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sábado, 22 de março de 2014

III Domingo da Quaresma

Ex 17,3-7 Rm 5,1-2.5-8 Jo 4,5-15.19b-26.39ª.40-42
Pe. Valderi da Silva
“Quem beber da água que eu lhe darei, esse nunca mais terá sede”.[1]
Christ and the Woman of Samaria by Paolo Veronese c. 1550
Estimados irmãos e irmãs.
Como o povo libertado por Deus, da escravidão no Egito, estamos caminhando nestes dias de “deserto”, dias de muita introspecção, alimentados pela Palavra de Deus, oração e obras de piedade. Nosso “deserto”, isto é, este período da quaresma, precisa ser marcado pela penetração de cada Palavra de Deus que especialmente na Liturgia da Igreja ouvimos, a fim de que nossa mudança de vida seja fundamentada na Palavra Divina descartando o risco de nos “convertermos” segundo nossas medidas!
Especialmente nesta liturgia dominical ouvimos este Evangelho nos trazendo esta cena, Jesus dialogando com uma mulher a beira de um poço. Podemos fazer um esforço imaginário, e tentar visualizar nosso Senhor, cansado da viagem[2], desejando um pouco de água e descanso para aliviar o peso da caminhada. E é num lugar tão significativo ao povo daquela região – o poço de Jacó! – que Jesus encontra esta mulher da Samaria, e através deste encontro nos deixa a mais bela explicação da Graça divina e seu benefício em nossa vida.
Logo que a mulher chega ao poço Jesus lança o pedido: “dá-me de beber?”.[3] São Beda, o Venerável, nos fala algo interessante sobre esta passagem:
[...] na realidade, o Senhor tinha sede, não tanto de beber água, como da saúde espiritual daquela mulher; e que tal sede era de fato assim, as seguintes palavras o declaram: “o meu alimento é fazer a vontade de meu Pai”.[4]
Ora, se o alimento que sustenta Nosso Senhor é fazer a vontade do Pai, certamente a água que sacia a sede também o é. Neste sentido entendemos o desenrolar da conversa de Jesus com a samaritana, onde Ele deixa límpido como o cristal que o ser humano sente uma “sede”, ou seja, um anseio que independe dele querer ou não, e este anseio (ou sede) é somente saciado por Deus. Somos interiormente muito profundos, e tal profundidade somente é preenchida por algo maior que nosso próprio espírito. Agora nos perguntamos: Olhando para nossa realidade externa, encontramos algo que possa realmente nos preencher? Encontramos algo tão imenso assim, capaz de saciar a “sede” do ser humano? Não é o poder, não são as riquezas, muito menos os bens materias... Nem mesmo nossa própria família – por si só! – que preencherá nosso interior que arde pelo infinito. É Deus a fonte da água, que sacia a sede do ser humano! Completando isto, lembremos-nos de Santo Agostinho de Hipona, o grande doutor da Igreja: “o coração humano está inquieto enquanto não encontra respouso em Ti”.[5]
Raniero Cantalamessa, famoso pregador franciscano, faz um comentário pertinente a cerca disto:
Há duas maneiras para acabar com essa sede. A primeira é beber a água das criaturas, procurar a alegria das coisas – bens, fama, prestígio – ou procurá-la em outra criatura. [... Mas] Ele, porém, nos alerta. Esta água extingue a sede de modo provisório, às vezes de modo enganador e ilusório; por vezes esta água é tão turva e poluída que envenena a alma. Ai de quem põe toda sua confiança nessas coisas.[6]
Jesus Cristo, porém, nos oferece outra água, uma que está livre da corrupção e da fragilidade, uma água que é eterna e por isso nos sacia eternamente: “Quem beber da água que eu lhe darei, esse nunca mais terá sede”.[7] Quando disse que Jesus nos dá a mais bela e compreensível explicação sobre a Graça divina em nós, falava especialmente disso. Esta graça divina que nos favorece o caminho para a casa do Pai, é ela que nos alimenta, é ela que nos alivia a sede, o cansaço; é a força divina que potencializa diante deste mundo confuso pelo pecado, que tanto nos impede de viver somente para Deus.
Esta água que brota de Jesus é a própria Verdade, que encarnada Nele é nossa fonte de alimento e saciedade. Buscar a Cristo é alimentar-se da Verdade, única e salvadora.
A mulher samaritana ao longo da conversa com Jesus reconhecesse saber que o Messias há de vir, e coloca para Jesus a questão a cerca donde adorar o Senhor. Nisto Jesus lhe revela o que hoje nós sabemos, que a adoração a Deus não se limita as paredes do templo, como se defendêssemos que Deus habita exclusivamente uma casa de material. Deus faz de nós o templo onde habita, em nós - neste espírito sedento por Ele - é que O encontramos de maneira muito singular. Somos templos vivos de Deus! Por isso Jesus declara: “está chegando a hora em que nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai. [...] os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade”.[8]
Logo no início da conversa com a samaritana, Jesus declara:
Se tu conhecesses o dom de Deus e quem é que te pedes: ‘Dá-me de beber’, tu mesma lhe pedirias a ele, e ele te daria água viva.[9]
Nestas palavras de Cristo, encontramos o que já foi mencionado: o reconhecimento de que nossa maior sede e angustia é interior, e que somente Deus a pode saciar. Mas talvez a verdade mais consoladora e feliz para todos nós é a que o próprio Deus deseja dar-nos a àgua da vida eterna!
Permita-nos Deus, que em todos os dias de nossa vida importemo-nos em buscá-Lo, para sua Graça possa saciar nossa sede de eterno, colocando-nos como homens e mulheres que sabem perceber Deus em nossas vidas e ali adorá-Lo em nós e nos irmãos e irmãs.
L.S.N.S.J.

[1] Cf. Jo 4,13-14
[2] Cf. Jo 4,6
[3] Jo 4,7
[4] São Beda o Venerável, Discurso sobre a samaritana no poço de Jacó. In: Lecionário Patrístico Dominical. Ed. Vozes, 2013, pg.62.
[5] Santo Agostinho de Hipona. Confissões.
[6] CANTALAMESSA, Raniero. O Verbo se faz carne. Ed. Ave Maria, 2012, pg. 59.
[7] Cf. Jo 4,13-14
[8] Jo 4,21
[9] Jo 4,10

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