terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Terça-feira Is 55,10-11 Mt 6,7-15

I Semana da Quaresma

Pe. Valderi

Neste tempo quaresmal de vivência intensa das praticas cristãs, não poderia faltar o tema da oração. De fato, ela é o que precede todas as outras ações em nossa vida de fé, ela é o canal que nos coloca em contato com Deus. Por isso dizemos diante de qualquer situação: reze a Deus, pois ali esta o início de qualquer atitude a ser tomada. A ação nada vale sem a oração (ESCRIVÁ, Josemaria. Caminho. Ed. Quadrante, 1999, 81).

A oração que Cristo nos ensinou é compêndio de diálogo com Deus. Nela encontramos resumidamente tudo o que podemos conversar com Deus e ao mesmo tempo tudo aquilo que podemos fazer para viver segundo Sua vontade.

Pai nosso que estáis nos céus (v.9): Ele mesmo nos dá o lugar do Pai, é de lá que Ele nos acode e sustenta, mas a grande revelação é que Ele, o todo-poderoso é nosso pai, não alguém distante de nós, mas próximo o suficiente para nos atender. Santificado seja o teu nome (v.9), é o que Ele esperava que nós honremos visto que santo Ele é, e nao depende de ser mais ou menos santo, depende sim que Sua santidade se espalhe sobre os homens. Por isso, pedir que seja santo o Seu nome entre os homens. Venha o teu Reino (v.10),o reino de Deus que é de paz e amor, de justiça e caridade, de humildade e fortaleza. Este reino não é um lugar ou algum título, mas um estado espiritual, algo que ao vir congregará os justos e verá se afastar os injustos, aqueles que desdenharam a voz que apelava para a santidade. Seja feita a tua vontade, assim na terra como nos céus (v.10). A vontade de Deus não é julgo nem obrigação, como se estivéssemos a mercê de um patrão interessado apenas em nossos serviços. A vontade de Deus é pelo contrário que realizemos nossa natureza e façamos tudo conforme a finalidade por Ele estabelido para o bom crescimento de Sua criatura. Esta vontade divina nos quer junto Dele, por isso não devemos ter medo de nos lançar completamente em suas mãos. O pão nosso de cada dia dá-nos hoje (v.11). Este alimento tão necessário para nós e que as vezes falta para tantos deve ser suplicado não somente pensando em mim ou minha família, mas também nestes tantos lares e pessoas que não conseguem um alimento digno para seu sustento. Este pão que nos sustenta também é o pão espiritual, a Eucaristia, e pedimos a Deus Pai que nunca falte este Pão dos Anjos para nosso sutento de alma e espírito. Perdoa as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido (v.12). O pedido de perdão é essencial em nossas orações. Cristo ao inclui-lo nesta oração nos diz isso, nunca devemos esquecer de pedir perdão por aquilo que cometemos e por aquilo que deixamos de fazer. Pedimos perdão a Deus Pai e nos comprometemos a perdoar nossos irmãos, principalmente aqueles que nos ofendem ou ofenderam. Isto é fundamental para o cristão, saber perdoar como Deus te perdoa. E nao nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal (v.13). Isto é o que sempre esperamos de Deus, que nao permita que o mal consiga me convencer a ceder a tentação, pois ela me inevitavelmente ao pecado e assim longe de Deus. Por isso, “livrai-nos, Senhor de todo mal”.

São Josemaria Escrivá dizia: nunca sejais homens e mulheres de ação longa e oração curta (Caminho. 936), que seja nossa oração a que gasta mais tempo para partirmos para a ação confiantes de que Deus esta nela.

Para leitura: Sermão sobre a Oração Dominical: O "PAI NOSSO"

Dawkins, famoso ateu admite: não estou 100% cento da “não existência de Deus”

LONDRES, 27 fev 12 (CNA / EWTN News) - Um dos ateu mais famoso do mundo, Richard Dawkins, Grã-Bretanha, admitiu durante um debate na Universidade de Oxford, que não pode ter certeza de que Deus não existe.Richard Dawkins
No debate sobre a natureza e a origem do homem, Dawkins disse que ao líder máximo Anglicano, Arcebispo Rowan Williams, que prefere declarar-se agnóstico do que ateu.
O debate, que terminou uma semana em que se muito falou sobre liberdade de religião e vida pública na Grã-Bretanha, foi realizada no Sir Christopher Wren Sheldonian Theatre e foi transmitido ao vivo pela Internet.
Em um momento de diálogo, o arcebispo disse ao professor que ele foi "inspirado pela elegância" de sua explicação da origem da vida, que foi consistente em vários aspectos.
De acordo com o Daily Telegraph aponta, Professor Dawkins disse o arcebispo que "eu não consigo entender é porque não é capaz de ver a extraordinária beleza da idéia de começo de vida a partir do nada. Isso é algo elegante, bonito. Por que você quer contaminá-lo com uma idéia confusa como Deus? "
Williams disse que estava "em completa concordância com o elemento de beleza" no argumento de Dawkins, mas disse: "Não estou falando de Deus como um extra, mas como o centro de tudo"
Dawkins, em seguida, surpreendeu a todos dizendo que não esta 100 por cento de certeza que não havia nenhum criador. Em seguida, o filósofo Sir Anthony Kenny, que intermediou o debate perguntou: "por que ele não diz que ele é um agnóstico?" Dawkins disse o que era.
Um Kenny incrédulo respondeu: "se diz que você é ateu mais famoso do mundo", ao qual Dawkins disse que "6.9 de sete" é certeza do que eu pensava.
"Acho que a possibilidade de um criador sobrenatural é muito, muito baixo", disse ele.
A discussão voltou-se para a possibilidade de que o homem evoluiu de ancestrais não-humanos, mas veio para a realidade atual das coisas "à imagem e semelhança de Deus", disse o arcebispo.

Fonte: http://www.aciprensa.com/noticia.php?n=36169

Partes em negrito: Blog VALDERI

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

PRIMEIRA ESTAÇÃO: Jesus é condenado à morte

Quando viram Jesus, os sumos sacerdotes e os guardas começaram a gritar: “Crucifica-o! Crucifica-o!” Pilatos respondeu: “Levai-o vós mesmos para o crucificar, pois eu não encontro nele crime algum”. Os judeus responderam: “Nós temos uma Lei, e, segundo essa Lei, ele deve morrer, porque se fez Filho de Deus”...
Por causa disto, Pilatos procurava soltar Jesus. Mas os judeus gritavam: “Se soltas este homem, não és amigo de César. Todo aquele que se faz rei, declara-se contra César”...
Então Pilatos entregou Jesus para ser crucificado, e eles o levaram.

Do Evangelho segundo João 19,6-7.12.16

V/. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi.
R/. Quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.

O Juiz do mundo, que um dia voltará para nos julgar a todos, está ali, aniquilado, insultado e inerme diante do juiz terreno. Pilatos não é um monstro de malvadez. Sabe que este condenado é inocente; procura um modo de O libertar. Mas o seu coração está dividido. E, no fim, faz prevalecer a sua posição, a si mesmo, sobre o direito.

(Via Sacra de 2005 por Cardeal Joseph Ratzinger)

Tenta te colocar ali, entre aqueles judeus com sangue efervecido, põe-te no meio deles e tentes ver o rosto de Cristo, aquele que quererm matar. Vês? Ele nada faz. Não reage, mesmo quando o débil Pilatos lhe diz que poderia solta-Lo se assim o quisesse (Jo 19,10). Mas como admitir isso? Sendo que Ele, que veio ao mundo justamente para isso, agora o ver suplicar para ser solto?!

Não! Jesus sabia que seria assim. Em Sua onisciência divina compartilhada com o Pai, sondava o futuro e vislumbrava as dores que iria sentir. Mas tudo vale a alma dos justos… tudo vale tua alma… a minha alma. As dores de Cristo, desde a dor amarga e extremamente frustante da traição de Judas - um dos seus - são bálsamos de puro amor para nossas chagas profundas e incicatrizáveis. Esta dor de Cristo pela blasfêmia recebida, pelas injurias, pela injustiça é a dor de tantos irmãos nossos, que perambulam pelo mundo sem sentido para a vida, pois viram os mesmos irmãos rirem e cuspirem em seus rostos, sofreram tantas injustiças capazes de os fazer desacreditar completamente no ser humano.

Crucifica-o, crucifica-o… muitos dentre o povo somente consguiam repetir estas palavras. Talvez nem conhecessem bem a pessoa de Jesus, talvez somente ali ouviram falar seu nome. Estes certamente são figuras de outros tantos no mundo de hoje, que nem se importam em julgar e condenar sem prévio conhecimento, sendo alvos fáceis para cometer injustiças e assim jogar a margem da dignidade tantos homens e mulheres que, apesar dos erros, poderiam – e podem – se emendar e encontrar a verdadeira razão de suas vidas.

A posição de Pilatos é incomoda para ele, mas graças a seu caráter frágil e medo de enfrentar o que é preciso em prol da justiça e da verdade prefere sair sem arranhões deste julgamento entregando Jesus para ser crucificado. Os Pilatos de nosso mundo ainda exercem seu poder as custas de muitos inocentes, vítimas de interesses pessoais e materialistas, alvos do mundo consumista e nihilista em que vivemos.

Segunda-feira Lv 19,1-2.11-18 Mt 25,31-46

I Semana da Quaresma

Pe. Valderi

A santidade é nosso objetivo, pois todos desejamos estar junto de Deus, ou seja, estar onde Ele estiver e para isso é preciso ser como este lugar pede para Nele possamos entrar. Isto é, ser santo. Sede santos, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo (v.2).

Estimados irmãos, a santidade não é um estado impossível, passou-se o tempo em que falar de santidade era falar de alguns pouquíssimos que se enclausuravam e lá tinham mais “facilidade” de encontrar o caminho da vida pura. Hoje, cada ser humano, vivendo onde vive e como vive pode alcançar este grau de vivência cristã que o possibilita a esta entrada no Reino de Deus. Dizia certa vez um padre que devemos ter como objetivo ser santos de altar, ou seja, desejar viver de tal modo como estes santos que hoje nos brindam com seus exemplos que se pudesse dizer de nós a ponto de cogitar nossa canonização. É claro que ninguém almeja ser canonizado, somente este sentimento já seria falta de humildade.

Nesta leitura do Levítico encontramos o desejo do Senhor de como quer nos ver proceder, não pelo seu simples gosto, mas porque sabe que necessitamos agir assim para alcançar a vida eterna junto Dele. O que temos resumido e organizado no Decálogo encontramos também aqui neste trecho do Antigo Testamento.

“Não furteis; não minta; não jure em falso; não explore teu próximo; não amaldiçoes; não sejas injusto; não sejas um maldizente; não conspire; não tenhas ódio no coração; não procures vingança e nem guardes rancor”.

Cada um desses pedidos de Deus não são opções, são atos necessários para o ser humano, eles fazem parte de um conjunto, ou seja, não posso me contentar em apenas viver alguns deles. Preciso trabalhar para que todos sejam parte do meu proceder neste mundo. Vivendo assim, caros irmãos, chegamos perto daquele estado de santidade que antes falávamos.

