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sábado, 19 de abril de 2014

Pe. VALDERI: Mensagem para a Páscoa de Nosso Senhor

Mensagem para a

PÁSCOA DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Na Páscoa de Nosso Senhor do ano de 2009, o então Santo Padre Bento XVI começava sua mensagem com estas palavras: “A todos vós formulo cordiais votos de Páscoa com as palavras de Santo Agostinho: «Resurrectio Domini, spes nostra – a ressurreição do Senhor é a nossa esperança»[1]. Sem a pretensão de “melhorar” a citação do magno Santo Agostinho, desejo servir-me da lembrança feita pelo predecessor do Papa Francisco nesta reflexão.

Creio ser necessário evocar o mundo hodierno que não é necessariamente expressão de uma realidade favorável para a vida cristã, fundamentada na Ressurreição do Senhor. Precisamente neste mundo, repleto de desabores e contradições, onde se instaura cada vez mais a confusão ideológica e a descrença em Deus através do sincretismo cada vez mais acentuado, o cristão é provocado a crescer mais na esperança, fruto da Ressurreição. Sem apelo ao catastrofismo, a fé esta seriamente ameaçada pela tentativa de diluição forçada da doutrina oriunda da Revelação Divina deixada por Jesus Cristo. Especialmente naquelas idéias perigosas do Jesus “nirvana” que parece ser mais simpático aos que desejam uma religião global, capaz de achar um “nome” e conceito comum para a entidade superior. Seriamente o cristão esta a mercê de inúmeras formas de falsas doutrinas com roupagem de “ecumênicas”, mas que em realidade se desvelam em um feroz lobo, pronto a destroçar a fé verdadeira.

Diante desta realidade adversa ao cultivo da fé cristã, na sua cristalina forma, precisamos voltar para a base da fé que os apóstolos pregaram e que é a fonte perene da verdadeira fé cristã: a Ressurreição de Jesus Cristo.

Quando Santo Agostinho diz que a ressurreição de Cristo é a nossa esperança, está não somente concordando com os apóstolos, mas mostrando ao cristão de todos os tempos que a morte a qual todos estamos destinados não é o fim de tudo e sendo assim, é necessário saber o que segue a morte inevitável. É aqui precisamente que a grande maioria das ideologias, filosofias e pensamentos sincrestistas se apartam verticalmente da doutrina cristã. Muitas filosofias desejam levar o ser humano a acreditar numa mutação espiritual, fazendo do ser humano uma energia após a morte, capaz de fluir pelo espaço, influindo até na matéria. Outras ideologias afirmam que o espírito humano esta preso a uma eternidade cíclica, ou seja, separa-se do corpo, mas acaba regressando a matéria em outra forma ou pessoa. Alguns defendem a imanência do espírito (ou alma) junto da matéria, por isso da necessidade de ligar o corpo (os restos mortais) a algum monumento ou vaso. Muitas outras idéias circulam neste mundo, todas confusas demais para se deixar esclarecer pela realidade da Ressurreição de Cristo. De fato, em todas estas “idéias” a ressurreição se torna absurda, pois não existe o pressuposto: a fé.

A esperança de que fala Santo Agostinho surge da confiança em Jesus Cristo. Nele cremos na ressurreição da carne para uma vida nova, livre da corruptibilidade deste mundo, livre das contingências que tanto nos deixam as apalpadelas pelos caminhos deste mundo.

A esperança cristã se expressa especialmente na ressurreição, pois é através dela que o Senhor nos prova a autenticidade de toda sua mesangem a respeito da vida eterna e da vigilância para nela ingressar. Esta nossa esperança cristã se difere essencialmente de uma mera esperança humana, que mesmo com toda a honestidade, nunca alcançara o que o dom da esperança nos pode alcançar. É certo que o ser humano sem a fé pode esperar algo, esperar algo da vida, esperar algo de seus projetos, esperar algo do “destino”, mas dificilmente sem a compreensão da fé é possível esperar pela ressurreição. Deste modo, parece-nos certo que o cristão tem esperança por ter fé, deixando mais claro ainda que a fé antevem à esperança, sendo que uma e outra nascem pela Ressurreição do Senhor.

Fé e esperança, duas virtudes teologais que são dons de Deus, dons sobrenaturais. Mas é importante lembrar que mesmo elas sendo infundidos no cristão como dons precisam do cultivo necessário sobgrave destino de morte. Sem a vivência sacramental não pode um dom de Deus se sustentar na alma do cristão, especialmente sem a Eucaristia.

O cristão de hoje, chamado a compreender melhor a sua esperança, têm muito a viver e testemunhar, sendo verdadeira luz nas trevas, sendo verdadeira esperança na descrença, sendo um verdadeiro Cristo na confusão de um mundo sem a natural inclinação para Ele.

Que o Ressuscitado seja nossa luz, que seja o Ressuscitado nossa esperança!

 

Pe. VALDERI DA SILVA

Páscoa de Nosso Senhor, 20 de abril de 2014.


[1] Agostinho, Sermão 261, 1

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