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quinta-feira, 11 de julho de 2013

A gloriosa “Missa Papal” até 1965

Desde já há algum tempo, queria trazer aos nossos leitores uma noção da beleza incomparável de uma gloriosa antiga missa Papal, a qual foi celebrada pela última vez em S.Pedro no ano de 1965. Na verdade, o rito dessa missa não se encontrava em um único livro, mas em diversos antigos livros litúrgicos e sacramentários em uso na Corte Papal desde tempos imemoriais. Um espetáculo que o monsenhor Enrico Dante dominava de uma forma ímpar, com a experiência de haver servido a cinco pontífices, durante mais de 50 anos.Procurarei trazer aos nossos leitores um panorama simplificado que como se desenvolvia a Missa Papal, celebrada pelo Soberano Pontífice em São Pedro ordinariamente apenas 4 vezes por ano e nas canonizações. Nas demais solenidades, o Papa limitava-se a assistir à missa celebrada por um Cardeal, no trono.Santa Missa Papal

A missa solene papal esteve suspensa na Basílica de São Pedro de 20 de setembro de 1870 até 1 de Janeiro de 1888, em razão da perda dos Estados Papais. A Sé apostólica estava de luto e as trombetas de prata ficaram em silêncio, na Basílica do Vaticano: o Soberano Pontífice deixou de ser oferecer o Santo Sacrifício no túmulo do Apóstolo, e o trono do Apostolicus Domnus permaneceu vazio. O jubileu de ouro do sacerdócio de Leão XIII (1878-1903) em 1 de Janeiro de 1888, seria uma oportunidade para a retomada da missa solene Papal. Não foi celebrada, no entanto, até 11 de fevereiro de 1929, com a resolução da “Questão Romana” e o reconhecimento do Estado do Vaticano pela Itália. Era agora possível ao Santo Padre sair dos limites do Vaticano, o que ele fez pela primeira vez no Corpus Christi de 1929, assistindo a uma procissão do Santíssimo Sacramento, na Praça de São Pedro. Então, em 20 de Dezembro, Pope Pius XI celebrou o seu jubileu sacerdotal, oferecendo o Santo Sacrifício em sua igreja catedral de São João de Latrão. A missa no entanto, foi relativamente simples, sem grande parte dos esplendores do cerimonial que acompanham a solene missa papal Esta missa solene é celebrada normalmente em ocasiões importantes como a definição de um dogma ou a canonização de um santo.

As vestimentas adequadas ao Soberano Pontífice podem ser descritas em diversos outros lugares, mas, apenas a título ilustrativo, relacionamos os paramentos que o papa usava sobre a veste branca normal: roquete, falda de seda branca (uma espécie de saia bem leve, a qual era levantada por dois prelados à frente para possibilitar ao papa caminhar), alva abudantemente ornada, mais larga que as habituais, cíngulo, subcíngulo (uma espécie de manípulo, colocado na cintura e adornado com uma imagem do Cordeiro de Deus), estola, dalmática, tunicela, meias pontificais, cáligas pontificais, casula, fano, chirotecas litúrgicas.

Dentre os assistentes da missa incluíam-se o cardeal diácono, subdiácono apostólico, que levava o livro dos evangelhos na procissão de entrada, subdiácono e diácono gregos, dois cardeais bispos assistentes ao trono, dois cardeais diáconos, assistentes, dois protonotarios apostólicos, que levantam a frente da falda como Papa para o papa caminhar, o decano da Sacra Rota, com a mitra preciosa e, finalmente, dois patriarcas e arcebispos que carregam o livro e a palmatória com a vela, respectivamente. O Turiferário, com um turíbulo de ouro a fumegar e sete acólitos com velas, os quais tomavam parte também na procissão de entrada. No orações preparatórias, o cardeal bispo está à direita do papa e o cardeal diácono à esquerda, com os outros ministros atrás

