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sábado, 18 de outubro de 2014

XXIX Domingo do Tempo Comum

Is 45,1.4-6 1Ts 1,1-5b Mt 22,15-21

Pe. Valderi da Silva

Fratres carissimi.

Liturgia deste domingo, nos leva a pensar: QUE IMAGEM DOU A DEUS?

Primeiramente vale a pena prestar atenção no que os fariseus falaram de Jesus: “sabemos que és verdadeiro e que, de fato, ensinas o caminho de Deus. Não te deixas influenciar pela opinião dos outros, pois não julgas um homem pelas aparências”.[1] Disto tiramos duas coisas: a primeira é que estes fariseus, que vivem de hipocrisia, como denuncia o próprio Jesus, mesmo vivendo no pecado conseguem identificar o bem, sabem identificar o que realmente se deve fazer, pois enxergaram em Jesus a atitude que eles mesmos deviam tomar. A segunda coisa é que, considerando os cristãos como seguidores, imitadores de Nosso Senhor e Mestre, isto que Dele falaram não deveria ser a nossa postura? Digo todos nós aqui, reunidos, deveríamos ouvir este elogio que se faz de Jesus e não somente concordar, mas imitá-Lo... Sermos nós também verdadeiros, andar e ensinar o caminho de Deus, não nos deixar guiar pelas influências mundanas, de pessoas que não desejam viver os princípios da fé e principalmente, não julgar os outros pelas aparências!

Apesar desta observação inicial que podemos fazer neste Evangelho, o centro parece estar na resposta de Jesus à armadilha que os fariseus quiseram armar para pega-Lo em alguma palavra.

Lançando a pergunta a Jesus, “é lícito ou não pagar o imposto a César?” colocam Jesus na armadilha em que, se respondeCesar Augusto - moeda ser lícito, será considerado um apoiador daquele que oprime o povo, que o domina pela força. Respondendo que não, será tido como um agitador, que pretende que o povo se revolte contra o Império Romano e assim provoque uma revolta. Colocam Jesus pronto para matá-lo de qualquer forma. É típico de pessoas mal intencionadas querem jogar sujo desta maneira, querendo enrolar aqueles que não simpatizam em alguma armadilha, através de perguntas maliciosas, com segundas ou terceiras intenções.

Diante disso voltamos à pergunta inicial que a liturgia nos faz: QUE IMAGEM NÓS DAMOS A DEUS? Em um de seus tantos sermões[2], Santo Agostinho nos ajuda a refletir sobre isso fazendo com que prestemos atenção na moeda que Jesus pediu que trouxessem a Ele. Na moeda tinha o rosto de César, imperador de Roma. Aquele que na sua vaidade e ganância por poder cunha no dinheiro, que corrompe facilmente qualquer coração, sua imagem, seu rosto. Não é a imagem de Deus que esta nesta moeda, na é a imagem de Deus que esta no dinheiro, no suposto poder do ser humano, que tantos homens e mulheres buscam durante a vida. Por este motivo a moeda, o dinheiro, o imposto, não são para Deus, são para saciar a ganância daqueles que desejam somente viver dele. Pelo contrário, para Deus nós entregamos a Sua imagem, imagem que esta em cada homem e mulher, esta imagem de Deus que foi impressa no ser humano quando por Ele fomos criados. Deus quer de nós esta imagem, quer de nós esta “paga”, este “imposto”, que seja visível em nós Sua imagem, e não a imagem do dinheiro, do poder, da ganância, da avareza, da hipocrisia, da falsidade, da malícia que somente gera pecado.

Queridos irmãos. Temos nesta liturgia uma reflexão sobre o que devemos evitar sobre o que devemos buscar ser e o porquê sermos assim!

Devemos evitar a falsidade, a ganância, malícia, a hipocrisia, a avareza e a atenção mais ao mundo e as pessoas malidiscentes do que a Deus.

Precisamos viver com as virtudes de Nosso Senhor, ou seja, verdadeiro, andar sempre no caminho de Deus, nunda julgar as pessoas pelas aparências e sempre dar mais ouvidos a Deus.

Para que isso? Para transparecer em nós não a imagem do “César”, mas a imagem de Deus, para demos a Ele a imagem que é Dele por direito, e que esta impressa em cada um de nós. Esta imagem de Deus em nós pode estar talvez, meio escondida pela camada de lama de nossos pecados, mais um motivo para recorrermos ao sacramento da confissão, pois é ali, que somos límpos da imundice que impede a Deus de se ver em nós.


[1] Mt 22,16

[2] Sermão 113A, 7-8

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