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sexta-feira, 23 de maio de 2014

CF 2014: Fraternidade e Tráfico Humano

Tríduo em honra a Nossa Senhora de Caravaggio - Sapiranga

Pe. Valderi da Silva

Fratres carissimi.

A CF-2014 escolheu como tema uma das formas de criminalidade atuais que envergonham a humanidade, o tráfico humano. Pretende-se com a campanha contribuir para reforçar a conscientização, a prevenção, a denúncia e o repúdio com relação a essa atividade ilegal, além de apelar tanto para o Estado como para toda a sociedade civil a fim de que se empenhem em coibir tal iniquidade.

Assusta-nos até onde chega à perversidade de traficar seres humanos como se fossem coisas. A humanidade, depois de tristes e violentos invernos de maldade, chegou, em 1948, à Declaração dos Direitos Humanos. O texto começa com uma série de “considerandos”. O primeiro soa solene: “Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e de seus direitos iguais e inalienáveis é o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo”. Antes de tudo, está a dignidade de cada ser humano, que goza de igualdade de direitos inalienáveis. Sobre ela se constroem a liberdade, a justiça e a paz.[1]

Claro que esta Declaração dos Direitos Humanos baseia-se apenas na lei natural, fruto daquilo que empíricamente conhecemos da vida humana. Mas os cristãos sabem muito bem que a vida humana é dom de Deus e que por este motivo merece todo esforço para ser preservada, desde a concepção até a morte natural, impedindo qualquer mau trato ao ser humano, ferindo a dignidade que é fruto deste dom recebido de Deus.CF 2014

Refletindo sobre o tema da CF deste ano, percebemos que a maldade que se instala no coração humano pode ser indescritível, algo realmente assustador. Pensar em como um ser humano pode tratar semelhante como objeto para obter lucro financeiro ou político, menosprezando o valor daquela vida que ele maltrata é manifestação evidente de que o amor de Deus não se faz presente onde existe este nível de maldade.

Esta Campanha não nos serve apenas para a indignação ao tráfico humano existente, mas nos serve para conscientização de que, como cristãos, não podemos deixar de rezar por aqueles que sofrem no mundo e principalmente em nosso país por causa desta maldade humana. A oração deve ser o nosso primeiro ato concreto diante desta horrenda face do mundo sem Deus. Pois não podemos nos esquecer de que é precisamente a oração que nos faz equilibrar os sentidos interiores, que nos faz abertos às inspirações de Deus, que nos faz ouvir a Vontade do Pai.

Evidentemente que a oração esta no início, no meio e do fim das atividades humanas cristãs, mas junto a ela precisamos pensar no que mais podemos fazer de concreto para que esta realidade de maldade na sociedade possa ser curada aos poucos. Acredito que algo ao alcance de todos é a educação reta e consciente dos filhos, pois estes homens e mulheres que comentem estes atos atrozes de traficar seres humanos para diversos fins, são também filhos e filhas de alguém, que talvez não receberam uma adequada educação. E não digo educar apenas o comportamento, falo de educar as consciências, pois é necessário que um filho não seja apenas bom, ele precisa pensar como uma pessoa boa.

Além de não descuidar da reta educação dos filhos, uma busca por orientar os irmãos que talvez se encontrem em perigo é também uma atitude concreta possível, quando temos a oportunidade. Muitos sabem que estes perigos não esta somente nos filmes e novelas, talvez em escala menor, pode estar a rodear nós mesmos, ou nossos filhos, ou os filhos de nossos irmãos. Neste mundo, onde somos alertados dos perigos que nos cerca por falta do amor de Deus, a prudência é uma grande arma para salvarmo-nos do mal.

Qual será o fruto desta Campanha da Fraternidade?

Como toda CF, se espera um despertar de consciência, para que o cristão e qualquer pessoa de boa vontade, não deixe adormecer sua indignação diante do mal, diante do pecado.

Certamente muitos iram se perguntar: “mas o que podemos fazer nós aqui?”. Esta pergunta é legítima, mas a resposta já foi mencionada em tudo o dito até este momento. A partir da fé, buscar uma maior comunhão espiritual com aqueles que sofrem; buscar uma comprometida educação de consciência dos mais jovens, e diante do possível, buscar socorrer nossos irmãos que possam estar suscetíveis a este perigo.

Não fechar os olhos, nem a mente e muito menos o coração! Somos cristãos comprometidos com o amor de Deus pelo ser humano, e, portanto, chamados a cuidar uns dos outros, buscando o bem de todos, buscando andarmos juntos para a casa eterna de Deus Pai.

Falando de amor e de cuidado, lembramos também da Virgem Maria, a Santa Mãe de Deus e nossa. Ela que também é chamada de Auxilium Christianorum caminha conosco na estrada da vida para que, andando segundo a vontade de Deus, cheguemos no Reino dos Céus.


[1] Site http://vidapastoral.com.br/, “Fraternidade e tráfico humano: reflexão socioteológica”.

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