Cristo no evangelho fala aos discípulos justamente orientado pelas palavras do Antigo Testamento, onde a justiça e a caridade são fundamentais para o Senhor. Através destas duas virtudes o ser humano consegue viver estes pedidos de Deus ouvido no Levítico. O dia chegará em que Deus permitirá a entrada no Reino somente aqueles que o serviram com caridade e justiça nos seus irmãos que também são nossos irmãos. Caríssimos, se queremos viver tais mandamentos para alcançar a santidade e assim ser aptos para a entrada nos Céus precisamos ouviu a voz de Cristo e viver cada pensamento, palavra e ação com caridade e justiça, isto nunca deve nos faltar.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Urgente retomar o sentido do pecado

Esta semana que passou li as palavras do Cardeal-Patriarca de Lisboa, Dom José Policarpo sobre a triste constatação da perda do sentido do pecado. Uma realidade que a algum tempo já se fazia notar, principalmente entre os jovens que estão tão sumariamente influenciados pelas mídias que os propõe cada vez modas e ideologias descartáveis, transformando a mentalidade destes em uma verdadeira “estante de passagem”, onde nada é permanente.Dom Jose Policarpo

Dom José tenta apelar com suas palavra para a humildade, sendo ela terreno fértil para crescer a vida cristã. A humildade manifesta-se primeiramente no olhar realista do ser humano sobre si mesmo, o que inevitavelmente o faz ver a verdadeira face do pecado, acaba-se percebendo as nefastas consequencias para o ser humano de cada ato de ofensa a Deus e aos irmãos. Esta visão da verdadeira face do pecado é o que esta nublada ou mascarada neste mundo contemporâneo, e é isto que se esforça em fazer o mal, tenta esconder ao máximo a podridão do pecado para torná-lo menos penoso ou até prazeiroso para atrair homens e mulheres, jovens e adolesncentes, sempre com “roupa” vistosa, de grife, ou bens completamente desnecessários mas atrativos para a vaidade. Ainda esta face mascarada do pecado torna uma infidelidade matrimonial algo “normal”, tentando transformar a traição em argumento para o bem estar.

O Cardeal-Patriarca quer dizer mais sobre esta perca do sentido do pecado. Acredito que podemos entender de suas palavras o apelo para que os cristãos levantem esta bandeira com coragem, assumam esta campanha urgente de alerta a todo o mundo que estamos deixando que o pecado se camufle entre nossos costumes cotidianos, já não mais os discernindo entre as inúmeras coisas que vemos e fazemos. Precisamos reconhecer o que é pecado, com coragem e humildade, e não deixar que ele se passe por algo bom e necessário para nossa vida. Isto é cilada do demônio!

"Não fazer tudo para discernir e perceber a vontade de Deus a nosso respeito ou não querer segui-lo, na obediência da fé, é uma infidelidade de amor", diz Dom José. Nossa responsabilidade com a fé nos exige isso, que ao menos busquemos empreender esta tarefa cotidianamente, a de discernir o joio do trigo, o bem do mal, aquilo que me leva ao pecado e aquilo que me leva para a graça de Deus.

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>> Como é mais fácil valorizar o pecado!

>> Mentira e omissão

>> Pecados públicos = Penitências públicas

Exdirectora de consagradas del Regnum Christi funda nueva asociación en Chile

SANTIAGO, 25 Feb. 12 (ACI/EWTN Noticias) .- Malén Oriol, exdirectora de las consagradas del movimiento laico de los Legionarios de Cristo, el Regnum Christi, fundó en Chile la nueva asociación de vida consagrada femenina "Totus Tuus".
En un comunicado enviado hoy a ACI Prensa, el Departamento de Opinión Pública del Arzobispado de Santiago de Chile informa que el Arzobispo, Mons. Ricardo Ezzati, erigió, en su capilla privada, la nueva asociación con personalidad Oriol Malen (exdiretora do Regun Christi Feminina) canónica el día 22 de febrero.
Junto a Mons. Ezzati Andrello, también participaron de la ceremonia el Arzobispo Emérito de Santiago, Cardenal Francisco Javier Errázuriz, el sacerdote José Antonio Varas y el grupo de mujeres fundadoras venidas desde ocho países de Europa y América entre las cuales estaba Malén Oriol.
El Cardenal Errázuriz ha sido nombrado por el Arzobispo de Santiago para "acompañar a la Comunidad Totus Tuus" durante su primer año.
El texto del Arzobispado de Santiago señala además que "en respuesta a una consulta de Monseñor Ricardo Ezzati, acerca de la oportunidad de erigir canónicamente la Asociación ‘Totus Tuus’, a través de la Secretaría de Estado del Vaticano, Su Santidad el Papa Benedicto XVI, comunicó su ‘parecer favorable’".
Malén Oriol renunció hace pocos días a su cargo como asistente general del Director General de los Legionarios de Cristo para la vida consagrada femenina, junto a cerca de 30 consagradas del Regnum Christi.
En su carta, dirigida al Delegado Pontificio para la Legión de Cristo, Cardenal Velasio de Paolis, la exconsagrada de l Regnum Christi explicó que las renunciantes pidieron permiso a la Santa Sede para "vivir su consagración no como miembros del movimiento del Regnum Christi sino bajo la autoridad de un Obispo".
El nombre elegido para la nueva fundación, Totus Tuus, latín para "Todo Tuyo", coincide con el lema del Beato Papa Juan Pablo II, que hace referencia a su consagración personal a la Virgen María.
Mons. Ezzati, quien ha dado un hogar a la nueva comunidad, fue uno de los cinco visitadores nombrados por el Papa Benedicto XVI para investigar a la Legión de Cristo entre 2009 y 2010.
Por su parte, el Cardenal Errázuriz tiene amplia experiencia en el campo de la vida consagrada, ya que fue Secretario de la Congregación vaticana para los Institutos de Vida Consagrada y Sociedades de Vida Apostólica entre 1990 y 1996.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

I Domingo da Quaresma

Gn 9,8-15 1Pd 3,18-22 Mc 1,12-15

Pe. Valderi

Hoje nos encontramos no primeiro domingo da quaresma, tempo que a Igreja nos oferece para reflexão, arrependimento, penitência e conversão. Mas além disso, tempo de renovar nossas boas ações como atos de piedosa caridade aos irmãos e isto expressamos de forma mais concreta neste tempo na doação de esmola e nas obras de caridade.

O amor do criador por suas criaturas é insondavelmente grande, algo que nem podemos imaginar. Este amor de Deus é capaz de reunir todos os nossos pecados, blasfêmias, injurias, imoralidades, desavenças e esquecê-las ao ver nosso coração arrependido e sincero. É o que vemos de modo sublime e definitivo para a história do povo de Israel e que ouvimos nesta primeira leitura, onde Deus, tendo mandado o dilúvio sobre a terra por conta da vida pecaminosa e afastada de Dele, olha com compaixão por aqueles que estavam na barca e que temiam a Deus e por isso sela uma promessa de nunca mais enviar algo tão devastador para varrer os homens da terra.

Eis que vou estabelecer minha aliança convosco e com vossa descendência, com todos os seres vivos que estão convosco (v.8). A aliança que Deus firma com seu povo não é quebrada por parte Dele, pois Ele não pode contradizer a palavra proferida por Ele mesmo, por isso, Sua palavra é irrevogável. O que acontece é que a outra parte da aliança, ou seja, nós os homens, as vezes não conseguimos nos manter fiéis, conduzindo nossa vida a outros caminhos distantes daquele fixado por Deus. Somos esta descendência de Noé e daqueles que estavam com ele na barca, temos o compromisso de honrar nossa parte nesta aliança. Ele não é infiel e já prometeu não enviar outro desastre como o dilúvio, mas ainda temos que ser fiel a esta aliança.

Assim, como em outros momentos da história do Antigo Testamento, Deus reafirma este contrato com o povo para lhes mostrar que Seu imenso amor é tão forte que não o deixa abandonar suas criaturas mesmo elas cometendo os mais nefastos pecados. Este atributo divino de fidelidade eterna a Sua aliança firmada, nos deve consolar e também nos mover a sermos também fiéis. Claro que não temos a força de Deus, algo que é impossível, mas Ele nos fortalece para que possamos vencer as tentações e seguir firmes em Sua palavra, vivendo fielmente Seus mandamentos. Isto é o que devemos suplicar a Deus neste tempo, que Ele nos fortifique para lutarmos contra as inúmeras e diversas tentações do mal que nos rodeiam neste mundo. Por nós mesmos sabemos que somos fracos diante de determinada situação ou coisa que pode nos fazer descumprir a Palavra de Deus, por isso ser tão necessário pedir a Ele força para vencer o pecado e permanecer fiel a sua Aliança conosco.

Por outro lado, também precisamos fazer nosso esforço pessoal para vencer as tentações, ou seja, não somente esperar que Deus me auxilie com Sua força mas que eu me comprometa a tomar certas atitudes que não me deixem cativar pelo pecado. Assim contamos com a graça de Deus e Ele com nosso esforço pessoal para alcançarmos o reto caminho.

Padre Royo Marín escreveu assim a este propósito:

Inumeráveis são as vantagens de vencer a tentação, com a graça e ajuda de Deus. Por que humilha Satanás; faz resplandecer a glória de Deus; purifica nossa alma, enchendo-nos de humildade, arrependimento e confiança no auxílio divino; obriga-nos a estarmos sempre vigilantes e alertas, a desconfiarmos de nós mesmos, esperando tudo de Deus, a mortificar nossos gostos e caprichos; aumenta nossa experiência e nos torna mais circunspectos e precavidos na luta contra nossos inimigos.

(ROYO MARÍN, O.P., Antonio. Nada te perturbe, nada te espante. 3 ed. Madrid: Palabra, 1982, p.56-57)

Isto para nos deixar claro que podemos contar com a graça e o auxílio de Deus, mas também precisamos realizar nosso esforço em nos manter afastados do pecado, principalmente neste tempo quaresmal onde buscamos purificação interior para nos preparar adequadamente para a Páscoa de Nosso Senhor.

A maior cena de investida do demônio para fazer o homem pecar e assim quebrar sua aliança com Deus é nos dada exatamente por Jesus. Diz o evangelista que o Espírito levou Jesus para o deserto. E ele ficou no deserto durante quarenta dias, e aí foi tentado por Satanás (v.12).

“Nesse período, quis o Redentor contemplar o panorama completo da sua missão e como a santa Igreja haveria de manter os efeitos da Redenção até os últimos tempos, através dos Sacramentos”

(Mons. João Clã Dias EP. Revista Arautos do Evangelho. n.122, fevereiro de 2012. p.13)

Cristo quis passar por esta etapa antes de iniciar sua vida pública anunciando sua mensagem de salvação.

“Mostra-nos assim... que antes de lançar-se a [alguma atividade] é indispensável preparar-se pela oração e pela contemplação, pois a vida interior é a alma de toda a ação missionária [e também da vida cristã diária]”.

(Mons. João Clã Dias EP. Revista Arautos do Evangelho. n.122, fevereiro de 2012. p.13)

Não precisava, sendo Deus, se sujeitar as investidas do demônio para saber a influência que o mal exerce sobre o homem, mas queria esta experiência para mostrar aos homens que a tentação pode ser vencida com a oração e o sacrifícioJesus no deserto 2 pessoal. Diz Mateus que Ele jejuou durante quarenta dias e quarenta noites (4,2), ou seja, não somente orou mas também ofereceu um sacrifício no corpo para que também pudesse mostrar que as necessidades corporais não são reguladoras do homem, isto é, não podemos deixar que estas necessidades, sejam da ordem que for, comandem nossas atitudes. 

Saindo destes dias no deserto, Jesus passa a anunciar o Evangelho. Após quarenta dias de preparação Cristo se lança a comunicar aos homens e mulheres que o tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo (v.15a). Com a vinda de Cristo a plenitude dos tempos chegou e a hora da salvação se completou. Não temos mais que esperar como os judeus que aguardavam a vinda do Messias para sua libertação, pois o Salvador está entre nós, chegou o tempo e este não é prolongado, ou seja, não podemos esperar, é agora o momento da salvação, o momento de nosso arrependimento, de nossa conversão, de nossa mudança de vida. Convertei-vos e crede no Evangelho! (.v15b). Estas são as palavras com que Cristo abre este tempo de preparação quaresmal.

