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segunda-feira, 25 de março de 2013

"JESUS CRISTO DESCEU AOS INFERNOS, RESSUSCITOU DOS MORTOS NO TERCEIRO DIA"

Os símbolos da fé: artigo 5

Pe. Valderi da Silva

- Pregação para Grupo de Oração da RCC -

  1. Os chamados “símbolos da fé” são o conjunto de todos os pontos condensados da fé cristã, ou seja, o que um cristão crê está nestes pontos, chamados de “artigos” dos Símbolos da Fé. Cada um destes artigos condensa em si um esforço em comprimir toda uma compreensão acerca do Mistério Divino revelado em Jesus Cristo, mostrando-nos claramente e pedagogicamente o caminho da Salvação pensado e executado por Deus. Agora, que Jesus Cristo já realizou Seu plano salvífico, estamos vivendo estas verdades exaladas desta ação divina em nosso favor. Por isso, que o “Símbolo da Fé” (Credo) não é simplesmente uma oração de pedido, de súplica ou ação de graças. É minha profissão pública e íntima ao mesmo tempo, de que minha fé entende e adere a tudo o que neste “símbolo” se expõe.

  2. Hoje, nesta pregação, nos propomos a explicitar mais calmamente o artigo 5º deste Símbolo da Fé, conforme o que se nos apresenta o Cathecismus Ecclesiae Catholica (CEC): Creio em JESUS CRISTO que DESCEU AOS INFERNOS (mansão dos mortos), RESSUSCITOU DOS MORTOS NO TERCEIRO DIA. Logo de início, é necessário perceber que este artigo, por mais claro que seja, pode parecer a alguns um pouco complicado de aceitar como realidade verdadeira, sem fantasias. Se trata de reconhecer a existência real de um “local” diferente daquele junto de Deus, ou seja, um “local” ruim, já que este outro – o céu – é bom, por estar presente o Deus Todo-poderoso. Então, primeiramente, reconhecemos com a Igreja que existe o Céu e o Inferno. Daí nos vêm uma pergunta necessária: o inferno é um local? Não qualitativamente. Se trata de um “estado”, ou seja, é como a alma se sente, pois decide livremente estar longe de Deus. O inferno, pode ser resumido assim: o estado longe de Deus! Pois, longe Dele, não gozamos da Sua vida, que é o que nos permite a alegria eterna. Todos vivem eternamente, pois a alma de cada um é imortal.

    As frequentes afirmações do Novo Testamento segundo as quais Jesus "ressuscitou

    dentre [de entre] os mortos" (1Cor 15,20) pressupõem, anteriormente à ressurreição, que este tenha ficado na Morada dos Mortos. Este é o sentido primeiro que a pregação apostólica deu à descida de Jesus aos Infernos: Jesus conheceu a morte como todos os seres humanos e com sua alma esteve com eles na Morada dos Mortos. Mas para lá foi como Salvador, proclamando a boa notícia aos espíritos que ali estavam aprisionados (CEC 632).

    Este “local” ou estado, é o mesmo chamado na Sagrada Escritura de Sheol ou Hades, ou seja, morada dos mortos, onde se encontravam todos aqueles seres humanos falecidos desde a criação do mundo até Jesus Cristo. Todos aguardavam o Redentor, aquele que os levaria definitivamente a um estado realizado junto de Deus – o Reino de Deus. Cristo desceu, portanto, no seio da terra, a fim de que "os mortos ouçam a voz do Filho de Deus e os que a ouvirem vivam" (Jo 5,25). Jesus, "o Príncipe da vida", "destruiu pela morte o dominador da morte, isto é, O Diabo, e libertou os que passaram toda a vida em estado de servidão, pelo temor da morte" (Hb 2,5). A partir de agora, Cristo ressuscitado "detém a chave da morte e do Hades" (Ap 1,18) (CEC 635).

