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sábado, 22 de junho de 2013

XII Domingo do Tempo Comum

Zc 12,10-11;13,1 Gl 3,26-29 Lc 9,18-24

Pe. Valderi da Silva

Estimados irmãos e irmãs.

O Cristo Senhor é nosso Mestre para andarmos nesta vida sem desviarmo-nos de Deus, de Sua Vontade, sem deixarmo-nos guiar por nossas tendências muitas vezes mesquinhas e sem sentido. O Cristo Senhor é aquele que nos revelou e revela na vida de cada ser humano, o necessário para seguir tranquilamente e com precisão o caminho da Salvação.

Jesus sempre se apresentou como aquele que pode nos dar a vida eterna, mas não somente mostrou que esta vida existe e que podemos alcançá-la, mostrou-nos como caminhar para atingir este objetivo. Neste ensinamento esta o passo mais difícil para a grande maioria dos homens e mulheres: o sofrimento. Em realidade, sabemos que o sofrimento, de qualquer tipo, sempre é indesejado, não podemos dizer que o ser humano gosta de sofrer, e muito menos que Jesus ensinou que devemos desejar o sofrimento pelo simples fato de sofrer. Mas por outro lado, também sabemos que esta vida não é isenta de sofrimentos, e que na verdade sempre se vai sofrer de alguma forma enquanto aqui vivermos. Quando disse que a grande maioria não suporta dar este passo tranquilamente, pensava precisamente naqueles que parecem procurar uma terceira via, ou seja: enfrentar bem o sofrimento; enfrentar mal o sofrimento; ou então a terceira via, fazer de tudo para fugir do sofrimento. Conforme o exemplo do Mestre, já podemos perceber que esta terceira via não é cabível aos seguidores de Jesus, pois é típica dos fracos de espírito e revela uma covardia mesquinha e vaidosa.

No evangelho de hoje, Jesus percebe que sua fama pelas redondezas esta tomando certa proporção e questiona seus discípulos a cerca do que pensam as pessoas a seu respeito. Antes de mais, não se trata aqui de uma pergunta feita pelo Senhor por um possível sentimento de vaidade, ou querendo alimentar seu “ego” com coisas boas que talvez estejam falando a seu respeito. Nosso Senhor, se utiliza desta pergunta como prefácio a outra pergunta, uma mais pessoal, dirigida àqueles que estão sempre próximos Dele: “E vós, quem dizeis que eu sou?” (Lc 9,20). Estas perguntas se fazem necessárias não para o Senhor, mas para seus discípulos, pois assim puderam perceber que muitos que não estão próximos de Jesus podem se enganar a Seu respeito, a respeito de Sua pessoa e de sua mensagem, mas aqueles que estão próximos Dele têm a obrigação de saber quem realmente Ele é, para serem estes esclarecedores de sua verdadeira face diante do mundo. Conhecer a Cristo, realmente, implica muito mais que saber o que disse ou o que fez, implica moldar sua própria vida a vida Dele, pois não há como tratá-Lo aquém de nós quando O conhecemos. Nós, cristãos decididos, precisamos nos encaixar nesta obrigação: buscar conhecer a verdadeira face de Cristo, para poder esclarecer a nós mesmos e o mundo.

Diz o evangelho que Pedro respondeu: és “o Cristo de Deus” (Lc 9,20). A palavra “cristo” significa ungido, o consagrado de Deus, aquele que somente pertence a Deus e que age por Deus. Revela a autoridade de Jesus diante dos homens, isto é, sendo o Cristo de Deus, é Ele a ponte segura entre Deus e os homens. Sua autoridade ganha corpo em nós, quando o conhecemos como Ele é, sem falsas interpretações, sem distorções na sua figura. Ele é o Cristo de Deus, o ungido de Deus Pai, o único que pode tirar o pecado do mundo, aquele que venceu a morte. Sua autoridade sobre nós se revela a medida que sabemos quem Ele é e, como dizia São Francisco de Sales, “o conhecimento gera obediência”, de modo que, percebemos se conhecemos a Cristo verdadeiramente, a medida que deixamos nossa vida ser guiada na obediência a Sua palavra nos Evangelhos.

Sem perceber, não notamos que as palavras de Cristo no Evangelho querem dizer muito mais que as letras ali impressas. Elas transmitem muitas orientações pontuais para nossa vida que somente é percebida a medida que nos dedicamos a entender estas palavras. É por isso que sabemos que Jesus neste evangelho fala-nos profundamente da sua verdadeira essência divina, da sua relação com Deus e que isto nos revela Sua autoridade diante de nós, que nos obriga a obedecer a medida que o conhecemos.

É seguindo esta reflexão que vem-nos as palavras que podem ser até hoje, difíceis de engolir: “se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz cada dia, e siga-me” (Lc 9,23). Acredito firmemente que todos nós queremos seguir a Cristo, o Ungido de Deus. Então precisamos enfrentar esta necessária condição que o próprio Senhor nos coloca. Percebamos que Jesus apenas esclarece algo que acontece como consequência do Seu seguimento, Ele não “inventa” o sofrimento para que nos associemos a Ele. Diferentemente disso, apenas nos faz entender que o possível sofrimento na carne que surgirá como consequência de nossa opção por Jesus neste mundo deve ser visto como a cruz que temos que carregar, sem tentar recorrer a terceira via de que falava antes, ou seja, fugir da cruz. Tomar nossa cruz é viver todos os momentos de nossa vida confiantes em Deus, depositando Nele nossa esperança de que após a dor e a “morte” vêm a “glória”, ou seja, a alegria. Por este motivo que Nosso Senhor completa este versículo dizendo: “pois quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim, esse a salvará” (Lc 9,24).

Nos dias de hoje, além dos sofrimentos pessoais como doença, morte na família, surgimento de dificuldades financeiras e famílias, temos como cristãos que enfrentar o sofrimento da injúria, da perseguição, da discriminação e do ódio à religião. Isto precisamos associar a cruz que carremos às costas, para não fugirmos disso tudo, e com coragem cristã e firmeza na fé, nos apresentarmos diante deste mundo cada vez mais socialista, materialista e ateu com convicção e com postura de quem sabe-se no lado da Verdade revelada por Deus.

Irmãos e irmãs. Nossa esperança cristã, dom sobrenatural, infunde-se em nossa alma para nos dar esta leveza e serenidade capaz de passar diante de qualquer tormenta sem vacilar ou esmorecer. Confiemos em Deus, e principalmente nestes tempos, confiemos a Ele o cuidado de nossa nação, nascida sob o sinal da Santa Cruz e regida pela fé em Nosso Senhor. Nossa Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil, interceda a Deus por todos nós. Amém.

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