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sábado, 13 de julho de 2013

XV Domingo do Tempo Comum

Dt 30,10-14 Cl 1,15-20 Lc 10,25-37

Pe. Valderi da Silva

Estimados irmãos e irmãs.

O Evangelho deste domingo nos faz relembrar o preceito básico e fundamental, no qual esta a própria sobrevivência de nossa fé e a esperança da vida eterna: “amarás o Senhor, teu Deus, de todo coração e com toda a tua alma, com toda a tua força e com toda a tua inteligência; e ao teu próximo como a ti mesmo” (Lc 10,27).

Já a primeira leitura tirada do livro do Deuteronômio nos havia situado neste imprescindível preceito da lei de Deus, que aqui podemos também chamar de “preceito do amor de Deus”. Diz a leitura: “Converte-te para o Senhor teu Deus com todo o teu coração e com toda a tua alma” (Dt 30,10b). Desde este versículo até o Evangelho percebemos a necessidade da primazia de Deus em nossa vida, algo bem claro na Sagrada Escritura e que Jesus não deixa de ressaltar ainda mais. É necessário, conforme a Escritura, fazer esta “opção fundamental” por Deus, que Ele seja de fato – e não somente de intenção! - aquele que esta acima de mim, mas não distante, junto de mim, sendo que é Ele o criador e sustentador de minha vida, Aquele a quem devo tudo, que merece tudo de mim.O bom samaritano

Quando percebemos esta primazia que Deus precisa ter em nossas vidas, logo também percebemos que o trabalho vêm junto, ou seja, ter a Deus acima de tudo, amá-Lo acima de tudo, exige dedicação integral a Ele, e do ser integral. Para ser mais claro: o tempo todo precisa ser vivido na presença de Deus e assim, tudo em nossa vida precisa ser dedicado a Ele, assim garantimos Sua primazia em nossa vida.

O livro do Deuteronômio deixa bem claro que não há desculpa bem fundamentada para não se cumprir este preceito. Deus é aquele que esta presente no tempo e no espaço, não é impossível de ser alcançado, nem fica alheio a nossa vida. O que facilmente acontece é que o ser humano deseja ficar alheio a Deus, pensando cumprir seus mandamentos relegando a Deus alguns minutos do domingo ou do sábado. O ser humano acaba desejando muitas vezes que Deus esteja no outro lado do mar (cf. Dt 30,13), inacessível, pois não quer que sua vida seja guiada por Deus e Sua Vontade. Infelizmente o gosto pelo pecado – pelo que é prazeroso, fácil mas errado – vence o desejo de amar a Deus.

Como era dito no início, este preceito é base e de certa forma pressuposto para a vida nova que Deus nos oferece. E isto percebemos no que Jesus conta neste Evangelho. Ouvindo a pergunta do mestre da Lei sobre quem seria o seu “próximo”, Jesus conta uma parábola muito significativa, mostrando que se pode ter entre nós uma ideia muito errada do “próximo” que o preceito nos diz para amar. É interessante como Jesus coloca a imagem daquele que realmente se importou pelo ferido na pessoa de um samaritano, pois este povo era meio discriminado na época de Jesus, eram vistos como povo sem lealdade a leis, sem religião, talvez até sem noção de moral. É aquele que é renegado, talvez visto como louco, ou pessoa de pouco valor, mas é aquele que, nesta parábola, expressa o que o próprio coração de Deus tem para com o ser humano: compaixão (cf. Lc 10,33). Este é o ponto mais importante desta parábola, pois aqui vemos aquilo que o próprio Deus sente pelos homens, compaixão pela sua condição muitas vezes miserável, desfigurado pela chaga do pecado. Diz o Evangelho que “chegou perto dele...” (Lc 10,33), Deus assim o fez também, na plenitude dos tempos aproximou-se mais perto do ser humano, vendo-o caído, desfigurado. O Filho de Deus veio ao mundo como o samaritano que chega perto daquele ferido a fim de vê-lo e poder fazer algo. Deus se aproximou mais que fisicamente, se aproximou com Seu coração e por isso “viu e sentiu compaixão”.

Compaixão (misericordia) é a capacidade de compadecer-se daquele que padece algum ferimento, seja físico ou espiritual. Os seres humanos padeciam de um ferimento que comprometia seriamente sua existência eterna, algo que terrivelmente separava o ser humano da vida divina, por isso, o Verbo de Deus veio ao mundo como o samaritano, passando pelo caminho onde o ferido havia passado, para o encontrar e dar-lhe o remédio para a vida eterna. Somente Deus pode ser este samaritano em sua mais esplêndida caridade, mas o que Jesus nos pede neste Evangelho é que dispensemos o mesmo cuidado, ou a mesma sensibilidade para com nossos irmãos. O “próximo” de que fala Jesus é no fundo todo aquele que esta ao alcance de nossos olhos, todo aquele que é reconhecido como criatura de Deus.

Nosso amor a Deus, a primazia de que fala o primeiro mandamento, se expressa principalmente nesta caridade com todos. Em realidade, sem a consciência de que Deus esta presente de modo constante, seria até impossível viver esta caridade gratuita que o Senhor nos fala. Amamos nossos irmãos, somos caridosos, tudo por amor a Deus em primeiro lugar.

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