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sábado, 15 de dezembro de 2012

III Domingo do Tempo do Advento (Domingo Gaudete)

Sf 3,14-18a Fl 4,4-7 Lc 3,10-18

Pe. Valderi da Silva

Caríssimos irmãos irmãs.

A Liturgia da Igreja reúne sucessivamente, ao longo do ano, os mais variados sentimentos: a tristeza na Semana Santa; o gáudio transbordante, porém cheio de temperança, na Ressurreição; a esperança durante o período do Tempo Comum; o júbilo festivo nas grandes solenidades. Em certo momento ainda, nos deparamos com uma manifestação […] de conforto e de felicidade em meio à penitência. Essa é a nota característica de dois domingos únicos no ano: o 4º Domingo da Quaresma [chamado de Laetare], e o 3º Domingo do Advento [chamado de Gaudete]. Neste último, sobre o qual refletiremos, a Igreja abre um parêntese na ascese e na preocupação constante de uma conversão – atitudes próprias à época do Advento e preparativas para a vinda de Nosso Senhor – para tratar da alegria, infundindo-nos novo ânimo.

(Mons. João Clã Dias. O inédito sobre os Evangelhos. Homilia para III Domingo do Advento. Ed. Instituto Lumen Sapientiae, 2012, pg. 53)

A tônica deste Domingo é exatamente a alegria pela proximidade da vinda do Cristo, e isto o percebemos na Liturgia da Palavra que ouvimos.

É diante da proximidade do encontro com o Salvador que o cristão se alegra, pois sente em seu coração a iminente visão do seu Senhor, algo que não é de pouco contentamento, pois se trata de acolher o Senhor da vida, o Senhor que encaminha-nos para a vida eterna.

Já na primeira leitura, tirada da profecia de Sofonias, encontramos esta esplêndida motivação que nos faz experimentar uma espécie de degustação do momento definitivo da vinda gloriosa de Cristo no fim dos tempos. Em realidade, o que esperamos alegremente é precisamente esta vinda definitiva, onde céus e terras serão postas diante de seu Criador, onde homens e mulheres serão posicionados diante do Rei e Senhor, para conhecer o destino eterno de cada um. Mas esta alegria que criamos pela vinda definitiva do Senhor, a fomentamos também para aquela vinda constante de Deus em nossas vidas. Falo daquela vinda diária do Senhor até nós pelas Suas graças, que tão generosamente, por sua bondade, nos oferta a medida que as pedimos com fervor.

“Canta de alegria, cidade de Sião; rejubila, povo de Israel!” (Sf 3,14). Cantemos e rejubilemos, não por nossos méritos diante da grandeza de Deus; não por nossa santidade; não por nossas vitórias pessoais, mas pelo Deus Todo-poderoso que vem até nós e nos afasta dos inimigos, que nos torna fortes diante das tentações do mal, que nos protege das ciladas do maligno. A orientação correta do jubilo cristão é fundamental para que não maculemos a intenção desta alegria pelo Cristo que vêm. Por isso, ser necessário um bom entendimento a cerca desta alegria que nos fala a liturgia, do porque se alegrar com a vinda do Senhor, do porque rejubilar com a proximidade da presença de Deus.

Alguém poderia se perguntar do como se alegrar com tanta tristeza ao redor, com tanta dor e tanto sofrimento! Muitas pessoas, não conseguem ver que qualquer triste acontecimento nunca poderá superar a alegria da presença do Salvador entre nós. Mesmo levando uma vida cuidadosamente cristã, uma vida bem orientada na santidade, não será extinto a dor e o sofrimento, pois eles fazem parte de nossa vida aqui, aliás, é este um dos motivos de nossa alegria pela vinda definitiva do Senhor, pois com Ele, em Sua glória, não seremos atormentados pela dor e sofrimento. Mas enquanto esperamos, devemos nos manter alegres mesmo em meio as dificuldades, pois, para nós, elas são como atestados de nossa fragilidade sem a vida plena junto de Deus.

“Alegrai-vos sempre no Senhor; eu repito, alegrai-vos. Que a vossa bondade seja conhecida por todos os homens!” (Fl 4,4-5). Nas palavras de Paulo, ecoa-se a motivação da primeira leitura, de mantermo-nos alegres pela proximidade do Senhor, mas Paulo acrescenta algo que nos esclarece um ponto importante desta postura jubilosa diante da espera pelo Salvador. É precisamente nas palavras de Paulo em que nos exorta a transformar nossa bondade em carta de apresentação diante dos homens e mulheres, que vemos o como viver enquanto esperamos. De fato, seria muito incoerente com o próprio Evangelho, viver somente na alegria mas esquecendo de como esta se manifesta no dia a dia da vida cristã. Como um sentimento profundo e verdadeiro, este jubilo cristão permeia todas as nossas atividades, esta presente em todas as nossas ações do dia, pois é ali que se manifestará nossa alegria pela esperança no Senhor.

De fato, só vive feliz pela presença de Deus, quem passa essa felicidade em tudo o que faz, por isso não lhe é difícil ser bondoso em tudo e com todos. Neste sentido é que nossas ações serão conhecidas pelos homens e mulheres, pelo testemunho da bondade cristã, que exala a alegria pelo Cristo.

O que nos fala o Evangelho desta Liturgia? Não seria diferente do que ouvimos neste trecho de Paulo aos Filipenses. Na pessoa de João Batista, é transmitido a postura a ser tomada neste momento de espera e júbilo. Viver na contemplação do Senhor, na bondade e caridade, no desprendimento e acumulo de riquezas espirituais. Colocar em prática o Evangelho e seus conselhos, estar atento aos sinais dos Tempos, perseverar na vida devota, nunca se apartar dos ensinamentos da Igreja. Enfim, de Deus e Sua Igreja obtemos tudo o necessário para um reto viver enquanto felizes esperamos definitivamente o Senhor, nosso Salvador. Este viver segundo o que Deus nos pede, nos deixa em constante estado de graça diante Dele, pois se conseguirmos manter esta vida reta, fugindo ao pecado, e vivendo a caridade, diariamente podemos ser insuflados pelas graças de Deus, algo que nos fortalece e nos manter perseverantes ainda mais no caminho da santidade.

Todas estas palavras que escutamos de João Batista neste Evangelho, não são passadas, são presentes, estão aqui para nós, para que orientando-nos por elas consigamos esta retitude na vida cristã. Para aquele que já vive assim, é uma motivação para continuar e aperfeiçoar. Para aquele que ainda não vive todas estas palavras, mas somente algumas, é uma exortação para buscar uma maior conversão e força para viver o que ainda não se vive. Para aquele que não vive nada disso do que João fala, é uma admoestação sobre o destino eterno daquele que desdenha tal conselho oportuno para o dia em que se encontrará com o Senhor. Pois “Ele virá com a pá na mão [diz João], vai limpar sua eira e recolher o trigo no celeiro; mas a palha ele a queimará no fogo que não se apaga” (Lc 3,17).

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