Nosso desejo de mudança de vida deve estar cheio de confiança em Deus, Ele conquistou através de Seu Sacrifico na Cruz as graças necessárias para nossa salvação e fez de Sua Igreja a dispensadora dessas graças. Vivamos este tempo com este empenho de mudança e com a confiança de que através da vivência dos sacramentos podemos viver a Páscoa de Cristo com a atitude de corpo e alma em conformidade com a vontade de Deus.

Assim seja.

São João de Ávila será proclamado Doutor da Igreja

De repente, ouve-se na igreja um soluço que mais parecia um rugido: um homem de grande porte sai do templo, onde predica o Pe. Mestre Ávila na festa de São Sebastião, dando fortes pancadas no peito compungido: era o futuro São João de Deus!

Esse foi um dos esplêndidos frutos da pregação ardente e sobrenatural de São João de Ávila, o qual figura entre os maiores santos espanhóis de sua época, com Santo Inácio de Loyola e Santa Teresa de Jesus. 

*    *    *

João de Ávila  (1) nasceu no ano de 1500 na pequena cidade de Almodóvar del Campo, na Diocese de Toledo. Seus pais, Alonso de Ávila e Catarina Xixón, eram "dos mais honrados e ricos do lugar". O pai descendia de "cristãos novos" (judeus convertidos). 

Precoce na inteligência e piedade, notava-se nele desde menino  uma já notável mortificação, muita propensão para a oração, devoção profunda ao Santíssimo Sacramento e um amor especial pelos pobres.   sao joao de avila

Aos 14 anos foi mandado para a famosa Universidade de Salamanca para estudar Direito. Não terminara ainda esse curso quando, sentindo um apelo especial de Nosso Senhor para Seu inteiro serviço, abandonou o estudo voltando para casa. Nela permaneceu três anos em grande recolhimento, oração, penitência e freqüência aos Sacramentos. Passava várias horas do dia em adoração diante do Sacrário.

Seu intenso amor de Deus dirigiu-o, enfim, ao sacerdócio, pelo desejo de atrair o maior números de pecadores a seu Criador. Continuou assim seus estudos na não menos famosa Universidade de Alcalá, onde foi discípulo do renomado Domingos de Soto, que predisse ao seu aluno um brilhante futuro.

No dia de sua ordenação, o  Pe. João de Ávila vestiu e serviu com as próprias mãos refeição a 12 mendigos em honra dos Apóstolos. Único herdeiro da grande fortuna dos  falecidos pais, vendeu tudo, distribuindo o obtido aos necessitados. Desde então passaria  a viver de esmolas. 

Começou então "uma vida austeríssima, de grande recolhimento e mortificação, dada à oração e favorecida com extraordinárias visões e revelações" (2). "Às mortificações do corpo, juntava as do espírito. Morria todos os dias para si mesmo pela prática de uma renúncia absoluta, de uma humildade profunda e de uma inteira obediência" (3). 

Apóstolo da Andaluzia

Sedento de almas, o jovem sacerdote dirigiu-se a Sevilha com o intuito de embarcar para as Índias, a fim de converter a multidão de pagãos que morria sem conhecer o verdadeiro Deus. Enquanto esperava a partida, um dia em que celebrava a Missa e pregava em uma paróquia da cidade, foi ouvido pelo Servo de Deus, Pe. Fernando de Contreras. Vendo o grande tesouro espiritual que se encerrava naquele sacerdote de aspecto humilde e mortificado, quis saber de quem se tratava. Conhecendo assim o projeto do Pe. João de Ávila, pediu o referido Pe. Fernando ao Grande Inquisidor que ordenasse ao sacerdote, em nome da santa obediência, que permanecesse na Espanha, onde poderia obter também imensos frutos. Dessa forma começava sua carreira apostólica o grande Apóstolo da Andaluzia.

"O Espírito Santo fala por sua boca"

Como pregador, o Pe. Ávila adquiriu logo grande renome. Escolheu São Paulo como modelo e patrono. Preparava-se para cada sermão com muita oração e penitência, a fim de obter que a graça divina o assistisse e a seus ouvintes. 

Aos poucos a fama do novo pregador espalhou-se por toda a Andaluzia. "Sua popularidade é extraordinária. Quando prega, lotam-se as igrejas e tem que fazer seus sermões nas praças públicas" (4). "Dir-se-ia que o Espírito Santo falava por sua boca, de tal modo seus sermões estavam cheios desses traços de fogo que convertem e mudam os corações. Ele retirava do vício aqueles que nele estavam enchafurdados, e confirmava no bem aqueles que não se tinham desviados das vias da justiça" (5).

Não é de admirar que, durante seus sermões  "até os rapazes que o ouviam, choravam; e quando terminava o sermão, era coisa maravilhosa ver as pessoas que o seguiam beijando-lhe as mãos e a roupa e mesmo os pés, se não houvera impedido" (6).

Os sermões do Pe. Mestre Ávila tornaram-se tão famosos, que as pessoas dirigiam-se já de madrugada às igrejas onde ia pregar, para obter um bom lugar. Às vezes, sendo pequena a igreja, ele tinha que pregar nas praças públicas. E, lotando-se estas, as pessoas subiam até nos telhados das casas para ouvi-lo, ficando por mais de duas horas presos às suas palavras.

Ante o Tribunal da Santa Inquisição

Naquela época em que toda a Europa era abalada por cismas e pseudo-reformadores, e na própria Espanha uma seita, a dos iluminados, sob aparências de alta virtude, enganava muita gente piedosa, o Santo Tribunal da Inquisição estava muito ativo para opor-se a qualquer novidade duvidosa. Fala a favor dessa instituição tão caluniada, o fato de que vários Santos, acusados por inimigos, foram a ela levados, julgados e, evidentemente, inocentados. Assim sucedeu com Santo Inácio de Loyola e com a grande Santa Teresa de Jesus.

Da mesma forma coube ao santo Mestre Pe. Ávila a glória de ser acusado por invejosos perante o temível Tribunal, e de permanecer nele preso enquanto corria seu processo. Nesse isolamento concebeu uma de suas mais famosas obras, Audi, Filia (Ouve, Filha) escrita para uma de suas dirigidas a quem desejava elevar a eminente santidade.

Evidentemente, foi comprovada a  inocência do Santo, fazendo tal evento brilhar mais sua ortodoxia.

Conselheiro de Prelados e correspondência com Santos

Para sustentar os inúmeros discípulos que se formaram a seu redor, o Pe. Mestre Ávila dedicava boa parte de seu tempo à correspondência e a escrever obras espirituais. 

Diz o grande teólogo Frei Luís de Granada que "as cartas lhe chegavam de todas as partes da Espanha. E, em seus últimos anos, era ele conselheiro nato de vários prelados, como o Arcebispo de Granada, D. Pedro Guerrero, D. Cristóbal de Rojas, bispo de Córdoba e D. Juan de Ribera, bispo de Badajoz e mais tarde arcebispo de Valência" (7). Este último seria também elevado à honra dos altares.

São João de Ávila manteve correspondência com quase todos os Santos espanhóis contemporâneos seus, como  São Pedro de Alcântara, Santo Inácio de Loyola, Santa Teresa de Jesus, São Francisco de Borja e São João de Ribeira.

Humildade do Santo em face de Santo Inácio

Se bem que o Pe. Mestre de Ávila tenha atraído muitos discípulos,  não formou ele nenhuma Ordem religiosa. Mas, ao conhecer melhor a Companhia de Jesus, disse ao jesuíta Pe. Villanueva: "Isso é o que eu andava atrás há tanto tempo. E agora dou-me conta de que não me saía porque Nosso Senhor havia encomendado esta obra a outro, que é vosso Inácio, a quem tomou por instrumento do que eu desejava fazer e não conseguia" (8). 

Santo Inácio o tinha em alta conta, escreveu-lhe diretamente, e ordenou aos seus representantes na Espanha –  inclusive a São Francisco de Borja que acabara de ser recebido na Companhia – que visitassem o Pe. Mestre de Ávila e tudo fizessem para atraí-lo para sua Ordem. O Mestre Ávila respondeu diretamente a Santo Inácio que estava disposto a nela entrar se não estivesse constantemente tão doente. Mas aconselhou a trinta dos seus melhores discípulos que o fizessem. Doou à Companhia de Jesus vários dos colégios por ele fundados, e quis ser enterrado na igreja da Ordem em Montilla.

Os jesuítas da Espanha tinham por ele grande veneração, consultavam-no em casos difíceis, e o assistiram em seu leito de morte.

Plêiade de discípulos admiráveis

Aos poucos, muitos discípulos, atraídos por sua santidade, haviam se reunindo em torno do Pe. Mestre Ávila. Inúmeros leigos, alguns da alta nobreza, também puseram-se sob sua direção. Houve casos, como o da Condessa Ana Ponce de León, em que não só a castelã, mas todas suas donzelas de serviço entregaram-se definitivamente a uma vida verdadeiramente religiosa. Três de suas convertidas, por ele dirigidas, morreram em odor de santidade, tendo sido favorecidas com grandes graças místicas.

Um outro grupo de discípulos seus, liderados pelo Servo de Deus Pe. Mateus de la Fuente, dedicou-se à vida contemplativa como solitários junto ao monte Tardón, restaurando depois na Espanha a primitiva Ordem de São Basílio. Outros ainda aderiram à reforma de Santa Teresa, vindo a tornar-se proeminentes Carmelitas Descalços. Um terceiro grupo, infelizmente, veio a ser o desgosto de sua vida. Entregues estes membros também à vida contemplativa, apesar das admoestações veementes e enérgicas do Santo --- que via o perigo que corriam por buscar o deleite espiritual pelo deleite em si -- dele se afastaram, acabando por seguir a seita dos iluminados e serem condenados pela Inquisição.

Vocação especial diante do sofrimento

A partir dos 50 anos, ou seja, nos últimos 19 anos de sua vida, o Pe. Mestre João de Ávila esteve sempre doente, algumas vezes impossibilitado mesmo de levantar-se, seja com alta febre, seja com terríveis dores renais (descobriram-se três pedras em seus rins, depois de sua morte). Nem por isso deixava de atender aos inúmeros visitantes ou de ditar cartas para os seus dirigidos. À primeira melhora, já estava no púlpito.

"Sua ânsia pelo martírio se satisfazia no leito de dor, e constantemente repetia: ‘Senhor meu! Cresça a dor, e cresça o amor, que eu me deleito em padecer’".  Quando as dores eram mais insuportáveis, bem espanholamente exclamava: "Senhor: mais mal, e mais paciência". E, também: "Fazei comigo, Senhor, como faz o ferreiro: mantende-me com uma mão, e batei-me fortemente com a outra" (9). 

Às dores abdominais, acrescentaram-se, nos meses anteriores à sua morte, outras agudíssimas no ombro e  lado esquerdo das costas. No mês de março, o médico, como verdadeiro católico, lhe disse: "Senhor, agora é o tempo em que os verdadeiros amigos digam as verdades: vossa reverendíssima está morrendo. Faça o que é necessário para a partida". O Pe. Mestre Ávila elevou os olhos ao céu numa súplica à Santíssima Virgem, e pediu em seguida os Sacramentos que recebeu com a mais tocante piedade.

Aos sacerdotes da Companhia de Jesus que acorreram junto ao seu leito de morte, perguntou: "Padres meus: o que costumam dizer aos que serão enforcados ou queimados quando os acompanham ao patíbulo?". Responderam eles: "Que ponham sua confiança em Deus e nEle  confiem". O moribundo então suplicou-lhes: "Meus padres, digam-me então muito isso" (10).

