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sexta-feira, 11 de abril de 2014

Orgulhosamente “segundo”

Recentemente acabei de ler um livro de espiritualidade falando sobre o valor das figuras secundárias, ou seja, o valor daquelas figuras que estam, aparentemente, num segundo plano, que não são protagonistas natos. Logo de cara, isto é, no título, simpatizei pelo livrinho (chamo-o assim por se tratar de um volume de 108 páginas apenas!), talvez por já conformar-me, alcançando três décadas de existência, que não sou chamado ao protagonismo nas atividades que me envolvo.

Talvez possoa parecer conformismo barato, aquela visão negativa que beira a “coitadismo”. Mas não vejo sob este prisma e foi justamente esta obra – que já coloquei como uma das principais que já li no campo espiritual – que me ajudou a alicerçar minha compreensão.

De fato, as figuras secundárias ou os “segundos” como trata o livro, não são os indispensáveis, pelo contrário são aqueles que facilmente se substitui por outro semelhante, que corresponda satisfatóriamente aos encargos colocados sob seu cuidado. Me coloco na lista dos “segundos” sem o menor medo de alimentar o desprezo por mim, visto que em tempos como os nossos, os “segundos” serão sempre tidos como pessoas de “segunda, terceira ou quarta classe”, sem “pedigre”, pessoas que não se destacaram nunca em nada, talvez até sendo um estorvo para o desenvolvimento daqueles que realmente têm algo a oferecer. Repito que esta impressão que o mundo pode ter não me assusta, e com certo orgulho me alisto no grupo dos “segundos”.

Na obra que citei, o autor sabiamente tece suas reflexões sobre figuras bíblicas neotestamentárias, que justamente aparecem como secundárias. Não preciso mencioná-las aqui, mas uma delas não pode faltar e que talvez o autor deste livro pouco citou: São José.

Pedindo licença ao autor deste livrinho, minha devoção me leva a considerar mais a pessoa de José, que no plano de Deus não era indispensável, mas que era conveniente sua presença junto de Maria Santíssima, esta sim indispensável. Este virtuoso varão é o exemplo de “segundo” valoroso, não porque protagonizou algo, mas porque soube acompanhar quem o fez. Porque antes de tudo, foi dócil a Deus, o magno protagonista na história da humanidade.

Não desmereço outras tantas figuras, mas este José merece delicada atenção. Foi ele que certamente foi o primeiro a ter “crise de consciência” ao saber-se diante do desejo de Deus por escolher outro por “favorito”. José nos apresenta que a virtude principal do “segundo” é o silêncio obediênte, além da escuta pronta da Palavra de Deus.

Cada pessoa precisa conhecer-se e conhecer a sua vocação, para enfim saber agir coerentemente e de modo mais eficaz, fazendo assim, com que a graça divina frutifique neste mundo.

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