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sábado, 13 de abril de 2013

III Domingo do Tempo Pascal

At 5,27-32.40-41 Ap 5,11-14 Jo 21,1-19

Pe. Valderi

Jesus aparece pela terceira vez

Estimados irmãos em Cristo.

Neste tempo, logo após Sua ressurreição, Jesus encontra o momento para firmar a fé dos apóstolos e criar-lhes a convicção necessária para a missão que seguirá. Jesus aparece mais uma vez - a terceira diz o evangelho (cf. Jo 21,14) -, para que não tenham dúvidas sobre as coisas que Ele dizia de si mesmo enquanto andava no meio deles.

Podemos imaginar o quanto o abatimento e a confusão se instalou nas mentes destes apóstolos, após a morte de Cristo a notícia de Sua ressurreição. Se hoje, para nós, muitas vezes é difícil ter a clara certeza da viva presença de Cristo no mundo, quanto mais o era para estes homens que naquele tempo se tornavam os primeiros a viverem e testemunharem tal acontecimento salvífico para toda a humanidade. O Evangelho nos deixa bem claro que, após acalmar-se um pouco a euforia causada pela morte e aparente ressurreição de Jesus, estes apóstolos tentaram retornar a seus afazeres diários de antes do seguimento de Jesus. Foram pescar (cf. Jo 21,3), como era sua principal tarefa quotidiana. Este atitude dos apóstolos pode facilmente nos ensinar que diante da maresia em que pode se encontrar minha fé, não podemos virar as costas a tudo o que já vivemos crendo em Jesus Cristo. Não podemos na primeira aridez de fé, ou seja, na primeira aparente ausência de Deus, voltar a atenção as coisas do mundo e torná-las mais atraentes do que Deus em nossas vidas. No entanto, esta atitude dos apóstolos em voltar a sua atividade que exerciam antes do seguimento exclusivo a Jesus, pode nos mostrar também a necessidade humana de ocupar-se de algo para não dar espaço a imaginação distorcida a respeito de Deus. Quando nos encontramos nesta fraqueza na fé, num marasmo, não se torna oportuno ficar parado e remoendo a dúvida quando sabemos que não encontraremos por si só a resposta, pois esta atitude pode me levar a imaginar coisas absurdas e contrárias a própria fé.

Mas o centro deste Evangelho se encontra no fato do reconhecimento do Ressuscitado. Jesus quer ser reconhecido pelo “partir do pão e do peixe” (cf. Jo 21,13), e isto é a marca visível mais eloquente da mensagem do Senhor. Hoje não podemos mais imaginar que o Messias, o Salvador, é alguém que transforma o mundo sem transformar a pessoa, sua iniciativa salvífica atua na mudança interior do indivíduo. Por isso, nada mais adequado do que se utilizar do contato pessoal da partilha, que significa muito mais do que simplesmente repartir o alimento material, apesar de ser isto também. “Partilhar” é o gesto visível de Jesus para mostrar sua humana realidade, que deseja expressar a união e responsabilidade mútua da família humana. O Ressuscitado é a vida nova, sua presença deve ser entendida como algo tátil, deve ser sentida, visualizada. Por este motivo é que este gesto humano e visível de Jesus, para expressar a união íntima de todos entre si, também é a revelação da união de todos com Deus mesmo.

No mundo criado pelos meios de comunicação social, a fé não passa de uma espécie de alucinação criativa e talvez necessária, mas totalmente longe da realidade empírica. É este tipo de conceito que se passa pelos mais variados programas de TV, rádio e meios impressos. Pode parecer inofensiva esta investida subliminar, mas traz consequências a longo prazo que hoje já estamos colhendo: um mundo com mentes formatadas para não aderir ao improvável, não aderir ao que é relativo a fé, simplesmente aceitar o que se vê, aceitar somente o que se pode provar!

Uma outra realidade presente no mundo de hoje, é a visão relativista que é usada como armadura... uma barreira para que qualquer argumento que seja oriundo da fé não tenha acolhimento na mente e no coração. Como cristãos, necessitamos purificar sempre nossa visão e nossa compreensão, lembrando-se de que até o mais assíduo fiel, o mais antigo em idade, pode ter sua fé distorcida por essas ideias soltas no ar, que o mundo de hoje nos apresenta em contradição ao que brota da fé em Jesus Cristo. Na linha deste pensamento esta o que recentemente o Papa Francisco falou a Pontifícia Comissão Bíblica, no Vaticano: "O Concílio [Vaticano II] lembrou com grande clareza: tudo o que está relacionado com a maneira de interpretar as Escrituras está, em última análise, sujeito ao julgamento da Igreja, que realiza o seu mandato divino e o ministério de preservar e interpretar a palavra de Deus” (in DISCORSO DEL SANTO PADRE FRANCESCO AI MEMBRI DELLA PONTIFICIA COMMISSIONE BIBLICA).

Da liturgia da Palavra deste domingo apreendemos que o Jesus Ressuscitado é o mesmo do Jesus antes da paixão e morte. A unidade visível de Jesus foi presenciada por estes apóstolos que o reconheceram no mesmo gesto que viveram durante a Ceia Pascal na quinta-feira antes da prisão de Jesus. Nós seremos reconhecidos como o Cristo, como Seus seguidores, diante deste mundo tão alheio a Palavra de Deus, quando entendermos, crermos e testemunharmos a presença viva e atuante de Deus na vida de cada ser humano. Hoje, vemos que o mesmo gesto de Cristo diante dos seus apóstolos, pode ser o início da nossa vida como verdadeiros missionários a evangelizar o mundo.

Os apóstolos são as testemunhas fiéis, que nos transmitem esta verdade de salvação. Crendo e vivendo esta verdade, somos chamados a sermos também nós estas testemunhas do Cristo vivo, através de nossa vida cristã e nossa caridade para com todos.

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