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sábado, 5 de julho de 2014

Canonização do PP. João Paulo II e sua contribuição na caminhada da Igreja

Tríduo na Capela Nossa Senhora do Carmo - Sapiranga

Pe. Valderi da Silva

Fratres carissimi.

O mundo conheceu uma grande personagem, típica dos filmes heróicos, das histórias de reconstrução da sociedade afligida e quase destruída por algum tipo de mal. Falar de João Paulo II é falar de uma figura assim, alguém que providencialmente foi chamado por Deus numa época de muita confusão. Este homem que agora veneramos como Santo foi antes de tudo, um homem capaz de amar, sorrir e perdoar. Nele temos o homem, o Papa, o Santo.

Não vamos aqui tecer uma biografia de São João Paulo II, mas vamos olhar para a contribuição que este Santo deu para a caminhada da Igreja, destacando duas características deste santo: seu amor pelo ser humano, e seu amor pela Virgem Maria.

1. Desde os tempos de aluno na universidade, ator e poeta, Karol Wojtyla sempre se inclinou ao misterioso compadecimento do ser humano, ou seja, sentir como um verdadeiro ser humano, capaz de viver as misérias e alegrias dos homens e mulheres. Isto inegavelmente foi moldando-o com um coração capaz de perdoar, capaz de amar o pecador, sem contaminar-se ou aprovar o pecado. Lembrando que Karol presenciou de perto os horrores da guerra provocada pelo nazismo e também da diabólica ação do comunismo, fica-nos compreensível vermos nele alguém capaz de compreender todas as dificuldades de nosso tempo.

Tendo João Paulo II ficado tantos anos no Trono de Pedro, como Papa, muitos cristãos cresceram formados por seus pronunciamentos, cartas, documentos e homilias. Suas palavras estão cheias de amor pelo ser humano, criatura que é amada por Deus e adotada por Ele mesmo como seus filhos pelo Sacramento do Batismo. Eu mesmo posso dizer que, formei-me ouvindo São João Paulo II, lendo o que escrevia para transmitir ao mundo o amor pela humanidade. Humanidade que em si não é má, ou seja, não é errado ser “humano”, errado é desfigurar a imagem que Deus quer imprimir em seus filhos, rebaixando-os ao nível inferior a que foram chamados desde a criação. Este santo, com sua vida apostólica, foi exemplo de que é necessário preservar a imagem de Deus em cada homem e mulher, preservar a integridade da natureza humana, cultivando-a como Deus a quis e criou, sem mutações e transformações, que ao longo do tempo se mostram fúteis e egoístas.

A Santa Igreja, elevando a honra dos altares tamanho ser humano, simplesmente reconhece a grandeza de uma alma que compartilhou com o mundo um jeito muito divino de ver os homens, nunca os abandonando, nunca desistindo mesmo do maior pecador. Oferecendo ao mundo o exemplo de São João Paulo II, a Santa Igreja se alegra por saber que em nosso tempo podemos olhar para alguém que viveu perto de nós, que viveu o tempo conosco, que conheceu os assustadores desafios que temos em nossos dias. Este homem, elevado a honra dos altares, é que agora interecede por nós junto de Deus, fazendo com que estejamos mais amparados, que tenhamos um auxílio junto Daquele que tudo pode o Altíssimo Senhor.

Lembrando-se do tema de hoje, fica-nos claro que uma das grandes contribuições deste santo homem para a Igreja pós Concílio Vaticano II foi justamente o ardente amor pela humanidade, pela natureza que possuímos que é criatura de Deus. Junto a isso, uma maior esperança na conversão do ser humano para a verdadeira vida junto de Deus.

2. São João Paulo II, ao longo de seu Pontificado deixou comovente exemplo de amor a Virgem Santíssima, Mãe de Deus. Sua devoção era algo realmente extraordinário, e hoje, cremos que esta contemplando a própria mãezinha do Céu junto dela e junto a Nosso Senhor.

Na sua carta apostólica Rosarium Virginis Mariae fala:

A contemplação de Cristo tem em Maria o seu modelo insuperável. O rosto do Filho pertence-lhe sob um título especial. Foi no seu ventre que se plasmou, recebendo dela também uma semelhança humana que evoca uma intimidade espiritual certamente ainda maior.[1]

Uma segunda contribuição deste santo homem que desejo destacar foi justamente esta devoção e amor a Virgem Maria. Através de seu dedicado exemplo de amor a Ela, evidenciou ao mundo a necessidade de olharmos para Cristo por Maria, pois através dela conseguimos contemplar mais perfeitamente o Senhor. A Igreja inteira viveu mais ardentemente a devoção a Maria pelo testemunho de São João Paulo II, pois viamos nele gestos de amor a Maria, lemos seus escritos cheios de poesias amorosas à Mãe de Deus. Sua própria devoção que lhe garantiu maior intimidade com o Cristo, garantiu também maior amor de muitos cristãos àquela que é nosso auxílio, que é nossa advogada, como rezamos na “Salve Rainha”.

Queridos irmãos e irmãs. Vivemos a graça de ver este grande homem e Papa ser colocado a nós como modelo e como intercessor. A Igreja inteira cresceu durante os anos em que foi guiada por este querido pastor. Muitos receberam inumeráveis graças pela vida e orientação deste Santo que hoje veneramos. Se hoje caminhamos com a firmeza e a esperança necessária para alcançarmos o ideal do cristão, que é viver junto de Deus, tivemos a grande contribuição deste Santo. Como Papa nunca negou a Verdade, sempre esclareceu os erros, apontou as injustiças, colocou a Palavra de Deus acima de tudo, ao passo que pedia sempre para que Maria andasse com os filhos de Deus por este mundo, nesta peregrinação que é a nossa vida. Como Papa, nunca abandonou o ser humano, sempre com olhos atentos para o que fazia os homens e mulheres de seu tempo sofrerem, se desfigurarem, manchando e destruindo o que de divino existe em nós.

Roguemos a São João Paulo II, para que de junto de Deus continue a nos orientar, continue a nos formar na escola no amor de Deus ao ser humano, superando a diabólica tentação do egoísmo e da indiferença que nos faz tantas vezes esquecer que somos todos irmãos e irmãs.

L.S.N.S.J.C.


[1] João Paulo II. Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae, 10.

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