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quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

CAMINHAR SEMPRE JUNTOS PARA O DEUS DA VERDADE

Frei Patricio Sciadini OCDArtigo elaborado pelo Frei Patrício Sciadini, OCD, em atenção ao pedido do Pe. VALDERI.

Frei Patricio é escritor renomado no meio da literatura espiritual católica, tendo escrito vários livros e artigos, contribuindo muito para a formação humana e espiritual dos cristãos, principalmente trazendo sempre viva a espiritualidade Carmelitana, nas figuras de Santa Terezinha do Menino Jesus e São João da Cruz.

Hoje, reside no Cairo/Egito, onde vive em missão na comunidade Santa Terezinha.

***

Cinquenta anos atrás, o Concilio Vaticano II, o maior acontecimento da Igreja Catolica dos ultimos séculos, reuniu bispos  para rezar juntos, escutar a Palavra de Deus e apontar caminhos novos para o mundo. Um dos caminhos que apontaram foi a unidade religiosa. O ser humano, se no intimo da sua consciência crê que segue uma religião errada, deve mudar para encontrar a Deus e para ser feliz. Foi uma “bomba” para quem pensava que religião é como DNA, se transmite de pai para filho por geração espontânea. Os pais nos devem ensinar o caminho religioso e nós devemos cultivá-lo pessoalmente e devemos ser abertos `a ação do Espírito Santo para encontrar Deus summa verdade. Hoje vivemos num mundo pluri religioso e pensamos que somos inteligentes, desenvolvidos, gritamos os direitos humanos mas nem sempre sabemos aceitar a religião dos outros, nem sempre sabemos viver em comunhão com os que vivem um credo diferente. Esta opressão acontece de uma forma velada, opaca nos países do ocidente mas não é fácil que aconteça num pais onde a maioria segue outra religião. Junto com o poder querem impor a religião. Este caminho nunca pode dar certo. É preciso levantar o olhar para o alto e crer que no que João da Cruz ensina: “Se é verdade que o homem busca Deus, é mais verdade que Deus busca o homem”. Ou o que rezamos na prece eucarística “Todos aqueles que Te buscam com o coração sincero te encontram, Senhor.”

Os cristãos no Egito

O Egito é o berço do cristianismo primitivo. Os séculos mudaram esta fisionomia cristã especialmente na medida em que o mulçumanos se encontram em maioria absoluta. A presença de Cristo é forte especialmente através do cristãos coptos. A palavra ‘copto” significa “egípcio”, este rito se encontra somente aqui no Egito. No meio atual a presença cristã no Egito é uma minoria. Na população de quase 90 milhões de habitantes, os cristãos coptos somam mais ou menos 9 milhões, dez por cento é muito pouco e as outras presenças cristãs são muito pequenas. Os coptos católicos, em comunhão plena com Roma são 250 mil. Os católicos de rito latino são por volta dos 7000 e a maior parte é estrangeira. E outras minorias pequenas de presença cristã. Uma realidade difícil mas que é necessário olhar com os olhos do amor e da esperança. Hoje se percebe que é preciso caminhar juntos, de mãos dadas rumos a valores fundamentais dos ser humano como a paz, a liberdade, o espírito, a valorização do bem comum. É uma busca incessante que deve existir não somente no Egito mais sim em todos os países do mundo.

Devemos reconhecer que se constata, embora pequeno, um avanço de mutuo respeito, uma mentalidade de séculos não é fácil. Mas nenhum obstáculo é impossível. Jesus nos manda amar e nunca usar a violência para afirmar os próprios direitos mas sim o dialogo e o amor. Os cristãos no Egito vivem uma situação martirial permanente, quer dizer, de testemunho constante, devem cada vez mais assumir corajosamente e publicamente a própria fé sem medo. Esta coragem existe, embora se perceba uma certa fragilidade e medo coletivo.

A liberdade de expressão, de poder manifestar a própria fé, é um direito que deve ser respeitado pela própra Constituição. O problema não são as leis que de mais ou menos respeitam, é a verdade. É a vida de cada dia onde há uma falta de consciência, de cidadania, onde se pode conviver no pluralismo político e religioso.

Caminhar sempre juntos. Buscar juntos caminhos novos para criar um pais que seja, de verdade, modelo para todos. O ser minoria nos ensina a verdade das palavras de Jesus “somos um pouco de sal e um pouco de fermento”, se o sal perder o sabor não serve para nada. Os cristãos no Egito são seguidores de Jesus, eles tem força para enfrentar toda a massa, silenciosamente mas com perseverança.

Abuna Batrik

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