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segunda-feira, 17 de março de 2014

Ucrânia: Entrevista concedida pelo Padre Mekola Kvetch

EM CONVERSA PARA O DEPARTAMENTO DE INFORMAÇÕES DA IGREJA GRECO-CATÓLICA UCRANIANA, PE. MEKOLA RELATA SOBRE SUA SAÍDA DA CRIMÉIA.*

No dia 15 de março, na sexta feira, depois do Parastas (ofício pelos mortos) com os paroquianos, veio até mim o serviço de segurança. Comigo primeiramente conversou um homem, que depois chamou mais dois, e ainda a polícia.

E pediram para ir com eles educadamente?Isto não se pode chamar “delicadeza”. Eu fui forçado a ir com eles, e dar minha assinatura que darei permissão para revistar minha habitação. Disse que não vou dar nenhuma permissão, e assim eles disseram: “Então, vamos conosco até o carro, nós vamos convencê-lo.”

E o senhor tinha armas?Eles procuraram armas, mas não encontraram, por que eu não tenho. Comigo apenas havia coletes de proteção. Encontrando estes coletes, começaram a argumentar que de acordo com a lei, cassetetes, coletes, algemas, pessoas civis só podem utilizar se tiverem licença dos órgãos competentes, (imagine eu como sacerdote, correndo com um cassetete!). E os coletes são utilizados somente para a defesa da vida humana. Estes coletes eu tinha que entregar aos meninos da tropa ucraniana, que estavam patrulhando sua parte. Minha intenção era boa. Dois coletes eu consegui entregar para dois jornalistas, não fiz isso às unidades militares por que não foi possível. Com grande dificuldade consegui dar comida para os nossos meninos. Culparam-me por que, pensaram que eu queria entregar esses coletes para algum grupo para que fizessem sabotagem.

Como eles se comportaram com o senhor?De diversas maneiras. Batiam na minha cabeça (sacerdote se envergonhou de dizer certas palavras), eu não uso essas palavras, por isso repetir não posso. Conversaram comigo nem como com um sacerdote, e nem como uma pessoa normal.
Me seguraram das 13:00 até as 21:00 horas. Durante este período fui questionado por representantes do serviço de segurança, policiais e espionagem russa.
Em que língua eles conversavam?
ENTRE ELES TINHAM QUE CONVERSAR SOMENTE EM RUSSO. DIZIAM: “ESSA LÍNGUA UCRANIANA NÃO VAI SER OUVIDA AQUI”.

O senhor disse algo a eles?Eles queriam saber, quem me deu os coletes, para quem eu queria entregar e quem entreguei. Claro, que para eles não disse nada. Mas depois descobri de um jornalista que eles conseguiram coletes com alguns representantes da imprensa.
Me tomaram todos os telefones, algumas mensagens eu não consegui deletar, por isso lembro que eles poderiam saber de algo de lá.

Isso lhe causa alguma associação?Eu não fui participante da clandestinidade de nossa igreja, mas sei muito sobre este período da Igreja Greco-Católica Ucraniana, por este motivo, isso me fez lembrar a perseguição direta aos nossos sacerdotes.
Chegou ao nosso conhecimento, que dentro de 15 dias vai haver um julgamento. Por qual lei vai ser julgado e por quê?
Sem duvidas pela lei da Ucrânia, mas me disseram que se a situação mudar, então a será de acordo com a lei russa. As pessoas que me ajudaram abandonar a Criméia me explicaram que, se eu não tivesse feiro isso, então iria ser chamado de extremista pela lei russa. Poderia ser preso por 15 anos.

Está se preparando para comparecer neste assim chamado julgamento?Acho que não (risos). Se eu desrespeitei alguma lei com a intenção de assegurar a vida nem que seja de uma pessoa, então eu ficaria feliz. Se eu realmente desrespeitei alguma norma da lei, então estou pronto a responder por isso, mas somente diante do tribunal e legislação ucraniana, e não russo ou algum outro.

