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segunda-feira, 14 de abril de 2014

Páscoa: os enganos [parte 1]

Todo o ano reaparece as mesmas questões, que aparentemente se tornam mais interessantes para alguns do que a própria celebração da Páscoa de Cristo. Uma destas questões é sobre a real data da morte e ressureição de Jesus Cristo.

Realmente é interessante pesquisar estes detalhes nem sempre aludidos nos discursos e pregações a cerca da Páscoa de Nosso Senhor, mas antes de tudo precisamos reconhecer que o fato realizado por Cristo é em si mesmo maior que o tempo, não se prende na “data”, não têm sua validade pela fidelidade ou não da comemoração anual.

Reproduzo aqui um artigo* sobre isto de S. Emncia. Revma. Dom TARASIOS, Arcebispo de Buenos Aires, Primaz e Exarca da América da América do Sul:

Dom Tarasios Arc Metrop Buenos Aires Primaz Exarca da AmSul Foi o primeiro Concílio Ecumênico de Niceia, no ano 325, que se ocupou da unificação da celebração da Páscoa cristã, quer no seu conteúdo central, como também sobre a data da sua celebração. Foi ainda a partir do Primeiro Concílio Ecumênico que se estabeleceu a idéia de que, para ser o ortodoxo era necessário preservar e defender a fé e a Doutrina do Concílio Ecumênico, que é definitivamente reservado ao chamado «magistério», a voz de Espírito Santo.

O antecedente imediato da Páscoa cristã é a Páscoa judaica. A palavra «Páscoa» é de origem hebraica e significa libertação. Na Páscoa judaica se recorda a libertação do povo de Israel do jugo do Egipto, sob a liderança de Moisés, e sua celebração está prescrita no Antigo Testamento. O dia central da celebração coincide com os 14 dias do mês lunar de Nisan, que pode cair em qualquer dia da semana. É um pouco difícil determinar a que dia do calendário gregoriano corresponde, porque o calendário lunar é regido pelas fases da lua, enquanto o gregoriano, como o calendário juliano, é regido pelo movimento da Terra em relação ao sol.

Os cristãos da igreja primitiva celebravam a Páscoa em diferentes datas, guiados por diferentes tradições apostólicas. As diferenças correspondiam aos diferentes significados atribuídos à celebração cristã da Páscoa. Alguns consideravam que o conteúdo central da festa era o Mistério da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, enquanto outros entendiam que deveria ser a Ressurreição. Alguns entendiam que a Páscoa cristã devia coincidir com a Páscoa Judaica, outros que devia ser sempre depois. Houve, então, algumas variantes. O fator decisivo para o esclarecimento da questão foi o costume adotado muito cedo de celebrar a eucaristia (missa) semanal aos domingos. O dia da repouso semanal prescrito pelo Antigo Testamento, (Sábado) foi substituído pelo Dia da Ressurreição do Senhor, que foi «aquele dia, o primeiro da semana» (Domingo = dia do Senhor). Sabemos de alguns detalhes destas disputas através dos relatos da viagem de São Polycarpo, Bispo de Éfeso, à Roma. A questão, porém, não pode se resolver, apenas foi contornada.

A Igreja podia ser uma e única, apesar das diferenças. Assim, para os ortodoxos, o epicentro da Páscoa Cristã é a Ressurreição de Cristo, que significa a nossa libertação da escravidão do pecado, consumada pela vitória de Cristo sobre a morte.

A data de Páscoa foi definida como o primeiro domingo após a primeira lua cheia da primavera (no hemisfério Norte). Esta data é muito próxima a 14º dia de Nissan. No caso de a data assim determinada concidir ou se antecipar à celebração da Páscoa judaica (14 de Nissan), a Páscoa cristã deve ser adiada em um semana para que seja conservada a analogia com a sucessão dos fatos históricos. Nosso Senhor não ressuscitou no dia da Páscoa judaica, mas no dia seguinte. Sabemos, pelo relato do Evangelho que, no dia anterior ao da Páscoa judaica, o Sinédrio pediu a Pôncio Pilatos ordenar que os corpos dos condenados fossem descidos da cruz, depois de matá-los quebrando-lhes os ossos das extremidades, «para que não ficassem seus corpos expostos na cruz, pois aquele Sábado era um grande dia». Isso se cumpriu no dia da Preparação da Páscoa e, até hoje, o povo grego chama da mesma forma a sexta-feira (Paraskevi = Preparação). Além disso, o texto do Evangelho define o dia da Ressurreição como «aquele dia, o primeiro da semana».

Esta unificação da Páscoa cristã, tanto em termos de seu significado, quanto à data de sua celebração, foi conservada até reforma do calendário decretada pelo Papa de Roma, Gregório V, numa época em que o cristianismo já se achava dividido. Lamentavelmente, não apenas se estabeleceu um novo calendário no Ocidente, o gregoriano, mas, além disso, foi eliminada a cláusula de adiamento em uma semana a contar da data de celebração da Páscoa cristã, no caso de antecipar ou coincidir com a celebração da Páscoa judaica. Assim, o cristianismo no Ocidente, por vezes, celebra a Páscoa antes ou juntamente com os judeus.

Temos, porém, ainda, outro motivo a lamentar: desde 1924 algumas Igrejas Ortodoxas passaram a adotar o calendário gregoriano e outras não. E isto rompeu a unidade na data da celebração das festas fixas (Natal, Epifania, Anunciação, Dormição etc) em todas as igrejas Ortodoxas, não porque tenham mudado as datas, mas porque o calendário mudou. A importância que se atribui à celebração da Páscoa é de tal ordem que as Igrejas Ortodoxas que adotaram o novo calendário para calcular o tempo da Páscoa, se guiam pelo calendário juliano corrigido.

Para se estabelecer então a data de celebração da Páscoa, parte-se da hipótese canônica que o primeiro dia da primavera (no hemisfério norte) caia em 21 de março no calendário juliano corrigido (3 de Abril do calendário gregoriano). Denominamos «calendário juliano corrigido» o calendário juliano ao qual se acrescentou mais um dia bissexto para cada centúria. Assim, o calendário juliano mantém sempre uma diferença fixa de treze dias com relação ao calendário gregoriano. Se não houvessem introduzido esta correção, a diferença entre os dois calendários aumentaria século após século.

Basta, portanto, procurar num calendário moderno que mostre as fases da lua, o primeiro domingo depois da primeira lua cheia posterior ao dia 3 de abril, tendo em conta a data da celebração da Páscoa judaica (este dado não aparece nos calendários comuns), para que se possa encontrar a data correta de celebração da Páscoa Ortodoxa.

Para que seja novamente possível coincidir a data de celebração da Páscoa dos cristãos, seria necessário que todos os cristãos ortodoxos aceitassem sem reservas o calendário gregoriano, e que a Igreja de Roma restabelecesse a segunda cláusula do Primeiro Concílio Ecumênico que trata da Páscoa judaica, ou que todas as igrejas cristãs encontrassem juntas uma decisão ou fórmula aceitável para todo o Cristianismo.

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*http://www.ecclesia.com.br/arquidiocese/homilias_mensagens/sobre_o_calculo_da_data_da_pascoa.html

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