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terça-feira, 30 de abril de 2013

V Domingo do Tempo Pascal

At 14,21-27 Ap 21,1-5 Jo 13,31-33.34-35

Pe. Valderi da Silva

Estimados irmãos e irmãs.

Os apóstolos seguiram o mandato do Senhor e saíram a pregar a boa notícia trazida por Jesus Cristo. O que percebemos no livro dos Atos dos Apóstolos é a expressão escrita e viva da ação da Igreja que já nasceu sob a obediência a Jesus, guia e mestre. Ouvimos no quarto domingo deste Tempo Pascal, que é Jesus o Pastor supremo, aquele a quem as ovelhas escutam a voz e obedecem. Começando pelos apóstolos, passando pelos primeiros presbíteros – aqueles homens deixados pelos apóstolos nas comunidades com a incumbência de servi-la como pastores e educadores – e chegando até nós, a obediência a voz de Jesus Cristo é fundamental para sabermos se estamos sendo fieis a Deus ou não, pois do contrário, facilmente colocamo-nos como artífices de nossa própria verdade, como criadores daquilo que “para mim” pode ser útil e prazeroso, mas que em realidade, não passa de tentativa soberba e orgulhosa de viver sem a obediência a Deus.

Notamos nas palavras de São Paulo que esta servidão a Palavra de Deus não traz plena comodidade e efêmera felicidade, coisas que são tão fáceis de buscar neste mundo. Traz até sofrimento, dor, tristeza, justamente porque existe uma incompatibilidade da vivência com Deus com a vivência com o mundo. Mas o cristão busca esta a felicidade plena e verdadeira na vivência com o mundo? Por acaso, não somos nós sempre chamados por Deus a vivermos no mundo mas não com o mundo? Preciso realmente, viver como o mundo me dita? Para viver como filho de Deus, não preciso ser mais criterioso ao que as coisas do mundo me oferecem como bonitas e prazerosas? De fato, meus irmãos, não podemos nos desviar deste esforço que todos, sem exclusão, precisam sempre fazer em suas vidas. No livro dos Provérbios se diz: initium sapientia, timor Domini (Pr 9,10), temor que não significa necessariamente medo, mas respeito e obediência. Obedecer a Deus é o início da sabedoria, e por este motivo é que não podemos negligenciar esta necessidade em nossa relação com Deus.

Numa relação livre de conveniências, obedecer significa também amar. Neste sentido mais profundo é que esta necessidade tem sua ligação com o que se escutou neste evangelho de hoje. Aqui nosso Senhor deixa-nos um novo mandamento, “amai-vos uns aos outros” (Jo 13,34a). É simples chegar a conclusão de que esse mandamento deixado por Jesus resume toda sua mensagem, pois é o amor a essência da própria vida divina, sua ação na história humana se fez precisamente pelo amor. Mas este amor de que fala Jesus não é baseado em algum exemplo mundano ou humano, tampouco se trata de um esteriótipo, algo comum, ou impessoal. Este amor de que fala Jesus, primeiramente, nasce de Deus e é conforme este exemplo de amor é que devemos olhar para este mandamento, afinal, segue Jesus neste evangelho dizendo que, é “como eu vos amei...” (Jo 13,34b), não como nós nos amamos. Deste modo, estimados irmãos, este novo mandamento deixado por Jesus também tem sua ligação direta e necessária com a obediência e temor de Deus. Digo mais uma vez, obedecer e amar estão tão ligados quando se trata de Deus e Sua Vontade, que poderíamos colocá-las como palavras sinônimas!

Não nos convêm colocar a questão se este “novo” mandamento deixado por Jesus suprime ou anula os Mandamentos que Deus deixou ao seu povo, no Antigo Testamento. Porém, pode ser oportuno destacar que mesmo os Dez Mandamentos se tornam impossíveis a nós sem este “espírito” contido neste mandamento deixado por Jesus a todos os seus seguidores. Isto se torna importante para nós na medida em que enriquecemos mais nossa adesão e obediência a estes Mandamentos já conhecidos, pois, como dito antes, obedecendo aprendemos a amar, e assim, vivemos mais facilmente conforme a vontade do Senhor.

Seguindo esta linha, parece-nos mais claro também que este amor – espírito do “novo” mandamento – não se trata de um mero esforço humano, não se trata apenas de iniciativas, pois apesar de necessárias, não correspondem necessariamente ao amor com que devemos nos amar. Notamos que facilmente este mero esforço humano, vazio deste mandamento do amor, pode ser um simples assistencialismo ou paternalismo, mesmo que aparentemente motivado por algum sentimento de caridade. É por esta razão que o Cristão somente move-se ao irmão por Jesus, com Jesus e inebriado por Jesus. Não fazemos caridade, nem amamos nossos irmãos para nos sentirmos bem ou para manter uma imagem “santificada”.

Amarmo-nos uns aos outros como o Cristo nos amou, é o mandamento de ouro para os cristãos, sendo ele óleo que nos encoraja e fortifica para obedecermos todos os mandamentos de Deus.

A luz do Cristo Ressuscitado siga a nos iluminar, para que as trevas do pecado não nos deixem afastados da vida nova que Jesus Cristo nos inaugurou.

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