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sábado, 16 de novembro de 2013

XXXIII Domingo do Tempo Comum

Ml 3,19-20a 2Ts 3,7-12 Lc 21,5-19

Pe. Valderi da Silva

Estimados irmãos e irmãs.

A Liturgia de hoje, nos leva a refletir sobre o chamado discurso escatológico de Cristo, hoje tirado do evangelho de São Lucas. Escatológico porque nele, Nosso Senhor, fala-nos das realidades últimas do homem, e principalmente do fim dos tempos e do juízo final.

Neste evangelho Jesus segue este discurso, falando a seus discípulos sobre uma característica permanente na comunidade dos seguidores de Cristo, os filhos de Deus. Conta-se que certa vez, São Pio X estava visitando alguns alunos de um dos colégios eclesiásticos em Roma, onde solta-lhes uma pergunta: “Quais são as notas características da Igreja?”. Logo os alunos responderam: “Una, Santa, Católica e Apostólica”. “Mas falta uma?”. Os alunos responderam: “Romana. Una, Santa, Católica, Apostólica, Romana”. “Mas ainda está faltando uma?”. Os alunos ficaram em silêncio e o Santo Padre mesmo respondeu: “Perseguida!”.

Realmente, esta é a característica que sempre acompanhará a Santa Igreja de Cristo, ser perseguida. Nós não podemos pensar que um dia este mundo e aqueles que são do mundo deixaram de a perseguirem, pois enquanto não houver a restauração definitiva, que acontecerá apenas no fim dos tempos, o mal perseguirá aquela que traz a Luz da Verdade. Nós, meus irmãos, devemos sempre lembrar que Nosso Senhor mesmo nos disse que o discípulo não é maior que seu mestre e que portanto, se perseguiram o mestre, irão perseguir sempre o discípulo. Nisto já podemos vislumbrar que, ao estarmos neste mundo e percebermos que o mundo não nos incomoda, é porque estamos longe da fidelidade a Cristo, longe da Luz, pois o mal não incomoda aqueles que são seus servos.

O padre franciscano, Raniero Cantalamessa, nos lembra algo importante sobre esta realidade dramática da perseguição a Cristo e Sua Igreja: não foi Jesus que trouxe os males, a perseguição, pois, guerras, lutas, perseguições, maldades, existem desde que a maldade entrou pelo pecado no mundo, já fazem parte da vida humana. O que Jesus trouxe foi “a possibilidade de vencê-las mediante a fé em seu nome” (O Verbo se faz Carne. Raniero Cantalamessa, pg. 785), conforme deixa-nos entender o próprio Cristo: “é permanecendo firmes que ireis ganhar a vida” (Lc 21,19).

A perseguição a nós, por sermos fieis a Cristo e a Verdade, nunca poderá ser motivo de tristeza e muito menos de medo. Na história bimilenar da Era Cristã, vemos testemunhos contundentes de que não podemos nos afrouxar diante das investidas do erro e da maldade, pois o mundo – influenciado pelo príncipe deste mundo – quer somente fazer-nos acovardar, fazer-nos recuar, tirando-nos os bens, tirando-nos aquilo que possivelmente gostaríamos de ter, e fazendo com que pensemos que a culpa é por sermos “cristãos de mais”. Onde o mundo se expressa nós já o sabemos, especialmente na vaidade, na riqueza opulenta, em tudo aquilo que em nosso mundo nos faz esquecer da radicalidade do Evangelho. Em outros tempos, esta perseguição foi mais clara, como nos três primeiros séculos de nossa Era, quando o Imperador Romano perseguia e matava de modo cruel os cristãos. Hoje a perseguição existe, mas de forma mais camuflada, e podemos que de maneira mais estratégica, pois se investe em conquistar a mente e o coração dos cristãos, pervertendo-os e ludibriando-os, tornando-os assim, pressas fáceis a atitudes de infidelidade a Cristo e seu Evangelho.

Percebendo isto, a Liturgia nos coloca um segundo ponto de importância enquanto somos peregrinos neste mundo: não nos colocarmos como preguiçosos, vivendo na ociosidade somente a espera da vinda do Senhor. São Paulo na II carta a comunidade de Tessalônica adverte-os de que esta é uma atitude equivocada, totalmente dissonante do Evangelho de Cristo. Paulo diz: “quem não trabalha não deve comer”, ora muitos podem pensar que este pensamento não esteja presente nos dias atuais, mas vos digo que sim, e muito! Pois, a ociosidade aqui também se refere a não trabalhar para vencer o pecado, para buscar a santidade, significa a preguiça espiritual também, daqueles que pretendem ser salvos mas não querem fazer mais do que a obrigação da Santa Missa dominical. Significa a preguiça em não querer ser membro da família de Cristo em sua Igreja, colocando-se a serviço da Esposa de Cristo, ou seja, a própria Igreja.

Por isso meus irmãos, ouvindo São Paulo, busquemos o nosso trabalho, não caiamos na ociosidade, sejamos dignos de nosso próprio sustento, mas também dignos da graça divina, pelo esforço em levar uma vida santa e pura.

Por fim, voltando ao Evangelho, percebemos que Nosso Senhor observa que os discípulos estavam muito admirados com a beleza do Templo de Jerusalém. Realmente toda construção que se destina ao culto a Deus deve ser o mais belo possível, fazendo com que o prédio, como todos os afrescos, pinturas, enfeites nos levem a Deus e Sua glória.

Jesus observa que os discípulos estavam admirando aquela beleza simplesmente por serem assim, ou seja, estavam desvirtuando a finalidade pela qual foram feitas. É como observarmos um belo crucifixo, esculpido na mais nobre madeira, com o mais delicado arremate, e não vermos nele a gloriosa Salvação que Cristo nos conseguiu por seu tremendo sacrifício. Ou entrarmos na Basílica São Pedro, no Vaticano, e não pensarmos na glória de Deus, mas apenas na arte em si, no pintor e na técnica, etc. Isto é desvirtuar a finalidade do simbolo, ou seja, ficamos detidos no símbolo e não passamos ao simbolizado.

Por esta razão, Nosso Senhor, adverte os discípulos, para que não se prendam as aparências, pois elas existem para nos levar a Deus. Do mesmo modo, Jesus se utiliza deste ensinamento para falar-nos dos eventos trágicos na história. As guerras e turbulências, existiram, mais significam logo o fim. Tudo isso se verá, como já se viu nestes vinte séculos. Mas o que deve triunfar sempre através de nós, é a Verdade imutável do Evangelho, pois a Santa Igreja têm a promessa de Nosso Senhor de nunca irá sucumbir.

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