santificação, no entanto, só se completou em 1920.
 (Resumo publicado pelo site da Editora Record. Negritos e colchetes são do Blog VALDERI)
Terminando de ler esta obra fiquei um tempo considerando a possibilidade de ser aquele o relato mais crível acerca do que se passou naqueles anos desde Domrémy até Rouen. De fato, Twain conseguiu reunir dados para um relato digno da dignidade e altura de Joana D'Arc, "Salvadora da França". Somente o que me deixa com "um pé atrás" com Twain é o fato de que é um escritor sem a visão da fé, visto não ser católico e talvez isso possa esclarecer o fato de que coloca na boca do narrador, Sieur Louis de Conte, expressões como "mistério", "maravilhas inexplicáveis" ao se referir a Joana e a tudo que ela foi capaz de fazer. Esta visão que lhe falta traduziria mais perfeitamente o que para ele se torna um mistério: a fé. É Deus que acompanhou Joana de maneira extraordinária. Foi Deus por intermédio de santos e anjos revelou a Joana o trabalho, o sacrifício e a glória em sua vida. Somente com a fé se entende o porque Joana conseguia manter fiel às promessas feitas a Deus por intermédio das "visões" e "vozes".
Mas devo reconhecer nesta obra a digna figura que Mark Twain descreveu de Joana, desde sua infância até seu derradeiro e infame martírio. Conseguiu ele transmitir a nobreza de uma alma tocada por Deus, que deixou-se, desde muito cedo, modelar-se pelo Criador de tudo, Aquele que faz surgiu, vez por outra, neste "vale de lágrimas" (como rezamos na Salve Regina) pessoas singulares que, mesmo aos mais ardorosos e ortodoxos imprimi uma admiração sem par.
Como poderia deixar de ser, amo com crescente entusiasmo esta jovem guiada por Deus, que desde séculos atrás, inspira o Orbe católico ao amor e fidelidade a Deus e Sua Igreja.
Para terminar, gostaria de transcrever as palavras narrativas dos últimos segundos de Joana, já no cadafalso:
No mesmo instante uma enorme labareda ergueu-se, avolumou-se e engolfou Joana totalmente, impedindo que a vissem. E dentro daquelas chamas ouviu-se sua voz, clara e firme, dizendo uma oração. Quando, por breves momentos, o vento esgarçava um pouco a fumaça negra, ela podia ser vista a olhar para o alto, movendo os lábios. Finalmente uma grande labareda misericordiosa ergueu-se de repente e ninguém mais pode ver aquele rosto, sequer aquela figura. E a voz silenciou. (pg. 453) 

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