Após a primeira incensação, os cardeais beijam o Papa na face e então todos dirigem-se para o trono, situado no fundo da abside de São Pedro. O diácono sênior, de mitra na cabeça, senta-se em um faldistório diante do altar e de frente para o trono, o subdiácono apostólico, juntamente com os ministros gregos, sentam-se nos degraus do altar, enquanto os bispos assistentes e os dois cardeais diáconos permanecem ao lado do trono. O subdiácono e diácono bizantinos, que respectivamente cantam a epistola e o evangelho em grego, depois de haverem sido cantados em latim, são normalmente monges da Abadia ítalo-grega de Grottaferrata. Os subdiáconos dos dois ritos, na conclusão das epístolas, caminham juntos e beijam os pés do Papa. Sete ceroferários assistem durante ao evangelho latino; dois no evangelho grego. O Papa beija os dois textos. Da época medieval, ficaram as precauções rituais contra o veneno, e o pão e o vinho são provados antes do ofertório: após as palavras ET HOMO FACTUS EST do Credo, o cardeal bispo e o subdiácono apostólico lavam as mãos na credencia e tomam um pano de linho branco, dobrado e atado com um laço dourado, o qual é desdobrado sobre a mesa do altar. O pano servia originalmente como corporal para cobrir as oblatas. O subdiácono usando um véu umeral traz a bolsa com um corporal, dois purificatórios em uma caixa de prata com as hóstias. A bolsa e as hóstias são recebidos pelo diácono, que os coloca sobre o altar. Nesse intervalo, o sacristão com um véu umeral leva o cálice, patena, purificatorios e uma colher de ouro para a credencia do papa ao lado do Evangelho no altar, acompanhado por um acólito com duas galhetas vazias e um vaso pequeno. O sacristão, assistido pelo copeiro ou despenseiro, em seguida, purifica os vasos sagrados, a colher e as galhetas água. Uma pequena quantidade de vinho e água são colocadas em um vaso, e consumidos pelo copeiro: o restante colocado nas galhetas e dadas ao acólito. O sacristão em um véu umeral coloca os vasos sagrados sobre o altar. Em seguida, o cardeal diácono leva as três hóstias e coloca-as na patena: com uma delas, ele esfrega a patena, e com outra toque o cálice por dentro e por fora. Estas duas hóstias são consumidas pelo sacristão com o rosto voltado para o Papa, enquanto que a terceira hóstia servirá para a missa. O ensaio das oblações é concluído pelo cardeal diácono, que derrama um pouco de vinho e água em um vaso, que e bebido imediatamente pelo copeiro. O diácono derrama vinho no cálice o suficiente para três pessoas, e o subdiácono acrescenta a água com uma colher de Ouro. Se, por ocasião da Missa deve ser acontecer uma canonização, acrecenta-se ao ofertório velas, pão, vinho, água, duas pombas e outras duas pequenas aves, os quais são oferecidos para o Pontífice após o Credo. Oito prelados levam tochas para a elevação, mas não há campainhas ou pequeno sino, nem mesmo na missa dita por um prelado em presença do Papa (não encontrei qualquer explicação para tal uso). Na elevação da hóstia e cálice, o Papa levanta os braços perpendicularmente, virando primeiramente à direita e depois para a esquerda. A sinfonia das trombetas de prata, no momento da elevação foi limitada por Leão XIII apenas a esse momento da missa. Antes do Pater noster, um acólito leva as galhetas e um pequeno vaso à credencia, enquanto o sacristão com um véu umeral carrega a fístula de ouro na mão direita, e um cálice para as abluções na esquerda. O copeiro esvazia as galhetas e purifica-as junto com o vaso, fístula e cálice da ablução. A cerimônia da prova é repetido como antes, depois que o acólito vai para a direita do trono com as galhetas e o pequeno vaso: o sacristão com a fístula, cálice e dois purificatorios. A cerimônia em que o Papa colocou a sancta no cálice no Pax Domini sit semper vobiscum tinha