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sábado, 17 de novembro de 2012

XXXIII Domingo do Tempo Comum

Dn 12,1-3 Hb 10,11-14.18 Mc 13,24-32

Pe. Valderi da Silva

Caríssimos irmãos e irmãs.

Chegando próximo do fim de mais um ano litúrgico, a Palavra de Deus nos vai direcionando para a realidade última do ser humano, pois é para ela que deve estar direcionada nosso coração enquanto esperança do futuro desejado. A liturgia da Palavra fonte de orientação para nossas vidas não poderia deixar de nos aproximar ainda mais desta realidade certa, a vida eterna.

Acredito que três pontos são de capital importância para nós, a partir destas leituras aqui proclamadas. A clareza a respeito do Sacrifício de Cristo pela humanidade; a urgente compreensão de que nosso futuro construímos aqui e agora e a certeza de que a Palavra de Deus é mais forte que o tempo e o mundo criado.

[Um sacrifício definitivo]

O que escutamos nesta carta aos Hebreus nos deva recordar que é justamente este sacrifício de Cristo na cruz que nos salva, e que este mesmo é único e irrepetível, e que por este motivo não pode haver nada fora dele que seja capaz de alcançar a salvação para o ser humano.

Neste sentido é quase obrigatório lembrar que a salvação esta tão intimamente e necessariamente ligada ao reconhecimento deste ato salvífico que ninguém pode se deixar enganar, prestando ouvidos a enganosos erros doutrinários que se apresentam em nossa sociedade, dizendo serem os portadores da salvação de Cristo. A salvação que o Senhor nos conquistou esta onde se realiza a atualização do Seu sacrifício, ou seja, onde acontece a Santa Missa, pois é ali que encontramos a fonte da vida eterna, esperança e futuro de nossas vidas. Não é permitido aos cristãos diminuírem este sacramento, e isto, tristemente muitos podem estar fazendo, principalmente não dando a Santa Missa o devido valor e respeito, não fazendo da igreja onde participam da Santa Missa as suas casas, não fazendo destes locais templos sagrados de silêncio e oração. Digo isso não pelas belezas arquitetônicas ou pelas obras de arte que possam estar ali, mas por que naquele local se abre o Céu para que possamos participar antecipadamente da glória celeste na vida eterna.

Com seu sacrifício tirou a necessidade de se fazer aqueles antigos sacrifícios de Israel, onde se ofertava a cada rito uma vítima diferente para expiar os pecados do povo. Agora não existe mais esta necessidade, pois o Filho de Deus fez-se vítima para expiar nossos pecados, e porque a vítima é o próprio Filho de Deus, não haverá mais uma vítima depois dele, pois sua oferta é tão eficaz que supera o tempo e a multidão de pecados a serem expiados. É por este motivo que diz a carta aos Hebreus que “com esta única oferenda, levou à perfeição definitiva os que ele santifica” (Hb 10,14). E ainda mais, esta oferta de Cristo por nós não é somente expiadora dos pecados, como era a finalidade das oferendas antigas, mas é porta para a vida eterna, algo não possível antes Dele.

Neste sentido é que escutamos ao final desta leitura se dizer que “onde existe o perdão, já não se faz oferenda pelo pecado” (Hb 10,18), pois nossos pecados encontram sua remissão pelo sacramento que Cristo nos institui, o Sacramento da Confissão.

[O ser humano edifica seu futuro na vida eterna]

Parece-nos claro que esta leitura do Livro da profecia de Daniel e o evangelho nos deixam diante de uma mensagem muito simples: a de que nosso destino eterno construímos aqui e agora.

Podem existir muitas pessoas que ainda cultivam um pensamente tão momentâneo que não se preocupam com esta verdade enquanto gozam da juventude da vida, ou de um cômodo bem-estar social e econômico. De fato, muitos ainda pensam em Deus e na vida eterna somente quando sentem o fim da vida se aproximar. Devemos nos perguntar, este tipo de pensamento é correto? É justo e sensato que se tenha tal postura?

Diz a primeira leitura: “muitos que dormem no pó da terra, despertarão, uns para a vida eterna, outros para o opróbrio eterno” (Dn 12,2). Fala diretamente do juízo final, onde todos serão definitivamente direcionados a vida merecida. Mas para nós é a resposta para o que antes perguntávamos, pois quem há de despertar para o opróbrio eterno é justamente aqueles que não viveram todos dias na presença do Senhor, é precisamente aqueles que deixaram para o leito de morte, a conversão de suas vidas. Talvez aqui, precisamos lembrar que após nossa despedida deste mundo, não há mais chance de conversão, pois não há mais arrependimento após deixarmos este mundo. É aqui e neste momento que devemos nos converter, que devemos construir uma vida digna e meritória da vida eterna junto de Deus.

Vivemos na esperança deste dia feliz, onde todos os seres humanos que viveram e que ainda vivem, despertarão para a vida eterna. Esta esperança é na verdade uma certeza para todos os que sabem quem é Jesus Cristo e que reconhecem Nele o próprio Deus que criou-nos para Ele e não para o mundo.

[A Palavra de Deus não passa]

Não nos vêm esta certeza a não ser de Sua Palavra, que nos revelou desde Moisés até João Batista, e mais plenamente em Jesus Cristo. Em realidade, quando ouvimos neste evangelho falar que o céu e a terra passarão mas a Palavra de Deus não passará (Mc 13,31), esta se referindo ao Filho de Deus, pois Ele é a palavra de Deus, o Verbo eterno que veio ao mundo. Por isso, o mundo criado passará, mas Ele não passará, pois não é deste mundo.

Por este motivo será Ele que virá no dia em que os céus e a terra passarem, ou seja, terminarem. O Verbo Eterno do Pai, retornará glorioso para dar a coroa da vida eterna aos que em vida batalharam para viver segundo a Vontade de Deus, sendo perseverantes diante das insídias do maligno, evitando com grande esforço todas os pecados. Também contamos com Sua misericórdia por todos o que, mesmo pecando, buscam Seu perdão mediante arrependimento e sincero desejo de conversão.

Estimados irmãos. O precioso conselho de vigilância e oração deve sempre ressoar em nossas consciências, para que possamos ser dignos da salvação que Jesus Cristo nos trouxe. Para isso, precisamos reconhecer nossa necessidade de sermos salvos, pois somente assim alguém procurará a salvação. Em nosso mundo, muitas dificuldades são apresentadas àqueles que buscam sinceramente levar uma vida santa em vista da salvação eterna, mas lembremos que Jesus promete ser salvo quem perseverar até o fim (cf. Mc 13,13).

Nunca deixemos o desânimo abater-se sobre nós, ele virá certamente, para nos fazer desistir da vida que pede a nós. Mas tenhamos sempre presente de que não estamos sozinhos nesta caminhada, e que todo os esforço que tenhamos que fazer valerá muito no dia do encontro definitivo com Deus.

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