Na madrugada do dia 10 de maio de 1569, o Pe. Mestre João de Ávila foi receber no céu "o  prêmio demasiadamente grande que Deus reserva àqueles que O amam". A uma discípula foi revelado por um anjo que sua alma não passara pelo Purgatório, mas fora diretamente para o Céu (11).

Santa Teresa de Ávila,  que estava em Toledo na casa de Dona Luisa de la Cerda, quando recebeu a notícia  pôs-se a chorar copiosa e sentidamente. Às Irmãs que lhe perguntaram a razão desse tão profundo pranto, uma vez que o Pe. Mestre de Ávila deveria já estar gozando de Deus, respondeu: "Disso estou bem certa. Mas o que me dá pena é que a Igreja de Deus perde uma grande coluna, e muitas almas, um grande amparo que tinham nele, que a minha, apesar de estar tão longe, o tinha por causa disso obrigação" (12). 

Os desígnios de Deus são imperscrutáveis. Apesar de todos esses sinais e testemunhos universais de santidade, o Pe. Mestre Ávila só foi beatificado em 1894 ¾ portanto, mais de três séculos depois ¾ e  seria canonizado quase oitenta após a beatificação, em 1970!

Notas

1- Tomamos como base para este artigo a biografia que aparece nas Obras Completas del Santo Maestro Juan de Avila, de autoria dos Pes. Luís Sala Balust e Francisco Martin Hernandez (Biblioteca de Autores Cristianos, Madrid, 1970). Esse livro tem como fundamento a primeira biografia do mesmo escrita pelo célebre teólogo e místico dominicano espanhol, Frei Luís de Granada, seu amigo íntimo;  as declarações dos contemporâneos do Santo constantes nos processos visando sua beatificação; suas obras e correspondência. Para simplificação, as citações das mencionadas Obras Completas aparecerão como BAC e o número da página onde figuram.
2 - BAC, p. 37.
3 -  Les Petits Bollandistes, Vies des Saints,  Mgr Paul Guérin, Bloud et Barral, Libraires-Éditeurs, Paris, 1882, t. III, p. 292.
4 - BAC, p. 38.
5 - Les Petits Bollandistes, op. cit.,  p. 293.
6 - BAC, p. 38.
7 - BAC, pp. 264/265.
8 - Idem,  p.158.
9 - Idem,  p. 331.
10 - Idem, p. 334.
11 - Cfr. id., p. 339.
12 - Pe. Diego de Yepes, Vida, virtudes y milagros de la Bresa de Jesús , apud BAC, p. 340

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Artigo extraído de Frente Universitária e estudantil Lepanto

Sábado após Cinzas

Is 58,9b-14 Lc 5,27-32
Pe. Valderi
Neste dia de sábado após a celebração das Cinzas, nos encontramos com esta leitura de Isaías que não somente reproduz as palavras do Senhor ao povo de então, mas nos diz hoje algo sobre nosso reto proceder para alcançar suas graças.
O que Deus esta pedindo ao povo não se trata de mesquinharias, ou pelo contrário de algo impossível de se realizar. Se trata de deixar a omissão de certas coisas e deixar de realizar outras tantas que deformam a natureza humana além de desagradar a Deus e seu amor. De fato, nesta longa caminhada da vida acabamos nos adaptando a certos tipos de costumes artificias que são gerados instantaneamente como estar sempre preocupado com a última moda em roupa ou tecnologia até o cuidado exagerado de bens materiais e até de animais de estimação; coisas sem nenhum sentido de crescimento humano, apenas de prazer momentâneo, fútil ou que nos faz inverter valores humanos e cristãos. Isto nos acaba formando seres um pouco insensíveis principalmente a vida de nossos irmãos, principalmente quando falamos de nossos irmãos mais necessitados.
Em nossa sociedade ainda vemos muitas pessoas presas a estruturas opressoras, sejam no corpo ou no espírito. OpressãoMaos dadas no corpo priva qualquer ser humano de seu valor fundamental, a liberdade, pois o obriga a realizar ou a viver de modo indesejável a sua vontade, as vezes simplesmente em benefícios de terceiros. Por isso Deus clama ao povo, se destruíres teus instrumentos de opressão, e deixares os hábitos autoritários... (v.9b), deste modo conseguiremos não somente o beneplácito de Deus, mas também o alívio de tantos irmãos e irmãs. A opressão no espírito pode ser mais comum de que podemos imaginar, pois se trata daquele estado em que defronte a determinado vício ou pecado uma pessoa não consegue por suas forças reagir, mesmo tendo a consciência de que é necessário escapar deste beco, escuro onde a Luz de Deus é impedida de chegar. Alguém neste estado pode estar doente espiritualmente, oprimida por algum pecado cometido e que por mais que tenha recebido o perdão, não consegue o alívio de consciência. Por estes não somente é necessário orar, mas descobrindo quem são chegar caridosamente junto deles e lhes oferecer conforto e ajuda, mesmo que se trate simplesmente de oferecer a amizade. Também pode ser motivo de alguma opressão espiritual algum sentimento de culpa por algo ou alguém.
O Senhor ainda pede que deixemos a linguagem maldosa (v.9b). De fato, Tiago já nos alerta dos perigos da língua e do que sai dela, a linguagem maldosa é fruto de nosso descuido da personalidade, ou seja, sabendo como sou não posso deixar a língua produzir tudo que se passa na mente, ao menos sem antes refletir. Também faz parte de nosso exercício cristão nesta quaresma, mortificar a língua, isto é, observar com mais atenção o que falo e para quem falo. Sempre existe algo para nos corrigirmos e também ao contrário observar aquilo que poderia falar mas negligentemente não falo.
O Senhor igualmente orienta ao povo que respeitando a Lei estabelecida por Ele, a honrando devidamente, então deleitaremos no Senhor. Vivendo corretamente os mandamentos e honrando estas leis estabelecidas a Seus filhos Ele irá nos transportar sobre as alturas da terra e desfrutar a herança de Jacó (v.14).

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

O silêncio da criação

Nada foi mais inesperado e terrível. Os homens, mulheres e crianças viram apenas um homem, mas a criação toda, desde as pedrinhas mais ínfimas até o recondido mais oculto do universo sentiu o abalo que haveria de mudar a relação da existência do universo inteiro. O criador de tudo viu Seu Filho… Se viu, chagado até o extremo de suas forças. Todo ensanguentado viu sair de suas feridas o líquido da vida, líquido que ele mesmo criou e deu finalidade. Líquido que quis se tornasse o “óleo” vital para o corpo do homem.

Deus Eterno, Criador do universo, não consigo imaginar toda a angústia humana que deve ter sentido, toda dor em seu corpo dilacerado por aquele que criaste. Peço-te, dai a mim e a todos os homens e mulheres como a toda a criação a graça de sentir ao menos um “arranhão” do sofrimento que passaste, para que tenhamos mais amor e contrição contemplando sua oferta ilógica por nós, mas perfeita para Vós.

O universo silenciou… é Cristo que deu seu último suspiro antes de – temporariamente – morrer. Pôde um dia a criação Sua imaginar presenciar esta cena, o Rei do Universo deitar Sua cabeça e suspirar entregando Seu espírito ao Pai a maneira de seres mortais como nós?!

O silêncio da criação se fez, e nunca mais irá se repetir visto que Cristo padeceu uma vez para sempre pela corrupção de toda a criação. É fato único e extemamente terrível. É certo que nunca teremos algo parecido em nossos tempos, mas o fato inédito, único, irrepetível e perfeito, trouxe a todos nós algo que nada que venha da própria criação poderá um dia trazer: a possibilidade de entrar no Estado Eterno, onde Deus está, onde Sua divindade preenche cada espaço, onde não mais faremos silêncio de assombro, mas de plena graça em Deus.

Meu criador, meu Redentor. Queria carregar eu tuas dores, mas sou tão fraco e sujeito a desistência que não ouso te pedir tamanho compromisso, mesmo sabendo da felicidade que sentiria. Traze-me sobre o coração ao menos os sentimentos de tua Mãe Maria que viu e viveu Seu padecimento junto da cruz. Quero estar contigo nesta hora, abraçar tua cruz, sentir as lágrimas de Maria caindo ao chão e até morrer junto com a dor de saber de Vós, sofredor pelos homens que as vezes são tão pecadores. Olha pela criação inteira e cobre-a com sua existência sustentadora. Assim seja, meu Deus e Criador.

Via Sacra: caminho de dor e amor

Amados irmãos e irmãs,

Esta noite, na fé, acompanhámos Jesus, que percorre o último trecho do seu caminho terreno, o trecho mais doloroso: o do Calvário. Ouvimos o alarido da multidão, as palavras da condenação, o ludíbrio dos soldados, o pranto da Virgem Maria e das outras mulheres. Agora mergulhámos no silêncio desta noite, no silêncio da cruz, no silêncio da morte. É um silêncio que guarda em si o peso do sofrimento do homem rejeitado, oprimido, esmagado, o peso do pecado que desfigura o seu rosto, o peso do mal. Esta noite, no íntimo do nosso coração, revivemos o drama de Jesus, carregado com o sofrimento, o mal, o pecado do homem.

E agora, que resta diante dos nossos olhos? Resta um Crucificado; uma Cruz levantada no Gólgota, uma Cruz que parece determinar a derrota definitiva d’Aquele que trouxera a luz a quem estava mergulhado na escuridão, d’Aquele que falara da força do perdão e da misericórdia, que convidara a acreditar no amor infinito de Deus por cada pessoa humana. Desprezado e repelido pelos homens, está diante de nós o «homem de dores, afeito ao sofrimento, como aquele a quem se volta a cara» (Is 53, 3).

Mas fixemos bem aquele homem crucificado entre a terra e o céu, contemplemo-lo com um olhar mais profundo, e descobriremos que a Cruz não é o sinal da vitória da morte, do pecado, do mal, mas o sinal luminoso do amor, mais ainda, da imensidão do amor de Deus, daquilo que não teríamos jamais  podido pedir, imaginar ou esperar: Deus debruçou-Se sobre nós, abaixou-Se até chegar ao ângulo mais escuro da nossa vida, para nos estender a mão e atrair-nos a Si, levar-nos até Ele. A Cruz fala-nos do amor supremo de Deus e convida-nos a renovar, hoje, a nossa fé na força deste amor, a crer que em cada situação da nossa vida, da história, do mundo, Deus é capaz de vencer a morte, o pecado, o mal, e dar-nos uma vida nova, ressuscitada. Na morte do Filho de Deus na cruz, há o gérmen de uma nova esperança de vida, como o grão de trigo que morre no seio da terra.

Nesta noite carregada de silêncio, carregada de esperança, ressoa o convite que Deus nos dirige através das palavras de Santo Agostinho: «Tende fé! Vireis a Mim e haveis de saborear os bens da minha mesa, como é verdade que Eu não recusei saborear os males da vossa mesa... Prometi-vos a minha vida... Como antecipação, franqueei-vos a minha morte, como que para vos dizer: Convido-vos a participar na minha vida... É uma vida onde ninguém morre, uma vida verdadeiramente feliz, que oferece um alimento incorruptível, um alimento que restabelece e nunca acaba. A meta a que vos convido... é a amizade como o Pai e o Espírito Santo, é a ceia eterna, é a comunhão comigo ... é participar na minha vida» (cf. Discurso 231, 5).

Fixemos o nosso olhar em Jesus Crucificado e peçamos, rezando: Iluminai, Senhor, o nosso coração, para Vos podermos seguir pelo caminho da Cruz; fazei morrer em nós o «homem velho», ligado ao egoísmo, ao mal, ao pecado, e tornai-nos «homens novos», mulheres e homens santos, transformados e animados pelo vosso amor.