    Professando que Jesus desceu a Mansão dos Mortos, professamos que Ele morreu realmente, que Sua alma desceu juntamente com Sua divindade até o “local” onde se encontravam ansiosos por este dia todos os mortos, para que fosse aberta definitivamente a porta para o Céu. Neste item ainda é importante dizer que Jesus resgatou todos os justos, ou seja, salvou do destino eterno longe de Deus somente os que eram santos/justos, aqueles merecedores da vida eterna. Portanto, nunca foi professo pela Igreja e nem extraído da Sagrada Escritura que todo ser humano ganha o Céu independentemente da vida que levou. Foram salvos por Jesus do Hades, aqueles justos, desde a criação do mundo, que de uma forma ou outra, corresponderam a Vontade de Deus.

  3. Deste artigo também surge a profissão na Ressurreição de Jesus, ou seja, estava morto e voltou a viver por si próprio. Nos diz São Paulo: Por que procurais entre os mortos Aquele que vive? Ele não esta aqui; ressuscitou (Lc24,5-6). No quadro dos acontecimentos da Páscoa, c primeiro elemento com que se depara é o sepulcro vazio. Ele não constitui em si uma prova direta. A ausência do corpo de Cristo no túmulo poderia explicar-se de outra forma. Apesar disso, o sepulcro vazio constitui para todos um sinal essencial. Sua descoberta pelos discípulos foi o primeiro passo para o reconhecimento do próprio fato da Ressurreição. Este é o caso das santas mulheres, em primeiro 1ugar, em seguida de Pedro. "O discípulo que Jesus amava" (Jo 20,2) afirma que, ao entrar no túmulo vazio e ao descobrir "os panos de linho no chão" (Jo 20,6), "viu e creu". Isto supõe que ele tenha constatado, pelo estado do sepulcro vazio, que a ausência do corpo de Jesus não poderia ser obra humana e que Jesus não havia simplesmente retomado a Vida terrestre, como tinha sido o caso de Lázaro. (CEC 640).

    O testemunho das aparições de Jesus, são outra prova essencial aos cristãos da ressurreição. Apesar de serem contestadas pelos não crentes, elas constituem em si, uma prova real baseada num testemunho crível de pessoas que não dificilmente imaginariam tal história. A Sagrada Escritura nos atesta tal fato revelando estes testemunhos, e como temos uma das fontes da Revelação Divina, cremos nas palavras ali postas sobre tal acontecimento. Diz o CEC: a fé que tinham [os apóstolos] na Ressurreição nasceu - sob a ação da graça divina - da experiência direta da realidade de Jesus ressuscitado. (644).

  4. [CEC 651] "Se Cristo não ressuscitou, vazia é a nossa pregação, vazia é também a vossa fé" (1Cor 15,14). A Ressurreição constitui antes de mais nada a confirmação de tudo o que o próprio Cristo fez e ensinou. Todas as Verdades, mesmo as mais inacessíveis ao espírito humano, encontram sua justificação se, ao ressuscitar, Cristo deu a prova definitiva, que havia prometido, de sua autoridade divina. (Parágrafos Relacionados 129,274)

    [CEC 652] A Ressurreição de Cristo é cumprimento das promessas do Antigo Testamento" e do próprio Jesus durante sua vida terrestre. A expressão "segundo as Escrituras" indica que a Ressurreição de Cristo realiza essas predições.

    [CEC 653] A verdade da divindade de Jesus é confirmada por sua Ressurreição. Dissera Ele: "Quando tiverdes elevado o Filho do Homem, então sabereis que EU SOU, (Jo 8,28). A Ressurreição do Crucificado demonstrou que ele era verdadeiramente "EU SOU", o Filho de Deus e Deus mesmo.

  5. Existe um duplo aspecto neste Mistério da Ressurreição de Cristo: por sua morte Jesus nos liberta do pecado, por sua Ressurreição Ele nos abre as portas de uma nova vida [CEC 654]. Pelo seu sacrifício cruento na cruz – renovado de forma incruenta na Santa Missa – Jesus nos liberta da escravidão do mal, lavando-nos dos pecados. Mas também e ao mesmo tempo, nos abre as portas para a vida eterna, no Reino de Deus.

  6. Tudo isto é professando neste artigo do Símbolo da Fé – Credo – que tão facilmente “decoramos” mas que precisa ser sempre conscientemente professado para que nossa fé não vire apenas repetição de frases, mas expressão do que realmente entendemos e cremos.

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