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sábado, 24 de novembro de 2012

Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo

Dn 7,13-14 Ap 1,5-8 Jo 18,33b-37

Pe. Valderi da Silva

Queridos irmãos e irmãs.

Com este Domingo encerramos mais um ano litúrgico na Igreja, e este fato têm o seu significado para nós, pois nos lembra que com Jesus Cristo nascemos (Natal), com Ele crescemos e nos educamos (Tempo Comum) e com Ele morremos para este mundo (o fim do Tempo Comum), sem esquecer que morremos com a esperança da vida futura como Deus nos revelou (Páscoa da Ressurreição). O Ano litúrgico precisamente acompanha o mesmo desenvolvimento da vida humana, principalmente porque durante ele acompanhamos uma pessoa, desde o seu nascimento até sua morte, Nosso Senhor Jesus Cristo.

[O poder do Cristo é eterno, e seu reino não se dissolverá]

Nesta solenidade é nos apresentada a Palavra de Deus que nos faz compreender ainda mais o reinado de Jesus Cristo sobre tudo o que existe. Diferentemente dos governos desta terra, de sistemas governamentais que podem-se elaborar, nunca se atingirá tal qualidade, a de governança infalível e indissolúvel. Isto é resultado daqueles que os elabora e os compõe, seres humanos falhos, suscetíveis as conveniências do corpo, e muitas vezes, de uma mente envenenada pelos vícios deste mundo, distorcendo até intenções que, ao nascer, pareciam ser boas. Nisto diferencia-se abismalmente o reinado de Cristo, daquele que nós conhecemos por reinados ou governança, pois Jesus Cristo, sendo Deus, é infalível em toda obra que faz, é indissolúvel pois não pode haver imperfeição em si e nem naquilo que cria e governa, já que onde há separação existe a imperfeição, a irregularidade.

Na mesma leitura do Livro da Profecia de Daniel, se diz que reina com poder e que este poder é eterno, sem fim. Um poder eterno é algo que não teve começo e nem terá fim, de modo que só poderia vir de Deus, já que Ele é assim. Este seu poder não esta condicionado ao tempo nem ao desenvolvimento da mente humana, ele “é” sempre o mesmo, e age sempre com a mesma eficácia. O que fica-nos para entender é como Ele exerce este poder? Diferentemente do que nós imaginaríamos, certamente, nos mostrou que reina na humildade, e assim, exerce seu poder que esta acima de tudo e pode tudo, com a mais plena singeleza que pode facilmente nos enganar, pensando ser um descaso de Deus ou mesmo uma impotência Dele. Nós desejaríamos que Deus o exercesse com a violência proporcionada pela maldade que nos ameaça, mas Ele sabe-se mais sábio que nossos desejos, e é por isso que age como precisa agir, não como queremos que Ele o faça. Em realidade, a força mais visível de seu poder é a humildade, juntamente com a caridade.

[Ele é o início e o fim, o Todo-poderoso]

Além de indissolúvel e poderoso, o reinado de Jesus Cristo esta no início e no fim de tudo o existente. Sua presença se faz perceber em toda a criação desde seu surgimento, também agora durante sua existência e estará no fim de tudo, naquele dia em que nos visitará tão visivelmente como os anjos do Céu o podem ver. Ele é Rei e Senhor não somente do ser humano, não é governante por direito somente de nossos corações, mas de toda a criação, saída de Suas mãos unidas as de Deus Pai. De fato, a criação toda necessita de tão sábio e oportuno governante, pois quem poderia governar a obra de Suas mãos? “Vós firmastes o universo inabalável” (Sl 92,1c), canta o salmo desta liturgia. É sábia a teologia quando nos esclarece que Deus não somente criou a materialidade, como também a sustenta no ser, ou seja, tudo o existente precisa de Deus para continuar existindo. Neste ponto, pensamos logo que, mesmo aqueles que não reconhecem a Deus e seu poder, estão se beneficiando da bondade do Senhor, pois só o fato de continuarem existindo já mostra o quanto Deus não desiste mesmo daqueles servos mais rebeldes e desobedientes.

O livro do Apocalipse nos deixa entender muito claramente a vinda gloriosa de Cristo no fim dos tempos, não porque somente naquele momento reinará com todo o Seu poder, mas virá deste modo porque já é rei desde o início da existência do universo. Neste momento da sua nova vinda, o veremos tal como Ele é, sem a necessidade da fé para o vermos, é por isso que mesmo os não tementes a Deus serão obrigados a vê-Lo como Rei e Senhor de tudo. É por isso, que sua realeza é tão certa quanto a sua própria existência, o que, de fato, deveria ser imediatamente reconhecido: se sei que Deus existe, também devo saber que Ele é o governante de tudo o existente.

[Jesus mesmo nos declara ser Rei]

Se já não nos bastasse estas palavras do livro da profecia de Daniel e do Apocalipse, o evangelho de João relata o próprio pronunciamento de Jesus onde afirma e revela ser Ele Rei.

Diante de Pilatos, antes de ser condenado a morte, responde a pergunta deste, se Ele seria rei, conforme o acusam. Antes de responder devolve uma pergunta a Pilatos: “Está dizendo isso por ti mesmo, ou os outros te disseram isto de mim?” (Jo 18,34). Nesta pergunta de Jesus podemos perceber uma seguinte questão: reconhecemos a Jesus como Senhor por nós mesmos, ou porque alguém nos impôs isso? Ou melhor, reconheço em Jesus meu Deus e Senhor, porque esta certeza vêm de mim, ou porque estou somente repetindo o que alguém me ensinou? Isto parece até irrelevante, mas têm seu significado, pois se trata de nossa convicção pessoal a respeito de Jesus Cristo, não somente como Rei e Senhor, mas também como Deus que é indispensável para nossa vida. Deveríamos saber claramente responder a isso, e se ainda não o conseguimos, pedir cada vez mais a Deus o discernimento na fé, para crescer em fortaleza.

Mas ainda na pergunta feita a Pilatos, percebemos que Jesus deseja induzir o governante romano a responder ele mesmo a pergunta feita a Jesus. Seria como se Nosso Senhor desejasse ver em Pilatos alguém que é capaz de o reconhecer quando têm este contato face a face com Deus. Pilatos teve esta possibilidade mas não foi capaz de fugir de um sistema racional que ele mesmo julgava ser correto, por isso não quis sair da postura de juiz e deu uma resposta evasiva a Jesus.

Então Jesus dá a resposta que esclarece a Pilatos a todo o universo de que natureza é seu Reino: “meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus guardas lutariam para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu reino não é daqui” (Jo 18,36). Estas palavras devem soar como um alivio para todos aqueles que ainda pensam que tudo esta perdido, que nada mais nesta existência têm acerto. Nos colocamos sob o domínio de um Rei que possui um reino eterno, plenamente justo e santo, onde não há forças que possam lutar equiparadamente com seus anjos. Onde o mal nem se aproxima.

Jesus termina sua declaração a Pilatos dizendo claramente ser rei e que esse seu reinado é desde a eternidade, ou seja, já nasceu assim, pronto para reinar. E deixa claro que “o plano de governo” de seu reinado sempre é e será a verdade, pois sem Ela não há espaço para a perfeição, para a santidade. Deus vive onde está a verdade, por isso que aquele que é da verdade escuta a voz do Senhor (cf. Jo 18,37), como nos fala o próprio Jesus.

Uma antiga jaculatória nos fazia rezar esta verdade: Viva Cristo Rei! Que seja esta nossa louvação neste dia solene.

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