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quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Sobre o Mistério da Anunciação do Senhor à Virgem Maria

Tríduo na Capela Nossa Senhora de Fátima

Taquara / RS

Pe. Valderi da Silva

O calendário litúrgico da Igreja comemora a festa da Anunciação à Virgem Maria no dia 25 de março, exatamente nove meses antes do Natal de Nosso Senhor. É a celebração de um misterioso evento na história da humanidade, que mudaria – e realmente mudou – toda a vida humana. Pois, esta celebração, isto é, a “Anunciação do Senhor à Virgem Maria”, destaca claramente o Deus todo-poderoso que fez-se homem, que assumiu misteriosamente a natureza da criatura por Ele criada, tornando-se assim, visível em nosso mundo.

Santo Ivo de Chartres, que viveu entre os séculos XI e XII, nos deixa estas belas palavras falando do dia da Anunciação:

Hoje celebramos a admirável concepção de Jesus pela Virgem. Celebramos o início de nossa redenção e anunciamos o plano de Deus, formado com bondade e poder. Pois se o Senhor do universo tivesse vindo à procura de Seus servos em fuga para os julgar e não para lhes mostrar a Sua bondade, jamais Se teria revestido com este frágil invólucro de pó (Gn 2:7) no qual sofreu conosco e por nós.

(Comentário ao Evangelho do dia feito por Santo Ivo de Chartres (c. 1040-1116), bispo Discurso 15, PL 162, 583)

Nestas palavras, este santo nos deixa uma importante consideração: foi por pura bondade que Deus desejou e fez, encarnou-se, vindo até nós em forma humana, não para nos julgar severamente, mas para nos mostrar o caminho, caminho que nos levaria a merecer a salvação eterna. Nisto se justifica também ter aparecido a nós nesta natureza humana, frágil. Apesar de não ser igual a nós na tendência a pecar, Nosso Senhor, tendo realmente nascido com corpo humano da Virgem Maria, eleva assim, esta mesma natureza, dando-lhe uma dignidade que por si só não teria.

Disto, nos vêm outra consideração: com o anúncio do anjo Gabriel e a aceitação de Maria da vontade divina expressa de encarnar nas suas entranhas, Deus assume a natureza humana – «assumiu em tudo a nossa condição humana, exceto no pecado» – para nos elevar à condição de filhos de Deus e fazer-nos assim participantes da Sua natureza divina. A partir da encarnação do Verbo de Deus, nossa natureza é capaz de participar da natureza divina, temos os meios para viver a vida com Deus… viver em Deus. Devemos perceber a grande diferença a partir da novidade trazida pelo Arcanjo a Maria: não estamos mais condenados a viver longes de Deus, mas podemos se aproximar tanto Dele que podemos até viver em Sua vida, sendo Seus filhos! Adoção que se faz presente pelo Sacramento do Batismo.

O mistério da fé é tão grande que Maria, perante este anúncio, fica como que assustada. Gabriel diz-lhe: «Não tenhas medo, Maria!» (Lc 1,30): o Todo-Poderoso olhou-te com predileção, escolheu-te para Mãe do Salvador do mundo. As iniciativas divinas destroem os débeis argumentos humanos. Foi algo inesperado, e sempre será! Sempre será um mistério para nós, pois como compreender este milagre, mesmo sabendo que Deus prometerá a vinda do Messias no AT?

«Não tenhas medo!», palavras que lemos freqüentemente no Evangelho; o próprio Senhor as terá de repetir aos Apóstolos quando estes sintam de perto a força sobrenatural e também o medo ou susto perante as obras prodigiosas de Deus. Podemos perguntar-nos qual a razão deste medo. Será um medo mau, um temor irracional? Não!; é um temor lógico naqueles que se vêem pequenos e pobres face a Deus, que sentem distintamente a sua fraqueza, a debilidade perante a grandeza divina e experimentam a sua penúria frente à riqueza do Onipotente. O Papa São Leão Magno pergunta: «Quem não verá em Cristo a sua própria debilidade?». Maria, a humilde jovem da aldeia, acha-se tão pouca coisa…, mas em Cristo sente-se forte e o medo desaparece! Já ouvimos muitas vezes dizer que em Maria vemos refletida a nossa esperada reação diante de Deus, tanto a surpresa, como a confiança! Pois bem, podemos nos refletir em Maria também pelo reconhecimento da pequenez, da humildade diante do Todo-poderoso. Quem se aproxima de Deus, vê-se pequeno, um grão de areia. Isto nos ajuda em duas coisas: no crescimento da humildade, ou seja, nos ajuda a não sermos soberbos e orgulhosos, mas também nos ajuda a confiarmos totalmente em Deus, visto que Ele é o grandioso que pode qualquer coisa.

Deste modo compreendemos bem que Cristo «tenha escolhido o que para o mundo é fraqueza, para envergonhar o que é forte» (1Cor 1,26). O Senhor olha-a, vendo a pequenez da sua escrava e realizando nela a maior maravilha da história: a Encarnação do Verbo Eterno como Cabeça de uma Humanidade renovada. Aqui, bem se aplicam a Maria aquelas palavras que o escritor francês, Georges Bernanos, disse à protagonista da sua peça La alegria: «Reconfortava-a e consolava-a maravilhosamente um sentido raro da sua própria fraqueza, porque era como se fosse o sinal inefável da presença de Deus nela; o próprio Deus resplandecia no seu coração».

Hoje, o ventre da Virgem é a porta do céu, pela qual Deus desce até os homens para os fazer ascender ao céu. (Comentário ao Evangelho do dia feito por Santo Ivo de Chartres (c. 1040-1116), bispo Discurso 15, PL 162, 583)

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[1] Homilia com base em “Anunciação do Senhor a Maria”, in http://www.valderi.com.br/2012/03/anunciacao-do-senhora-maria.html

Um comentário:

Maria da Fé disse...

Viva Nossa Senhora Aparecida!!!
Venha nos visitar:
http://botefeamor.blogspot.com.br/
Abraços Fraternos.