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sábado, 24 de maio de 2014

VI Domingo do Tempo Pascal

At 8,5-8 1Pd 3,15-18 Jo 14,15-21

Pe. Valderi da Silva

Fratres carissimi.

Caminhando neste Tempo Pascal, seguimos com os apóstolos e primeiros discípulos os passos iniciais da Igreja de Cristo, principalmente através da leitura dos Atos dos Apóstolos. É interessante percebermos que a Igreja de Cristo não nasceu de mera vontade humana, nem sequer foi organizada segundo o gosto dos homens e mulheres, mas foi crescendo e agregando a si o que era necessário para corresponder a missão deixada pelo próprio Senhor.

Primeiramente nos dediquemos a este evangelho que aqui foi proclamado. Nele Nosso Senhor traz maior clareza aos discípulos sobre a pessoa do Espírito Santo, chamado por Ele de “defensor” e “Espírito da verdade”.

Das palavras de Cristo entendemos que o Espírito Santo vem da parte de Deus Pai, não que seja separado do Deus Filho – Jesus Cristo – mas procede de ambos, visto que o próprio Jesus já havia revelado sua unidade íntima com o Pai (cf. Jo 14,9.11). É chamado de defensor por causa da maldade do mundo que será capaz de perseguir e matar os arautos de Cristo. Todos aqueles que acolhem a palavra de Deus em Jesus Cristo e vivem-na com exigência, a estes será necessário alguém que os defenda, que os auxilie contra a astúcia do maligno, que seja o motivador em meio ao sofrimento, que possa suster o que vacila, para que os batizados possam alcançar a salvação a que são chamados.

Este defensor excelente permanecerá conosco até o fim dos tempos (cf. Jo 14,16), pois até lá sempre os fieis seguidores de Jesus Cristo sofreram os opróbrios postos pelo inimigo de Deus, para justamente perder as almas. Sua permanência conosco já é motivo de alegria para todo cristão, ou seja, saber que contamos com auxílio divino para o combate, auxílio para sairmos das armadilhas do pecado. Precisamos contar com Ele, pois este “defensor” não arromba a porta, Ele não força o discípulo a invocá-Lo e seguir suas inspirações. É preciso que o discípulo, isto é, o cristão, peça incessantemente a Ele que o defenda contra o mal, principalmente fortalecendo a vontade para vencer a tentação.

Este mesmo “defensor” é chamado pelo Cristo de Espírito da verdade. A Verdade é uma propriedade da própria essência de Deus, ou seja, faz parte de Seu próprio ser, de Seu próprio existir. Por este motivo que sendo uma pessoa divina, este Espírito enviado pelo Pai será o revelador de toda verdade, o que sempre trará para a luz a verdade sufocada pelos nossos pecados, além de dar-nos as moções necessárias para viver na verdade. Tudo o que o próprio Jesus nos revela nos Evangelhos pode ser entendido por nós por causa do Espírito Santo que nos possibilita compreender a verdade revelada por Deus, sem Ele fica-nos impossível compreender corretamente as Escrituras. Parece-nos claro, portanto, que receber a infusão do Divino Espírito é extremamente necessário para podermos viver a luz da Sagrada Escritura.

Isto significa também, que o Espírito é necessário para vivermos o amor que Jesus Cristo nos ensina a viver, pois é na Sagrada Escritura que aprendemos quem é a fonte do amor e quem ensina a amar verdadeiramente. Jesus nos diz neste evangelho: “quem me ama será amado por meu Pai e eu o amarei e me manifestarei a ele” (Jo 14,21). Não conseguimos amar a Cristo como Ele nos ama sem o auxílio do próprio Deus na pessoa divina do Espírito Santo. Do contrário poderíamos alimentar um “amor humano” a Jesus, este que mais corretamente deveria ser chamado de paixão, algo fugaz, vacilante, epidérmico, incapaz de atitudes como a de Cristo.

Tendo isto, compreendemos mais a atitude da Igreja em ministrar o Sacramento da Confirmação (ou Crisma) logo após o Sacramento do Batismo. Pois, além de receber o dom da fé, para que se possa caminhar conforme a Palavra de Deus, deixando-se guiar pela mensagem evangélica, é necessária a infusão do Espírito Santo para termos a capacidade de compreendemos o que Deus nos revela, pois vimos que sem Ele não poderemos seguir o Pastor, nem identificar Sua voz (cf. Jo 10,4). Junto a esta necessidade do Espírito Santo em nós, esta a capacidade de sermos nós mesmos morada de Deus, templos do Espírito: “e estará dentro de vós” (Jo 14,17), diz o Senhor.

Lembrando o que ouvimos dos Atos dos Apóstolos, conseguimos compreender o porque a Igreja que nascia na Samaria pediu aos apóstolos Pedro e João que fossem até eles para impôr-lhes as mãos, para que pudessem receber o Espírito Santo que ainda não haviam recebido, pois estes já haviam sido batizados (cf. At 8,14-17). O mesmo percebemos nesta carta de São Pedro, quando ele aconselha para sempre estarmos prontos a dar razão de nossa esperança (1Pd 3,15). Esta compreensão que precisamos buscar da própria fé que professamos, só a conseguimos com a luz do Divino Espírito, que nos clareia a verdade a ser conhecida.

Como Deus sempre espera uma resposta do ser humano, que de ser dada diariamente, receber a infusão do Espirito Santo não é garantia de salvação, pois Deus conta com a correspondência ao dom recebido, ou seja, o cristão necessita deixar que este Espírito que mora nele possa guiá-lo, precisa ser dócil ao Espirito Santo, precisa agir sem preconceitos, prejulgamentos e muitos menos abruptamente. Entende-se porque o cristão precisa ser alguém contemplativo, algo que conseguimos somente com a oração.

Estimados irmãos. A Igreja vive este Tempo da Páscoa na espera do Senhor que prometeu voltar. Neste evangelho Ele já anuncia aos seus discípulos que vai subir ao Céu, mas que não deixará os seus discípulos órfãos até sua volta.

A Igreja é confiante nesta presença viva de Cristo em nós, pois somos sustentados para viver a fé, a esperança e a caridade por meia dela. Nunca deixemos de rezar o Credo em nossas orações, pois é nele que contemplamos o horizonte de nossa fé, contemplamos a morada eterna para onde as ovelhas fiéis irão.

L.S.N.J.C.

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