Bento XVI

Monte Palatino
Sexta-feira Santa, 22 de Abril de 2011

 

PRIMEIRA ESTAÇÃO
Jesus é condenado à morte

SEGUNDA ESTAÇÃO
Jesus é carregado com a Cruz

TERCEIRA ESTAÇÃO
Jesus cai pela primeira vez

QUARTA ESTAÇÃO
Jesus encontra sua Mãe

QUINTA ESTAÇÃO
Jesus é ajudado por Simão Cireneu
a levar a Cruz

SEXTA ESTAÇÃO
A Verônica limpa o rosto de Jesus

SÉTIMA ESTAÇÃO
Jesus cai pela segunda vez

OITAVA ESTAÇÃO
Jesus encontra as mulheres de Jerusalém
que choram por Ele

NONA ESTAÇÃO
Jesus cai pela terceira vez

DÉCIMA ESTAÇÃO
Jesus é despojado das suas vestes

DÉCIMA PRIMEIRA ESTAÇÃO
Jesus é pregado na Cruz

DÉCIMA SEGUNDA ESTAÇÃO
Jesus morre na Cruz

DÉCIMA TERCEIRA ESTAÇÃO
Jesus é descido da Cruz
e entregue a sua Mãe

DÉCIMA QUARTA ESTAÇÃO
Jesus é depositado no sepulcro

MEDITAÇÕES E ORAÇÕES DE

Sua Eminência Reverendíssima
o Senhor Cardeal
CAMILLO RUINI

Sexta-feira Santa de 2010

Sexta-feira após Cinzas

Is 58, 1-9a Mt 9,14-15
Pe. Valderi
Hoje, primeira sexta-feira da quaresma, temos o dia que tradicionalmente se opta por fazer o jejum ou abstinência de algum alimento que normalmente seria o principal de nossas refeições. Este jejum deve ser praticado com a consciência clara a respeito de seu significado. O jejum deve ser encarado como uma forma de piedade que nos faz sentir o sofrimento que Cristo passou em sua agonia, mas também a privação que muitos irmãos nossos passam, nas ruas ou em suas casas.
Primeiramente a dor de Cristo se faz mais viva em nós quando sentimos algo no corpo que o faz se incomodar, o jejum de carne ou outro alimento igualmente apetitoso a nosso paladar, nos facilita esta experiência de sofrimento. Não que iremos sofrer com apenas uma abstinência de carne, mas este simples gesto nos traz a mente os padecimentos de Cristo e isto já pode ser o suficiente para nos movermos até mais próximo de nossa total conversão a Cristo.Jejum
Depois, este jejum nos aproxima ou nos faz recordar de nossos irmãozinhos que carecem deste alimento que por piedade nos abstemos. Não se trata apenas de lembrar piedosamente deles, mas de agirmos em prol destes, isto é quaresma, momento de ação movida pela fé. Sabemos qual caridade devemos fazer e a quem devemos fazer, então porque ainda exitamos?
Deus falou ao povo de Israel sobre qual o verdadeiro jejum que o agrada: quebrar as cadeias injustas, desligar as amarras do jugo, tornar livres os que estão detidos, enfim, romper todo tipo de sujeição... repartir o pão com o faminto, acolher em casa os pobres e peregrinos (vv.6-7). O jejum de que hoje falamos é desfigurado de qualquer sentido cristão se não é feito pelo espírito da caridade, mesmo aquele jejum que faço em casa, longe dos outros olhos, mas não longe dos olhos de Deus.
O jejum também é sinal de espera pelo noivo que esta por vir. Por isso Jesus responde no evangelho aos discípulos de João dizendo que como poderiam estar jejuando enquanto o noivo esta com eles? Era comum naquele tempo, como nos informam alguns pesquisadores, os convidados de uma festa de casamento não tocarem em nada dos alimentos enquanto o noivo não aparecesse na festa, ou seja, enquanto esperavam apenas vigiam sua vinda. Jesus é o noivo, e os discípulos são os primeiros convidados para esta boda. A igreja espera ansiosa o retorno do Noivo que partir com a promessa de sua segunda vinda. Por isso, fazemos o jejum, na espera do noivo que há de vir.
O jejum se torna tristeza pela ausência do noivo, mas também motivo de vigilância ansiosa por seu retorno. Retorno que deve nos encontrar prontos e penitenciados, ou seja, com o coração sereno por ter realizado as obras possíveis em vista do convite para a festa eterna das bodas.
Ouçamos as palavras inspiradoras do papa São Leão Magno: o que todo cristão deve fazer em qualquer tempo, agora deve fazê-lo com mais atenção e com mais devoção.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Discurso de Bento XVI durante o Consistório Ordinário Público para a criação de 22 novos Cardeais

«Tu es Petrus, et super hanc petram ædificabo Ecclesiam meam».

Venerados Irmãos,
Amados irmãos e irmãs!

Com estas palavras do cântico de entrada, teve início o rito solene e sugestivo do Consistório Ordinário Público para a criação dos novos Cardeais, que inclui a imposição do barrete cardinalício, a entrega do anel e a atribuição do título. Trata-se das palavras com que Jesus constituiu, eficazmente, Pedro como firme alicerce da Igreja. E o factor qualificativo deste alicerce é a fé: realmente Simão torna-se Pedro – rocha – por ter professado a sua fé em Jesus, Messias e Filho de Deus. Quando anuncia Cristo, a Igreja está ligada a Pedro, e Pedro permanece colocado na Igreja como rocha; mas, quem edifica a Igreja, é o próprio Cristo, sendo Pedro um elemento particular da construção. E deve sê-lo por meio da fidelidade à sua confissão feita junto de Cesareia de Filipe, ou seja, em virtude da afirmação: «Tu és Cristo, o Filho de Deus vivo».

As palavras, que Jesus dirige a Pedro, põem claramente em destaque o carácter eclesial da celebração de hoje. De facto, através da atribuição do título duma igreja desta Cidade [de Roma] ou duma diocese suburbicária, os novos Cardeais ficam, para todos os efeitos, inseridos na Igreja de Roma guiada pelo Sucessor de Pedro, para cooperar estreitamente com ele no governo da Igreja universal. Estes dilectos Irmãos, que dentro de momentos começarão a fazer parte do Colégio Cardinalício, unir-se-ão, por vínculos novos e mais fortes, não só com o Pontífice Romano mas também com toda a comunidade dos fiéis espalhada pelo mundo inteiro. Com efeito, no desempenho do seu peculiar serviço de apoio ao ministério petrino, os neo-purpurados serão chamados a analisar e avaliar os casos, os problemas e os critérios pastorais que dizem respeito à missão da Igreja inteira. Nesta delicada tarefa, servir-lhes-á de exemplo e ajuda o testemunho de fé prestado pelo Príncipe dos Apóstolos, com a sua vida e morte, pois, por amor de Cristo, deu-se inteiramente até ao sacrifício extremo.

É com este significado que se deve entender também a imposição do barrete vermelho. Aos novos Cardeais, é confiado o serviço do amor: amor a Deus, amor à sua Igreja, amor aos irmãos com dedicação absoluta e incondicional – se for necessário – até ao derramamento do sangue, como diz a fórmula para a imposição do barrete cardinalício e como indica a cor vermelha das vestes que trazem. Além disso, é-lhes pedido que sirvam a Igreja com amor e vigor, com a clareza e a sabedoria dos mestres, com a energia e a fortaleza dos pastores, com a fidelidade e a coragem dos mártires. Trata-se de ser servidores eminentes da Igreja, que encontra em Pedro o fundamento visível da unidade.

No texto evangélico há pouco proclamado, Jesus apresenta-Se como servo, oferecendo-Se como modelo a imitar e a seguir. No cenário de fundo do terceiro anúncio da paixão, morte e ressurreição do Filho do Homem, sobressai, pelo seu clamoroso contraste, a cena dos dois filhos de Zebedeu, Tiago e João, que, ao lado de Jesus, ainda correm atrás de sonhos de glória. Pediram-Lhe: «Concede-nos que, na tua glória, nos sentemos um à tua direita e outro à tua esquerda» (Mc 10, 37). Contundente é a resposta de Jesus, e inesperada a sua pergunta: «Não sabeis o que pedis. Podeis beber o cálice que Eu bebo?» (Mc 10, 38). A alusão é claríssima: o cálice é o da paixão, que Jesus aceita para cumprir a vontade do Pai. O serviço a Deus e aos irmãos, a doação de si mesmo: esta é a lógica que a fé autêntica imprime e gera na nossa existência quotidiana, mas que está em contradição com o estilo mundano do poder e da glória. 

Com o seu pedido, Tiago e João mostram que não compreendem a lógica de vida que Jesus testemunha, aquela lógica que deve – segundo o Mestre –caracterizar o discípulo no seu espírito e nas suas acções. E a lógica errada não reside só nos dois filhos de Zebedeu, mas, segundo o evangelista, contagia também «os outros dez» apóstolos, que «começaram a indignar-se contra Tiago e João» (Mc 10, 41). Indignam-se, porque não é fácil entrar na lógica do Evangelho, deixando a do poder e da glória. São João Crisóstomo afirma que ainda eram imperfeitos os apóstolos todos: tanto os dois que procuravam obter precedência sobre os outros dez, como os dez que tinham inveja dos dois (cf. Comentário a Mateus, 65, 4: PG 58, 622). E São Cirilo de Alexandria, ao comentar passagens paralelas no Evangelho de Lucas, acrescenta: «Os discípulos caíram na fraqueza humana e puseram-se a discutir uns com os outros qual deles seria o chefe, ficando superior aos outros. (…) Isto aconteceu e foi-nos narrado para nosso proveito. (…) O que sucedeu aos santos Apóstolos pode revelar-se, para nós, um estímulo à humildade» (Comentário a Lucas, 12, 5, 24: PG 72, 912). Este episódio deu ocasião a Jesus para Se dirigir a todos os discípulos e «chamá-los a Si», de certo modo para os estreitar a Si, a fim de formarem como que um corpo único e indivisível com Ele, e indicar qual é a estrada para se chegar à verdadeira glória, a de Deus: «Sabeis como aqueles que são considerados governantes das nações fazem sentir a sua autoridade sobre elas, e como os grandes exercem o seu poder. Não deve ser assim entre vós. Quem quiser ser grande entre vós, faça-se vosso servo, e quem quiser ser o primeiro entre vós, faça-se o servo de todos» (Mc 10, 42-44).

Domínio e serviço, egoísmo e altruísmo, posse e dom, lucro e gratuidade: estas lógicas, profundamente contrastantes, defrontam-se em todo o tempo e lugar. Não há dúvida alguma sobre a estrada escolhida por Jesus: e não Se limita a indicá-la por palavras aos discípulos de ontem e de hoje, mas vive-a na sua própria carne. Efectivamente explica: «Também o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua via em resgate por muitos» (Mc 10, 45). Estas palavras iluminam, com singular intensidade, o Consistório público de hoje. Ecoam no fundo da alma e constituem um convite e um apelo, um legado e um encorajamento especialmente para vós, amados e venerados Irmãos que estais para ser incluídos no Colégio Cardinalício.

Segundo a tradição bíblica, o Filho do Homem é aquele que recebe de Deus o poder e o domínio (cf. Dn 7, 13-14). Jesus interpreta a sua missão na terra, sobrepondo à figura do Filho do Homem a imagem do Servo sofredor descrita por Isaías (cf. Is 53, 1-12). Ele recebe o poder e a glória apenas enquanto «servo»; mas é servo na medida em que assume sobre Si o destino de sofrimento e de pecado da humanidade inteira. O seu serviço realiza-se na fidelidade total e na plena responsabilidade pelos homens. Por isso, a livre aceitação da sua morte violenta torna-se o preço de libertação para muitos, torna-se o princípio e o fundamento da redenção de cada homem e de todo o género humano.