desaparecido na época da Ordo Romanus IV, e as cerimônias de costume tomaram o seu lugar. O Pax é dado em sua posição normal para o assistente bispo e cardeal diácono assistente, mas é adiada até a Comunhão para o diácono e subdiácono da Missa O Papa se retira para o trono para fazer a sua comunhão. As cerimônias devem ser observados: O cardeal diácono primeiro toma a patena, em que o mestre de cerimônias colocou o asterisco, o eleva à altura de sua testa para que ele possa ser visto pelo povo, vira à direita para mostrar ao Papa, girando até fazer um semicírculo, e depois retorna para a esquerda, de tal forma que ele pode ser exibido pela terceira vez para os fiéis e para o Papa. O subdiácono, ajoelhado ao lado do Evangelho no altar, recebe a patena e o asterisco, e os leva para o Papa, as mãos cobertas por um rico véu bordado a ouro (linteum). O asterisco é uma proteção para a hóstia sob a forma de estrela, que é colocado sobre a patena como uma cobertura para o Santíssima Eucaristia quando é levada para o trono. Ele tem doze raios no qual estão inscritos os nomes dos doze Apóstolos. No rito bizantino, um asterisco é um ornamento litúrgico normal, que é empregado para evitar o véu de tocar no pão eucarístico. O tipo ocidental é formado por dois semicírculos, com uma pequena estrela suspensa no centro. O cálice é elevada pelo cardeal diácono com a mesma cerimônia quanto para a patena. Em seguida, o mestre de cerimônias cobre o cálice com um manto bordado a ouro e o diácono o leva ao trono. Dois arcebispos seguram o livro de orações para a comunhão, enquanto um terceiro auxilia com a palmatória. O segundo mestre de cerimônias tira o asterisco, e o Papa, tendo as duas partículas da hóstia na mão esquerda, diz: Panem coelestem e dignus Domine, non sum dignus. Inocêncio III (1198-1216) não faz qualquer menção das fórmulas, mas elas são encontrados no Ordo do Cardeal d'Estouville (1402-82) no final do século XV. O papa comunga o Corpo do Senhor. Em seguida, o Papa coloca o fístula no cálice, e assim recebe o precioso sangue. O Agnus Dei é cantado pelo coro depois que o Papa fez sua comunhão. A segunda metade da hóstia é dada no trono ao diácono e ao subdiácono ajoelhados. Os ministros, em seguida, voltam ao altar, o diácono leva o cálice e fístula e o subdiácono a patena. A patena é purificado sobre o cálice e o diácono consome uma parte do precioso sangue através da fístula. O restante do cálice é tomado pelo subdiácono, mas sem fazer uso da "cânula". O cálice é então purificado. O Papa, no entanto, toma as abluções em um cálice especialmente previsto para isto, que é oferecido a ele pelo bispo auxiliar. Em seguida, ele retorna para o altar para a comunhão e postcommunio. O auditor da Rota, revestido de Tunicela e segurando a cruz pontifical, ergue-se para o Papa quando ele dá a bênção. O manípulo e o pálio do Papa são deixados no altar. Quando o Papa recebe a tiara, as luvas e um anel, o arcipreste da basílica, acompanhado por dois dos cônegos, apresenta-se perante o Papa, a fim de dar-lhe uma bolsa de seda bordada com ouro em que há vinte e cinco júlios (dinheiro antigo). O arcipreste quando apresenta a espóstula diz: Capitulum et canonici huius sacrosanctae basílicas, Sanctitatae [sic] presbitério offerunt vestrae consuetum pro missa Beatissime Pater bene cantata. Em seguida, a mão do papa é beijada pelo arcipreste, e o pé pelos dois cônegos. O Papa dá a bolsa para o diácono cardeal que por sua vez, entrega-a para o cônego sacristão da basílica, recebendo em troca a quantia de cinco ecus, que correspondia a cerca de vinte e sete francos antes da Primeira Guerra Mundial.

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*Artigo extraído integralmente da página no Facebook “Ecclesia Romana”.

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