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terça-feira, 21 de maio de 2013

Adesão a fé pessoal e operante

Novena em honra ao Divino Espírito Santo - Taquara/RS

Pe. Valderi da Silva

Queridos irmãos e irmãs.

Penso ser uma grande graça de Nosso Senhor, termos esta possibilidade de vivenciar a Novena em honra ao Divino Espírito Santo neste ano em que, celebramos o Ano da Fé e lembramos atentamente o Concílio Vaticano II, que não podemos duvidar ter acontecido por influxo deste mesmo Espírito que aqui honramos. Este Concílio, tão trabalhado e realizado pelas mãos de muitos homens entregues a Providência de Deus, traz em seus resultados – em seus documentos – um verdadeiro tesouro, que vai além das letras impressas cuidadosamente em cada texto. Ele traz um sopro de revigoramento para a vida cristã, algo que não invalida nada do que se vivia antes, porém quer mostrar mais claramente o “espírito” da fé cristã. Espirito Santo [pomba]

Em nosso tempo nos é pedido serenidade e muita prudência cristã ao lermos e estudarmos estes documentos do Concílio Vaticano II, pois criou-se muitas ideologias e teorias em torno do que o Concílio desejaria mostrar aos cristãos e ao mundo. E é com esta atitude espiritual e intelectual, que lemos, por exemplo, a Constituição pastoral Gaudium et Spes, trazendo mais do que uma bonita reflexão sobre a vida cristã no mundo, ou muito mais do que uma análise sociológica. Aliás, reduzir este documento a uma interpretação sociológica ou antropológica da sociedade ou da Igreja como mera participante da sociedade, é princípio da desfiguração do conteúdo deste documento. Precisamos lê-lo sabendo que foi elaborado tendo como herança os séculos de Magistério da Santa Igreja, o que faz dele não um documento revolucionário, nem modernizador, mas fiel ao que a Santa Igreja sempre pregou, com fidelidade ao Evangelho de Nosso Senhor.

Gaudium et Spes traz em seu primeiros parágrafos uma interessante visão das mudanças que acontecem no mundo, mas especialmente nos chama a atenção para a velocidade com que estas coisas acontecem. Realmente notamos ao nosso redor muitas situações que rapidamente tomam um novo rumo, uma nova postura, principalmente notamos esta característica na singular vida virtual, ou seja, a internet e seus mais variados aplicativos. Mas mesmo ela é fruto de um movimento que só faz tomar uma maior proporção na vida das pessoas. É muito tentador logo buscar um nome para um suposto vilão, que faz o estilo de vida neste mundo correr “sem freio”, mas o fato é que, ao perscrutarmos cada vez mais este fenômeno que afeta a todos, sempre chegamos ao mesmo personagem: o ser humano.

Não imagino que, manter-se num saudosismo confortante de tempos “antigos” pode nos fazer viver melhor no mundo onde estamos. Em realidade, pode ser fácil para o cristão se acomodar em suas lembranças de tempos e lugares onde não se vivia uma “turbulência” de mudanças e modas. Penso que manter-se assim, não é a maneira cristã de encarar o mundo, mesmo que este mundo nos pareça tão monstruoso e complicado. Não somos filhos da Luz? (cf. 1Ts 5,5) E não devemos ser luz para o mundo? (cf. Mt 5,14) Não devemos ser sal da terra? (cf. Mt 5,13) O mesmo Concílio, neste documento nos faz lembrar algo essencial para nós no meio deste mundo nem sempre ordenado: para não ferirmos nossa vocação cristã, para realmente sermos sal e luz, é exigente que tenhamos uma adesão à fé de modo pessoal e operante (cf. GS 7). Levando em consideração que o ser humano mesmo é o agente da mudança e da velocidade desta mudança no modo de vida, e que a fé exige esta adesão pessoal, não vejo outro meio para os cristãos serem realmente esta parcela na humanidade que ajuda a andar ou correr sem desordenar a criação de Deus.

A fé precisa ser uma adesão pessoal, para contrapor-se a uma “adesão” coletiva ou familiar. Precisamos nos remeter sempre a Jesus Cristo nos evangelhos, pois de lá nos fundamentamos, pois é nos Santos Evangelhos que encontramos a plenitude da Revelação, sendo assim, ali temos as respostas e motivações para estarmos neste mundo, apesar de não sermos deste mundo. Falando de uma não adesão coletiva a fé em Deus, falo mormente daquelas situações criadas em lugares sem esta clareza da inutilidade de tal adesão, pois facilmente ela cria uma fé virtual, ou fantasiosa, e mais grave ainda, sem plena liberdade. É sentindo esta gravidade, que não podemos deixar que a fé se torne um mero status, como um título de aceitação em um determinado círculo. Muito menos a fé pode ser exclusivamente considerada requisito para passar por alguns estágios na vida. Esta gravidade a cerca da fé, nos deve impelir a afirmar a adesão pessoal, ou seja, eu mesmo devo chegar a conclusão de que necessito da fé, e para tanto preciso trabalhar para que esta minha fé se desenvolva, pois é esta atitude de não parasitismo e comodismo que demonstra o quanto sou consciente desta minha adesão a Deus.

Esta atitude pessoal a cerca da fé é tão necessária que pode nos tornar cristãos de “fato” ou somente de “direito”, isto é, cristãos nos sacramentos e na vida, ou cristãos somente nos ritos sacramentais. Uma frase muito usada no cristianismo deve fazer parte desta reflexão: coerência de fé e vida. Esta coerência não é retórica, nem intelectualismo, é manifestação visível da minha adesão pessoal a Deus. Todos podemos imaginar, lembrando dos Evangelhos, como a vida pessoal manifesta hoje ou não esta coerência, ou seja, manifesta esta minha adesão pessoal. Quanto mais coerente sou com minha fé, com aquilo que professo nas orações e nos sacramentos, tanto manifesto que a fé que tenho é fruto desta verdadeira adesão.

Finalmente, esta fé, ao passo que é fruto desta verdadeira adesão a Deus, não fica estacionada num lugar cômodo de nossa vida, ela produz pois é fértil e animadora. Deste modo, nossa fé – fruto de minha adesão pessoal a Deus – torna-se operante, não inerte, mas eficaz em minha vida, pois move-me a realizar, de fato, todas as obras que Jesus Cristo mesmo realizou. Nisto esta a referência que o documento conciliar, Gaudium et Spes, faz em seus primeiros parágrafos, dando uma visão sobre a realidade da vida humana no meio de todos as possibilidades sociais que se apresenta. É assim, que o cristão faz-se verdadeiro cristão, deixando esta fé mudá-lo inteiramente, violentando a si mesmo, ou seja, forçando a mudarmos, para que, em seguida, tomemos a mesma atitude do Mestre.

Tudo o mais que vemos em nosso redor, e quem sabe até mesmo em nossas famílias: diminuição dos valores, confrontos para subjugar opiniões, tentativa de impôr a própria verdade, desvalorização do amor matrimonial, da vida familiar, a nefasta distorção da infância das crianças, etc... pode nos assustar, e desejar um lugar cômodo longe do enfrentamento. Não temos este direito como cristãos de esconder-se diante destes erros: para acender uma vela e colocá-la debaixo da cama? (cf. Lc 8,16) Para que esconder a luz de Cristo? Repito: não somos filhos da Luz? Não somos, então, esta luz para o mundo? Não nos escondamos, o medo virá, mas os detentores da verdadeira fé venceram o medo.

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