Amados Irmãos que estais para ser inscritos no Colégio Cardinalício! Que a doação total de Si mesmo, feita por Cristo na cruz, vos sirva de norma, estímulo e força para uma fé que actua na caridade. Que a vossa missão na Igreja e no mundo se situe sempre e só «em Cristo» e corresponda à sua lógica e não à do mundo, sendo iluminada pela fé e animada pela caridade que nos vem da Cruz gloriosa do Senhor. No anel que daqui a pouco vos entregarei, aparecem representados São Pedro e São Paulo e, no centro, uma estrela que evoca Nossa Senhora. Trazendo este anel, sois convidados diariamente a recordar o testemunho de Cristo que os dois Apóstolos deram até ao seu martírio aqui em Roma, tornando assim fecunda a Igreja com o seu sangue. Por sua vez a evocação da Virgem Maria constituirá para vós um convite incessante a seguir Aquela que permaneceu firme na fé e serva humilde do Senhor.

Ao concluir esta breve reflexão, quero dirigir a minha grata e cordial saudação a todos vós aqui presentes, particularmente às Delegações oficiais de diversos Países e aos Representantes de numerosas dioceses. No seu serviço, os novos Cardeais são chamados a permanecer fiéis a Cristo, deixando-se guiar unicamente pelo seu Evangelho. Amados irmãos e irmãs, rezai para que possa reflectir-se ao vivo neles o Senhor Jesus, o nosso único Pastor e Mestre e a fonte de toda a sabedoria que indica a estrada a todos. E rezai também por mim, para que sempre possa oferecer ao Povo de Deus o testemunho da doutrina segura e reger, com suave firmeza, o timão da santa Igreja.  

[© Copyright 2012 - Libreria Editrice Vaticana]

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Os pilares da doutrina Católica

Ótimo vídeo, recomendado para todos que desejam entender uma básica estrutura da Doutrina da Igreja Católica.

Fonte: www.youtube.com/santaigreja

Quinta-feira após Cinzas

Dt 30,15-20 Lc 9,22-25

Pe. Valderi

O Senhor fala ao povo mostrando que aquele que deseja a vida somente a conseguirá junto de Deus, vivendo conforme Sua vontade, pois deste modo pode nutrir-se daquele que é o autor da vida, fonte dela e também fim da existência. O meio que o próprio Deus nos deixou foram seus mandamentos. Leis bem claras que abrangem tudo aquilo que o ser humano precisa viver e evitar para viver segundo a vontade do Criador, normas redigidas pela palavra de Deus que nos querem orientar para não deturpar a própria natureza de nosso corpo e de nossa alma.

Vos propus a vida e a morte, a benção e a desgraça (v.19), Ele com seus mandamentos nos mostra o caminho da vida e ao mesmo tempo nos alerta que a caminho da morte pode ser opção para aquele que desdenhar estes mandamentos julgando-os desnecessários para sua vida.Tome sua cruz

Jesus anuncia sua páscoa como preparação para seus discípulos. Preparação que nós, neste tempo quaresmal fazemos, e o queremos aproveitar visto que o momento pode ser este e nenhum outro, lembremos de Paulo quando diz este é o tempo favorável (2Cor 6,2). Visamos a Páscoa de Cristo, mas antes é necessário haver de nossa parte um tempo de recolhimento interior, onde podemos entrar em nós e vasculhar coisas novas e velhas a fim de encontrar o que ainda nos trava para a vida de santidade. Este tempo serve muito para isso e também para uma renovada adesão de fé, reconhecendo a Deus como único Senhor do universo, a Jesus como Seu Filho Unigênito e Seu Espírito Santo santificador.

Esta vida renovada em Deus nos impele a entender melhor o seguimento de Cristo, pois ele requer renúncia de si mesmo, ou seja, renúncia de minhas preferências pessoais, gostos que as vezes impede Cristo de reger minha vida, renúncia de ideias que fazem com que eu me afaste sempre mais da obediência a Igreja de Deus, renúncia a prazeres da carne que me levam a amar mais as pessoas que a Deus ou a fazê-las de simples objeto de minhas vontades. Tomar a cruz e seguir a Cristo requer a renúncia mas também a acolhida do sofrimento, daquilo que as vezes me faz sofrer e daquilo que inevitavelmente surge mas que gostaria que não aparecesse. Tomar a cruz a cada dia me faz nunca esquecer que o sofrimento da vida presente me faz andar com Cristo que padeceu por nossa salvação.

Chaves a favor da vida

A vida merece ser denfendida por todos. Graças a Deus, vemos muitas pessoas do meio artístico e político que não temem se pronunciar a favor da vida e contra o aborto.

Este ator, Roberto Bolaños, o famoso Chespirito – o Chaves –, que embalou muitas risadas de minha infância como de muitos, se alinha com estes vários homens e mulheres que protestam contra o “favoritismo legal pela morte”.

Cátedra de Pedro: nossa fé, nosso amor, nossa obediência

bento xvi tronoTu és o Cristo, Filho do Deus vivo (Mt 16,16). Esta é a cof issão de Pedro, palavras que brotaram não de sua simples inteligencia humana ou de sua vontade mas da inspiração dada por Deus. Esta confissão de Pedro reuni a profissão de fé da Igreja, estamos sempre prontos a dizer ao mundo a real identidade de Cristo, o Filho do Deus vivo. Neste m undo que ainda precisa urgentemente de vozes que proclamem a identidade de Jesus, encontramos em Pedro a pessoa que nos dá o exemplo e assume o fronte no anúncio desta verdade de fé. Pedro, de sua Cátedra, hoje sentada por nosso querido Bento XVI, diz ao mundo, cristão e não-cristão, crente e não crente, que Deus enviou seu Filho (Gl 4,4) para tirar do estado de pecado toda a humanidade.

Catedra de PedroMuitos ataques resoam pelas bocas ávidas por notoriedade, cheias de vaidade e malidicência imaginando que possam algum dia macular a imagem desta Pedra (Cefas) que Jesus nos deixou para guiar sua Igreja. A estes polemizadores de “churruminos” devemos dispensar nossas mais misericordiosas orações por mentes tão torpes que inundam suas almas num abismo de lama. Mas devemos responder como bravos cristãos, filhos desta Igreja guiado com humildade e na verdade por nosso Santo Padre, o “doce Cristo na terra” (Santa Catarina de Sena).

Encontramo-nos em tempo de reafirmar nossa adesão filial a Pedro, pois podemos hoje ver com mais clareza a postura fundamental para a Igreja católica deste homem humilde e fraco em seu corpo, mas forte e poderoso em sua fé e em seu comando. Amamos o Papa e queremos que todos o amem, pois o amor a ele nos leva a amar a Deus em Sua Igreja, caminho seguro para o Reino dos Céus. Muitos santos morreram declarando seu amor incondissional ao Papa, lembro de São Bosco que sempre demonstrava que seu coração era de Jesus Eucarístico, Maria e do Papa. Nosso coração pode comportar estes três sem medo de sobrepor o amor exclusivo a Deus. Na verdade, com eles chegaremos certamente a Morada Eterna.

Jesus entrega chaves a Pedro A profissão de fé de Pedro em Jesus foi fundamental para que o Senhor pussesse em Pedro o cargo de guia de Sua Igreja: Tu és Cefas, e sobre esta pedra edificarei minha Igreja, e as forças do inferno não poderão vencê-las (Mt 16,18), e, apesar das fraquezas humanas de Pedro, a fé dele em Cristo o permitiu guiar, ensinar e santificar todo o povo cristão. O poder transmitido a Pedro por Jesus permanece inabalável até os dias de hoje, Bento XVI goza das mesmas prerrogativas de Pedro por isso ele é Pedro onde Cristo edifica Sua Igreja, aquele que tem as chaves do Reino dos Céus (Mt 16,19), ou seja, que é ponte (pontífice) entre nós e o Reino. Mesmo que temamos as forças do inferno e seus capatazes, encontramos quem os pode resistir, porto seguro onde encontramos refúgio certo contra estas forças que vivem para as almas.

Mesmo diante da clara nomeação de Pedro como chefe de Sua Igreja há quem ainda duvide da autoridade do Papa sobre o cuidado de todo o rebanho de Cristo. Havendo perguntado três vezes a Pedro se ele O amava, Jesus pede, cuida de minhas ovelhas (Jo 20,17) o Senhor pede a Pedro que apascente e cuide para que nunca falte alimento que nutre seu rebanho, a eucaristia, nem falte o ensinamento necessário, a pregação da palavra, mas também que nunca falte o amor para com Suas ovelhas, a caridade. Hoje vemos tudo isto em Bento XVI, nosso amado papa, que a cada pronunciamento e cada viagem que faz podemos olhar e ver a figura de Pedro que tem sempre diante de si a incumbência dada pelo próprio Jesus: cuida de minhas ovelhas.

Neste dia e sempre reafirmemos nosso amor ao Santo Padre, nossa obediência filial, para juntos com ele professarmos nossa fé em Jesus o Filho do Deus vivo.

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Catequese sobre o Papa

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Quarta-feira de Cinzas

Jl 2,12-18 2Cor 5,20-6,2 Mt 6,1-6.16-18

Pe. Valderi

Hoje iniciamos um dos momentos mais fortes de nosso ano litúrgico, começamos a Quaresma, tempo muito propício para reatarmos nossa vida com Deus, momento ideal para fazermos uma verdadeira faxina em nosso espírito e o momento não é outro, é agora o momento favorável, é agora o dia da salvação (2Cor 6,2). Estimados irmãos, não podemos nos fiar no tempo que gozamos sobre a terra, somos neste dia interpelados sobre a urgência do arrependimento dos pecados e conversão verdadeira a Deus. Limpemos de nossa mente a ideia comoda de que tenho muito tempo pela frente para reatar-me com Deus e também para viver Sua Vontade. Vivamos estes dias sabendo que é agora o dia da salvação!Bento XVI Imposicao das cinzas

Desde muito cedo, ao eleger seu povo, Deus exorta para que se arrependam de seus pecados, pois quer que todos possam alcançar a vida da Graça, ou seja, aquele estado de vida onde somente se age, pensa, senti e fala com Deus. Por isso, insiste com o povo que façam jejuns, orações e sacrifícios pessoais para ter vossos corações voltados somente ao Senhor. Deus quer ver nossa atitude humilde e arrependida para que possa derramar sua misericórdia sobre o povo. O povo de Israel sofria com a dominação de outros povos, mas mesmo assim o povo fez penitência para que Deus os pudesse perdoar de seus pecados e os livrar de seus dominadores.

O ser humano sempre vai ter a tendencia de pedir ajuda sem ao menos pensar no seu merecimento pessoal. Em meio a nossas dificuldades sempre é mais fácil reclamar daqueles que não nos ajudam ou mesmo de Deus do que se portar como este povo, que mesmo estando injustamente dominado agiu penitentemente para depois suplicar a Deus sua ajuda. Primeiro mostrou com o corpo, com a vida, sua atitude humilde de confiança em Deus, assim o Senhor olhou com zelo por seu povo e os perdoou (cf. Jl 2,18). Nesta quaresma todos iniciam com o propósito de esforço para ser um pouco melhor do que antes, e é louvável, mas a quaresma exige mais, exige que procure fazer algo que costumeiramente seria de muito sacrifício para mim, ou seja, algo que normalmente não gosto de fazer. Mas mesmo este pequeno sacrifício precisa estar livre de intenções dúbias para que realmente seja agradável a Deus como penitencia pessoal neste tempo. Digo isto, para que não se faça algo por penitencia sendo de fato alguma prazerosa. Precisamos oferecer a Deus nosso esforço para Lhe mostrar nosso arrependimento dos pecados e assim poder receber seu perdão. Claro que nosso arrependimento e conversão estará completa com uma perfeita aproximação do sacramento da confissão.

