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quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Pistoleiros também mandam flores... ou não!

A pouco terminei de ler um pequeno livro do jornalista e ao que parece também escritor, David Coimbra.
Sob título de "Pistoleiros também mandam flores", o autor desvela nada mais do que sua própria filosofia - se é que se pode chamar assim! - de como viver a margem da responsabilidade, banalizando estruturas que ao longo da história da humanidade se solidificaram porque justamente nascem de um apelo urgente, e posso dizer também natural, do ser humano. Coisas como casamento, justiça e respeito indiscutível a religião e a Sagrada Escritura fazem parte não de uma ideologia momentânea, mas de algo que permanece a muito custo na humanidade, fruto de uma conquista dela mesma, pois o ser humano conseguiu se ver não solitário neste mundo, mas acompanhado de um Deus que se revela a ele, revelação esta contida inegavelmente nas palavras da Sagrada Escritura. O mesmo ser humano que, graças a este desenvolvimento de sua dimensão espiritual, conseguiu compreender e solidificar o relacionamento monogâmico - ironizado nesta obra -, algo basilar para o crescimento de uma sociedade sadia, onde sobrevive a estrutura familiar, célula da sociedade.
Claro que não estou julgando o escritor pelo conjunto de sua obra, apenas fazendo um comentário deste livro específico, que apesar de ter um viés humorístico, discursa negligentemente sobre a licitude de orgias, assassinatos, desrespeitos, enfim, uma tentativa de apregoar argumentos para uma vida inidônea.
Diante de toda a trama, os discursos com ares de intelectualidade do personagem Nico, amigo de Régis Rondelli, demonstra de maneira bastante clara a postura presente nesta obra específica. O próprio modo de viver do assassino Aníbal nos faz ver a corruptibilidade da filosofia presente no livro. Ali encontramos o miserável repórter Régis, que quase por acidente esta no centro da trama, ele sim parece salvar um pouco a licitude da visão sobre casamento, justiça e amor, apesar de aparentemente concordar com Nico e Aníbal no quesito vida loka.
Sobre o autor - que se demonstra incansável no assunto "mulheres" - realmente gostaria que tivesse mais cuidado ao entrar em campos que possivelmente não domina o suficiente, pois a censura estará sempre presente e não só isso, mas o que deve ser temido por todos os escritores, o rótulo de "irresponsável intelectual". Demonstro: num dos discursos de Nico ao amigo Régis, o autor coloca na boca de Nico - aparentemente um razoável leitor de livros - a vida de Santo Agostinho de Hipona, usando de tal forma a vida deste magno doutor da Igreja para justificar sua vida devassa, fazendo aparentar que o próprio Agostinho legitima esta vida, mesmo depois de sua conversão ao cristianismo, o que tornou o grande defensor da moral cristã.
Por fim, o assassino não manda flores para ninguém... talvez uma brincadeira do autor!
Não posso jogar a vida dos personagens na vida do autor, evidente. Faço este comentário porque desejo compartilhar minha opinião sobre esta obra.

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