Mas o senhor é realmente algum patrocinador, responsável pelas forças ucranianas?Claro que não! E eu sou algum oligarca?! Eu simplesmente organizei a doação de alimentos para nossos soldados durante o período do cerco. Além de comida, nós damos velas, fósforos, objetos de higiene... e a isso chamaram de patrocínio (benfeitoria).

O senhor saiu da Criméia sem nenhuma limitação?Totalmente não. Fui forçado a desligar o telefone no momento em que deixei o território da Criméia. Consegui sair só por que estava acompanhado de um oficial da frota do Mar Negro. Ele é ucraniano, e um bom amigo. Quando nós saímos da casa, atrás de nós foram alguns homens. Simplesmente começamos a se agitar dentro do carro, pensamos que iriam nos segurar...

E os outros nossos sacerdotes ainda permanecem na Península?Por enquanto sim. Agora eles são obrigados a se esconderem. Acho que eles irão abandonar a Criméia deste mesmo modo, porque existem informações, que para eles também interessam. (russos)

O senhor esteve em Sevastopol – a maior cidade em favor da Rússia na Criméia. Como poderia descrever a situação atual neste local?Sevastopol – em euforia. Muitas pessoas andando com bandeiras russas e gritando: “Rússia, Rússia!”. Em minha última noite na Criméia, pernoitei na casa de um sacerdote romano católico, de manhã acordei com alguém gritando “Rússia!”. Em Sevastopol, realmente há muitos que querem se unir com a Rússia. Mas por causa disso não podemos dizer nada sobre o resto da Criméia.

Mas eles também, totalmente não estão contra em receber da Ucrânia salário, pensão, água, gás, energia elétrica, subsídios...Com relação a isto eles não estão nem pensando. Minha esposa tentou explicar para alguns, mas eles dizem:
“E o que temos com isso, por acaso a Ucrânia liga a água para nós?”
Estão pensando que a Rússia vai arrumar para eles a cama e dar um cobertor quentinho onde poderão na maciez deitar, dormir e nada mais cabe fazer. Posso dizer que este território é de um povo que aprendeu somente a receber, mas eles mesmos não são obrigados a fazer nada. Então estes que chamam pela Rússia, - simplesmente são um povo preguiçoso. Muitos deles são antigos soldados ou mulheres de soldados, que em seu tempo receberam uma moradia e grande pensão. Suas casas no verão alugam para turistas. Quando foi exposto a ideia da união com a Rússia e uma pensão mais alta, eles decidiram que não, eis o por quê!

Por um período de 10 anos o senhor serviu na Criméia. E agora é forçado a deixar a península...O que mais me dói neste momento, é que nunca nós verdadeiramente lutamos para que a Criméia se desenvolva como ucraniana. Por exemplo, nas grandes cidades apenas uma escola ucraniana. Em Sevastopol não há nenhuma escola ucraniana.
O governo ucraniano nada fez, para que a Criméia fosse ucraniana. Quando aqui estava no governo Kunitsen e para o desenvolvimento do patriotismo foi identificado 9 milhões de “hreunhas”, então em Sevastopol o dinheiro simplesmente foi roubado. Nós (sacerdotes) fizemos o que podíamos, mas éramos em pouquíssimos, e nossas possibilidades eram limitadas.

Pelo que posso entender o senhor por enquanto não irá voltar para Sevastopol?Por enquanto não, mas se for necessário, eu volto, pois lá existem pessoas extraordinárias. Nenhum presente no mundo é capaz de agradecer a essas pessoas por sua inteligência e posição. E não falo somente de nossos ucranianos greco-católicos, mas também de russos que vinham até nós, e aremos. Digo, que por esse povo é importante lutar na Criméia.
Entrevista feita por Oksana Klemontchuk.
Departamento de informações da Igreja Greco Católica Ucraniana.
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*Tradução para o português: Elton Estefano Wonsik (texto extraído do seu perfil no Facebook).

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