Neste caminho quaresmal também somos presas fáceis de nossos vícios e tentações. Jesus nos fala em seu evangelho para que tenhamos cuidado para não praticar a justiça na frente dos homens (v.1). É uma situação muito tentadora para aquele que normalmente esta sendo visto pelos outros. Mas de que adianta me preocupar com a visibilidade de minhas obras espirituais senda que elas tem como objetivo serem vistas apenas por Deus? E acaso Deus as verá com bons olhos sabendo que preocupei-me mais com os outros do que com os olhos Dele? Nossa fé deve assumir esta importante característica, a de ser discretos na execução de nossas obras de caridade e justiça.

Cuidar para não praticar as virtudes somente na frente dos outros a fim de ser aplaudido por eles, é no silêncio que devemos mostrar a Deus nossa fé através de atos, ou seja, do exercício das virtudes. Dar esmola, orar pelos irmãos necessitados, orar pelos defuntos e jejuar são manifestações de nossa fé e de nossa intenção sincera de conversão. Também nestes atos devemos agir corretamente, pois nem sempre por ter um efeito bom o ato primeiro é justificado, por exemplo, mentir e enganar alguém para fazer o bem a outra pessoa. O Catecismo da Igreja Católica nos fala claramente disso: o fim não justifica os meios. Quando se acrescenta uma intenção má, o ato bom em si torna-se mau (CIC 1753).

A conversão cristã pode ser manifestada de várias formas, mesmo tendo estas formas mais exaltadas nas escrituras: esmola, jejum e penitência. A conversão se realiza na vida cotidiana por meio de gestos de reconciliação, do cuidado dos pobres, do exercício e da defesa da Justiça e do direito, pela confissão das faltas aos irmãos, pela correção fraterna, pela revisão de vida, pelo exame de consciência pela direção espiritual, pela aceitação dos sofrimentos, pela firmeza na perseguição por causa da justiça. Tomar sua cruz, cada dia, seguir a Jesus é o caminho mais seguro da penitencia (CIC 1435). Todos temos muitos meios de expressar a Deus e a nós mesmos nossa atitude nesta quaresma de arrependimento e penitência, não nos acovardemos diante deste apelo que a Igreja nos faz para que tenhamos o coração preparado para celebrar a Paixão, morte e Ressurreição de Cristo.

Oracao Menina Caríssimos irmãos. Nossa oração é o princípio do nosso exercício de conversão. Ouçamos a voz de Cristo no evangelho: quando orardes, não sejais como os hipócritas, que gostam de rezar em pé, nas sinagogas e nas praças, para serem vistos pelos homens. Sabendo como deve ser nossa oração tentemos neste tempo torná-la diálogo vivo com Cristo, deixando que Ele saiba de nossas misérias e alegrias, de nosso esforço vitorioso e de nossas derrotas. A oração por nós mesmos neste tempo deve assumir este caráter, mas podemos esquecer daquele ato de caridade e misericórdia que nos impele a rezar pelos irmãos necessitados, pobres de espírito e pobres também materialmente. Nossa oração assume assim, neste momento quaresmal um verdadeiro ato de caridade que nos conta para nossa penitência e conversão.

Quando tu orardes entra em teu quarto e fecha a porta... pois a ninguém é dirigida a tua oração a não ser a Deus Pai, e Ele que vê o que fazemos as ocultas dos outros verá e ouvirá tua oração e não te deixará sem recompensa, diz o Senhor.

Hoje iniciamos este momento de profunda reflexão interior e busca por aumentar nossa fé, e para isso nos é oferecido o sacramento da confissão onde podemos expôr a Deus nosso sincero arrependimento e propósito de fidelidade a seus mandamentos. Que Deus nos auxilie a aproveitar bem este tempo quaresmal.

Mensagem para Quaresma: Pe. Valderi

Um sacrifício vivo, santo, agradável a Deus.

Estamos iniciando o tempo propício para uma profunda mudança de vida e também para revermos algumas atitudes que são típicas da vida cristã, mas que com o tempo parecem desbotar e perder a vida ante o cotidiano agitado e moderno em que estamos. Não que assim esteja aceitável, na verdade é justamente o contrário do que esperávamos que cada cristão vivesse. Diante deste mundo somos instigados a esquecer aquelas ações que fazem da vida cristã peculiar e as vezes motivo de escândalo (1Cor 1,23).

Nesta mensagem para a Quaresma pensei ser propício meditar sobre uma dimensão da piedade cristã que sempre foi muito valorizada pelos santos e que em nossas vidas hodiernas parece não se encaixar, algo que na verdade não procede visto que ainda é meio muito eficaz de trazer a dor de Cristo e por consequencia seu amor pelos homens mais profunda e puramente a nossos corações. Para isto cito esta passagem da carta de São Paulo aos Romanos que pode nos ajudar: rogo-vos, irmãos, pela misericórdia de Deus, que ofereçais os vossos corpos como um sacrifício vivo, santo, agradável a Deus.

ofereçais vossos corpos”

Ainda na época da cristandade européia se conta que por piedade muitos religiosos e também leigos inflingiam a seus corpos duríssimas penas, algo para que realmente sentissem a dor latente em seus corpos. Este método muito usado para a penitência não deixava de ter seu aspecto de busca pelo compadecimento de Cristo, ou seja, sentindo a dor no corpo poderiam sentir a dor de Cristo e assim amar com mais compreensão seu sacrifício pela humanidade. Apesar deste método de penitência e sacrifício corporal não estar abolido, sendo possível àlguem ainda fazer uso dele, não é mais uma prática comum entre os fiéis. Hoje substituimos essa prática, conforme nos orienta Paulo, e oferecemos nossos corpos sem a necessidade de os maltratar. Nosso corpo é a obra da criação e por isso um valioso dom que recebemos de Deus. Para oferecer algo valioso a Deus não encontramos nada mais adequado que ele, com toda a sua exuberância ou carregado de males.

Ainda muitos vêem o corpo como propriedade exclusivamente sua, produto pelo no qual podem agregar ou extirpar qualquer parte ou coisa. Esses fazem mal uso dele, pensando exercitar plenamente sua liberade, quando em realidade, fazem de seu corpo vítima muda de modismos e idéias falsamente baseadas na liberdade individual. Ainda mais triste é o que testemunhamos com nossos olhos incrédulos do extremo mais nefasto desta atitude, quando lamentamos o assassinato de milhões de inocentes no ventre materno. Sangue que brada aos Céus, derramado por sua grande maioria pelo motivo mais egoísta baseado no falso controle de seu próprio corpo. Esta chaga da sociedade moderna é efeito desta perda do sentido do corpo como dom recebido de Deus, não propriedade exclusiva. E mais ainda, a desdém desta pratica espiritual cristã em oferecer a Deus o corpo que tenho, criação Dele, no qual habito e que é meu bem mais valioso.

como um sacrificio vivo”

Na quaresma que iniciamos temos a oportunidade de retomar esta piedosa pratica cristã que muitos frutos pode trazer para este momento em preparação da Páscoa do Senhor como para a vida inteira. Oferecer ao Senhor um sacrifício torna-se mais acessível quando o fazemos pensando em nosso próprio corpo, realizando através dele aquele ato de aproximação das dores de Cristo. Analiticamente não parece a mesma coisa, mas as dores de tal sacrifico pode equivaler ao esforço realizado por Nosso Senhor no Horto das Oliveiras ou até mesmo no Gólgota. Um sacrifício corporal pode nos render muitas graças que talvez nem esperamos, mas o principal é que através dele podemos apresentar a Cristo nossa real conversão de coração, mostrando que verdadeiramente estou arrependido de meus pecados e pronto para comemorar Sua Páscoa.

Na prática esta modalidade de sacrifício pode ser uma abstenção alimentar ou de lazer como suportar algo que normalmente fugiríamos ou faríamos tudo ao alcance para evitar. Também coisas mais pequenas ainda como subir de escadas ao invés do elevador, andar a pé e deixar o automóvel ou sentar em cadeiras ao invés de poltronas e sofás. Isto tudo quando realizado com a intenção de sacrifício para o Senhor nos edifica o espírito deixando-nos cada vez mais agradavéis aos olhos de Deus. Também a dor ou incomodo que estes pequenos gestos que nos causam nos deixam sempre lembrar nossa fragilidade ante as situações comodas, de como somos facilmente levados para a facilidade e assim deixando ao lado o valor do esforço.

Também este sacrifício através de nosso corpo pode ser realizado pelos gestos de caridade, sempre atentos a tudo que normalmente não faríamos ou deixaríamos a outros como arrumar e dessarrumar uma mesa de refeição, se oferecer para carregar as compras da loja, limpar você mesmo seu quarto. Isto além de nos fazer mais caridosos e prestativos aos demais nos leva a procurar a imitação da caridade de Cristo, de quando abaixado lavou os pés dos apóstolos (cf. Jo 13,5).

“santo, agradável a Deus”

Na piedade cristã todos os gestos e orações devem ter por pressuposto a intenção santa deste ato, para que não se corra o risco de realizar uma obra de caridade, ou de sacrifício pensando como os fariseus (Lc 18,11) ou hipócritas (Mt 6,5), transformando este momento que poderia ser de sincera oferta a Deus em oferta a si mesmo, ou seja, de fato, buscando as “graças” do mundo e não de Deus. A reta intenção nas boas obras e também nas ofertas por penitência e conversão precisam ser bem cuidadas, pois facilmente se cai no “roteirismo” deixando que as orações e a própria liturgia soe como música repetida. Um sacrifício santo, com o coração retamente intencionado a Deus torna-se agradável a Ele.

Neste tempo que nos é oferecido poderemos nos aproximar mais das dores de Cristo para sentir com Ele o sacrífico de nossa redenção. Sejamos capazes de olhar para nós e ver aquilo que poderemos nesta quaresma oferecer a Deus como prova de nosso arrependimento e conversão.

Pe. Valderi da Silva

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Terça-feira Tg 4,1-10 Mc 9,30-37

VII Semana do Tempo Comum

Pe. Valderi

Tiago nos apresenta a consequência de se estar unido ao mundo, usando com esbanjamento seus prazeres, a mais grave destas consequências é a “inimizade” com Deus, ou o afastamento Dele. Pois, não se consegue ser amigo do mundo ao mesmo tempo que se deseja ser amigo de Deus. É como querer ter Deus no coração ao lado do Diabo.

O mundo nos oferece muitas coisas más, não que ele em si seja mal, mas as criaturas pelo pecado original e por sua tendência ao mal sempre oferecem o que de mais descordante de Deus existe. Por isso, quem elege as coisas do mundo como norteadoras de sua vida acaba pouco a pouco se afastando de Deus e se identificando com o mundo. Isto, vemos em nossa sociedade ambiciosa pelo status de celebridade da mídia ou dos negócios. Estes homens e mulheres vivem em um mundo longe das maravilhas da vida divina, onde as tendencias, moda e os “valores” do mundo são tão poderosos que os deixa cegos para a vida que estão perdendo. Este é somente um exemplo de vidas que estão ludibriadas pelo mundo e suas “coisas” e que estão cada vez mais afastados de Deus e sua vida eterna.

Na mesma carta de Tiago lemos que quando estamos mais envoltos nas coisas do mundo podemos até pedir e suplicar a Deus, mas não recebemos o que pedimos porque pedimos mau, pedimos com o coração repleto de amor pelo mundo e não por Deus. O que temos que perceber é que ao investir nossa atenção nos “valores” do mundo nos desabilitamos das virtudes, ou seja, aquilo que seria caridade vira mera filantropia, o que seria esmola vira donativo “sem fim lucrativo”. O que seria humildade vira expressão de medo de se manifestar em público. Deus resiste aos soberbos, mas concede a graça aos humildes (v.6). Cruz de costas

Jesus anuncia mais uma vez sua necessária passagem pelo sofrimento do calvário até a morte para culminar na  ressurreição. Seus discípulos não compreendem a totalidade de suas palavras, e de fato somente irão compreendê-las após a ressurreição quando enfim testemunharem o Cristo Ressuscitado. Esta incompreensão não pode ser confundida com falta de fé, em realidade o que Jesus lhes anunciava era algo inconcebível intelectualmente – algo que puramente pela razão ainda é –, por isso Jesus tenta sempre instrui-los para que consigam compreender mais sobre sua paixão.

Os discípulos, num momento em que o egoísmo e a vaidade agiram mais forte, comentavam sobre quem seria o maior no Reino dos Céus. Cristo logo lhes responde com um ensinamento que deverão levar para toda as suas vidas: se alguém quiser ser o primeiro, seja o último de todos e aquele que serve a todos (v.35).

Segunda-feira Tg 3,13-18 Mc 9,14-29

VII Semana do Tempo Comum

Pe. Valderi

A verdadeira sabedoria vem do alto, não é procedente da natureza humana ou das coisas da criação. Ela se manifesta na obra criada mas não é a criação a fonte desta sabedoria.

Tiago fala dos malefícios que a inveja e a rivalidade causam naqueles ambientes onde estes sentimentos prevalecem. A começar pela própria família, a inveja se mostra poderosa ao colocar irmão contra irmão ou outra pessoa. A inveja corrói qualquer relação que possa existir, deixando no lugar somente a preocupação egoísta consigo mesmo ao ponto de nem lembrar da existência do outro. A inveja consegue fazer com que alguém suplante a amizade por picuinhas sem fundamento, transformando um relacionamento de paz em desordem e caos. A rivalidade começa a surgem em geral, fruto da inveja. Através dela, uma pessoa acaba se tornando rival de outra segundo seus interesses pessoais, visto que a inveja não a deixa mais pensar no outro.

Aumenta minha fe Para ser humana, «a resposta da fé, dada pelo homem a Deus, deve ser voluntária. Por conseguinte, ninguém deve ser constrangido a abraçar a fé contra vontade. Efectivamente, o acto de fé é voluntário por sua própria natureza. [...] Isto foi evidente, no mais alto grau, em Jesus Cristo» (II Concílio do Vaticano, Dignitatis Humanae). De facto, Cristo convidou à fé e à conversão, mas de modo nenhum constrangeu alguém. [...] Para obter a salvação é necessário acreditar em Jesus Cristo e n'Aquele que O enviou para nos salvar (Mc 16,16; Jo 3,36; 6,40). [...]

A fé é um dom gratuito de Deus ao homem. Mas nós podemos perder este dom inestimável. [...] Para viver, crescer e perseverar até ao fim na fé, temos de a alimentar com a Palavra de Deus; temos de pedir ao Senhor que no-la aumente (Mc 9,24; Lc 17,5; 22,32); ela deve «agir pela caridade» (Gl 5,6; Tg 2,14-26), ser sustentada pela esperança (Rm 15,13) e permanecer enraizada na fé da Igreja.

A fé faz com que saboreemos, como que de antemão, a alegria e a luz da visão beatífica, termo da nossa caminhada nesta Terra. Então veremos Deus «face a face» (1Cor 13,12), «tal como Ele é» (1Jo 3,2). A fé, portanto, é já o princípio da vida eterna. [...] Por enquanto, porém, «caminhamos pela fé e não vemos claramente» (2Cor 5,7). [...] Luminosa por parte d'Aquele em quem ela crê, a fé é muitas vezes vivida na obscuridade, e pode ser posta à prova. O mundo em que vivemos parece muitas vezes bem afastado daquilo que a fé nos diz: as experiências do mal e do sofrimento, das injustiças e da morte parecem contradizer a Boa-Nova. [...] É então que nos devemos voltar para as testemunhas da fé: Abraão, que acreditou, «esperando contra toda a esperança» (Rm 4,18); a Virgem Maria, [...] na «peregrinação da fé» (II Concílio do Vaticano, Lumen Gentium); e tantas outras testemunhas da fé: «envoltos em tamanha nuvem de testemunhas, devemos desembaraçar-nos de todo o fardo e do pecado que nos cerca e correr com constância o risco que nos é proposto, fixando os olhos no guia da nossa fé, Jesus, O qual a leva à perfeição» (Hb 12,1-2). (CIC 160-165)

Evangelho.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

O Santo Sudário

 
 
Peritos reunidos no Peru defendem autenticidade do Santo Sudário de Turim
LIMA, 03 Set. 10 (ACI) .- Os peritos que participam em Lima, no Peru, do II Congresso Internacional sobre o Santo Sudário defenderam a autenticidade da relíquia a partir de rigorosos estudos que indicam que o corpo coberto com este tecido corresponde ao de Jesus de Nazaré.Os estudos realizados por peritos do Centro Internacional de Sindonologia de Turim, na Itália, precisam que existe só uma probabilidade entre mil de que o corpo humano que foi talher pela Síndone seja de uma pessoa distinta ao Jesus.Conforme recolhe a agência Andina, Bruno Barberis, diretor do centro, explicou que investigadores de todo o mundo confirmam cada vez mais indícios sobre a autenticidade do Santo Sudário."Só nos falta resolver como se formou a imagem do corpo de Jesus Cristo no tecido de linho, se tivermos em conta que as marcas não são de sangue, mas de uma descoloração do tecido produto da oxidação natural", assinalou e esclareceu que os traços impressos no tecido não puderam ser gerados pela putrefação dos restos humanos porque o corpo de Jesus esteve envolto por um tempo não superior a 36 horas."Não sabemos se foi um processo físico, químico ou de outra classe. Temos que resolver esta dúvida", disse Barberis durante sua participação no congresso organizado pelo Centro de Estudos Católicos de Lima e a associação Ação Universitária na Universidade de Lima, onde permanece uma exposição da réplica digital do Santo Sudário de Turim.O investigador italiano considerou que a análise realizada com carbono 14 para determinar a antigüidade do manto em 1988, cujo resultado foi que a peça data de um período compreendido entre os anos 1260 e 1390 apresenta uma série de irregularidades já que as queimaduras que sofreu o Santo Sudário em um incêndio produzido em 1534 puderam alterar sua composição e "rejuvenescer" a malha."A amostra foi extraída de um extremo altamente poluído com pó e pólen. Além disso, este setor não era o mais significativo de todo o manto. Deveriam ter tomado mais amostras de outros setores", afirmou Barberis.Nesse sentido, o especialista considerou que enquanto se desconheça o modo de formação da imagem de Jesus Cristo crucificado, não será possível admitir a prova do carbono 14 como uma análise válida para o Santo Sudário.O investigador e teólogo peruano Rafael de La Piedra, explicou que os traços e as características humanas impressas no tecido de linho foram descobertos nos negativos de uma fotografia tomada do manto em 1898. Em meados do século passado, um investigador observou umas letras nestas fotografias que pertenciam a umas moedas do século I.O Santo Sudário se encontra atualmente em uma urna especial na Catedral de Turim, Itália. Na exposição da Universidade de Lima pode apreciar uma réplica a tamanho real até o dia 30 de setembro. Para mais informações (em espanhol) visite a web do evento em: http://www.sabanasanta.info/
***
Testemunha muda da ressureição do Senhor
Durante aquela noite, Cristo havia vencido a morte, ressucitando por Seu próprio poder. Ao retomar a vida, Seu corpo glorioso ficara miraculosamente marcado na Santa Síndone, onde já havia sinais anteriores do Preciosíssimo Sangue emanado das chagas de Sua Paixão.
Com efeito, na parte interna desse sagrado tecido, que estava em contato com o Corpo, podemos ver hoje, impressa de forma inexplicável e com incrível nitidez, a figura de um homem morto por crucifixão. Não sinais de pigmentos corantes nem de marcas de pincel. Pelo contrário, as fibras de linho encontram-se parcialmente desidratadas em minúscula profundidade, adquirindo deste modo diferentes tonalidades (Aqueles que defendem ser a Santa Síndone uma falsificação medieval não conseguiram, até a presente data, reproduzir a suposta “falsificação”, condição necessária para tornar verossímil sua tese. Também não lhes foi possível explicar, de forma satisfatória, qual teria sido a técnica utilizada para estampar a imagem do Redentor no Sagrado Tecido). E a milagrosa imagem assim estampada reflete a dolororíssima Paixão de um Varão que, na força da idade, suportou padecimentos que desafiam a capacidade humana  de sofrer (Há numerosos estudos científicos sobre a Santa Síndone ao alcance de qualquer pessoa, entre os quais o livro de BARBERIS, Bruno y BOCCALETTI, Massimo. Síndone – imagine su un crocifisso, editado este ano em Milão pela San Paolo [Paulinas], no qual estão baseadas algumas das afirmações feitas neste artigo. Pode-se também consultar o site do STURP [www.shroudstory.com], um grupo de cientistas que, desde 1978, analisa o milagroso tecido sob diversas perspactivas).
De adequadas proporções, com um metro e oitenta três centímetros de altura, ampla fronte, cabelos abundantes caindo ordenadamente até os ombros, uma nobre barba dividida em duas partes, espessas sobrancelhas, bigode cerrado – possuía todas as características de um homem bem constituído.
Ressalta logo em seu rosto a marca de um violento golpe que lhe quebrou o septo nasal e causou grande inflamação em toda a face direita (Estando ele na casa de Caifás, “um dos guardas presente deu uma bofetada em Jesus dizendo: ‘É assim que respondes ao sumo sacerdote?’”[Jo 18,20]. Para alguns exegetas, o termo grego mais que uma bofetada queria indicar um golpe com um bastão ou uma vara, capaz de romper o tapique nasal). Notam-se também as marcas do terrível tormento da flagelação, aplicada por dois algozes romanos, usando o pior dos açoites – o flagrum –, composto por três tiras de couro com bolas de metal nas pontas. Para aplicar-Lhe esse suplício, ataram o réu a uma coluna de pouca altura, expondo Suas costas aos golpes de látego. Há sinais de mais de 120 vergastadas na parte posterior do corpo, além de 70 outras nos braços, na parte dianteira das pernas e no peito.
Sobre Sua cabeça foi colocado um entrançado de ramos espinhosos, com pontas de quatro a seis centímetros. Uma delas atravessou a sobrancelha esquerda, a ponto de quase impedir a abertura da pálpebra.
As grosseiras cordas com que O ataram deixaram marcas nos Seus pulsos e povoaram Sua cintura com coágulos de sangue, especialmente na parte das costas. Os ombros se apresentam escoriados, por haver suportado,  durante um longo percurso, o peso de um áspero madeiro. Nos joelhos, nos peitos dos pés e no nariz há sinais de violentas batidas na terra, que abriram novas feridas. Nota-se em uma de Suas mãos a marca das feridas provocada pelos cravos, das quais jorrou sangue em abundância, correndo pelos braços até os cotovelos. E os pés, pregados um sobre o outro, mostram-se quase totalmente banhados em sangue, inclusive na parte das plantas.
*JOSÉ MANUEL JIMÉNEZ ALEIXANDRE. Arautos do Evangelho, nº 103, julho de 2010, pgs 20-21.
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"As flores do Sudário"

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O MISTÉRIO DO SUDÁRIO
Parte 01
Parte 02
Parte 03
Parte 04
Parte 05

+ Confira o post: SUDÁRIO DE TURIM – polêmica na história!

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Basílica São Pedro - visão do pátio (imagem em 360º)