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quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Comemoração de todos os fiéis defuntos

Is 25,6-9 Rm 8,14-23 Mt 25,31-46

Pe. Valderi da Silva

Estimados irmãos e irmãs.

Neste dia, com muita serenidade, repleto de fé, esperança e alegria, nos dedicamos a lembrar de todos os fiéis falecidos, pessoas de nossa família, amigos e pessoas queridas. Pessoas que talvez nos deixaram um grande exemplo de amor a Deus e ao próximo, e que possivelmente deixaram, como um rico tesouro em herança, sua fortaleza e serenidade diante deste destino certo da vida humana sobre a terra.

Esta celebração se propõe a lembrarmos destes nossos falecidos, mas de modo especial a oferecer o Santo Sacrifício em benefício de todos eles, que já nos precederam na eternidade. É um tesouro inestimável, poder oferecer os benefícios da Santa Missa por aqueles que já partiram, pois lhes é muito salutar em vista da purificação necessária para a vida eterna.

[Nosso Redentor esta vivo!]

Ouvindo atentamente a Liturgia da Palavra, que neste dia escutamos, podemos perceber o que esta realidade - nem sempre aceita por muitos - nos apresenta de fato, e como ela deve ser vista pelos cristãos.

No livro de Jó encontramos a certeza de que o Redentor esta vivo, não se encontra morto muito menos alheio ao padecimento daqueles a quem salva. Isto nos quer apontar algo bem simples, aquele que nos traz a salvação não é alguém que traz a marca da morte, ou seja, da impotência. Ele vive eternamente, por isso não se encontra morto sendo que têm um poder ilimitado diante da vida e da morte. Seu estado de vivente eterno, lhe dá a condição necessária para livrar-nos daquilo que nos pode conduzir a morte eterna, algo muito pior que a morte no corpo.

Sua condição de vivente eterno é o que lhe possibilita oferecer a vida eterna a todos os que partem desta vida terrena. Jó têm esta certeza, não é uma possibilidade para ele, se trata de uma realidade indiscutível. É justamente por isso, que Jó permanece tão fortalecido diante dos infortúnios da vida. Igualmente, cada um de nós, ser humano como Jó, pode adquirir esta certeza primordial e tão fundamental, a de que o nosso Salvador é alguém que está vivo, repleto de uma vida nova, diferente da que podemos temos aqui, uma vida sem as limitações da carne, livre da corrupção do pecado. Isto se torna necessário em nossa vida, na medida que desejamos ter esta mesma fortaleza de Jó diante das adversidades da vida, e mesmo diante da própria realidade da morte.

Esta leitura do Livro de Jó termina com uma declaração de fé de Jó: “eu mesmo o verei, meus olhos o contemplarão, e não os olhos de outros” (Jó 19,27a). Precisamos ter presente que esta visão de Deus após o término de nossa vida é particular, ou seja, cada indivíduo poderá estar diante do Todo-poderoso, o que pode gerar temor à alguns deve ser antes motivo de grande alegria àquele que persevera numa vida santa.

[A morte de um justo suplanta a todos os demais]

Este Redentor que sabemos estar vivo, conforme nos diz Jó, veio ao mundo para entregar-se voluntariamente aos suplícios de uma morte sofrida, tudo isto como oferta perfeita por todos os seres humanos. Oferta que se renova a cada dia, a cada Santa Missa, é por isso que hoje ele nos salva pelos méritos de tão excelente oferta generosa na cruz.

Lembrando-nos de nossos falecidos, também sabemos que estes méritos da Santa Missa podem lhes ser muitos úteis para a vida eterna, é por este motivo que a Igreja mantêm o costume de rezar pelos falecidos, principalmente na celebração deste dia. Pois sabemos que a eles será muito propício tais orações.

[A morte: fim e começo]

Com Jesus Cristo, se nos apresenta uma nova compreensão do fim da vida, agora ela não é mais o fim de tudo, não é mais o destino inevitavelmente trágico do ser humano. Agora a morte é apenas o passo necessário para uma outra vida, que na verdade deve ser entendida como uma nova vida.

Com sua Ressurreição, Cristo desvenda a todos os seres humanos o que ainda estava escondido, que de fato, não morremos, melhor dizendo, não deixamos de existir. Podemos dizer que continuamos vivos, agora com uma vida nova, num mundo novo. Nossa morte aparente, pode ainda nos insinuar um fim da existência, mas em Jesus sabemos que não é isso, e que precisamente é um morrer, mas para este mundo sua corruptibilidade, ou seja, um morrer para esta vida tão cheia de desvios e incapacidades.

Interessante como nosso próprio modo de falar de nossos falecidos já deixa esta compreensão, pois os chamamos de “falecidos”, ou seja, aqueles que adormeceram, ao invés de chamá-los simplesmente de mortos, que denota mais um fim da existência. Por isso que nas celebrações os chamamos de falecidos ou fiéis defuntos, para deixar claro nosso entendimento de que não deixaram de existir, apenas deram este passo para a vida nova em Cristo Jesus.

[Jesus faz a vontade do Pai]

Olhando para nossa vida terrena e pensando no quanto ainda nos falta para sermos totalmente obedientes a Deus, nos deparamos com estas palavras de Cristo neste evangelho, onde mostra-se totalmente obediente ao Pai: “pois eu desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou” (Jo 6,38).

A vontade do Pai é descrita bem claramente por Jesus, que não seja perdido nenhum daqueles que a Jesus foi confiado, isto quer dizer, todos os amados por Deus. Sabemos que Deus ama todas as suas criaturas, mas mais especialmente todos os seres humanos, obra diretíssima de suas mãos. Isto nos leva à certeza de que Jesus salva a todos, que a vida nova que Ele revelou ao mundo é para todo o ser humano. Por isso, não exclui ninguém da vida nova, ou seja, da vida eterna.

Precisamos entender que a Igreja não reza pelos santos como ora pelos defuntos, que dormem no Senhor, mas encomenda-se às orações daqueles e reza por estes, diz Santo Agostinho num Sermão. Pelo menos uma vez por ano nós, os cristãos, questionamo-nos sobre o sentido da nossa vida e sobre o sentido da nossa morte e ressurreição. É no dia da comemoração dos fiéis defuntos, na qual Santo Agostinho nos apontou a diferença em relação à festa de Todos os Santos. Hoje oferecemos nossas orações em favor dos falecidos, no dia de Todos os Santos, pedimos em nossas orações graças em nosso benefício. Aqui se mostra a maravilhosa comunhão do céu e da terra, onde há este intercâmbio de ofertas, este intercâmbio possibilitado pela oração.

Sempre estamos em comunhão com o céu, numa real e misteriosa ajuda mútua entre a Igreja Celeste, a Igreja padecente e a Igreja peregrina. Como vivos neste mundo caminhamos numa peregrinação à Terra Prometida (Igreja peregrina). Mas existem muitos que não conseguem passar a esta Terra num estado de santidade, por isso necessitam purgar ainda seus pecados (Igreja padecente), mas todos estão visando a vida eterna (Igreja Celeste).

Ofereçamos nossas mais sinceras e devotas orações por todos os nossos falecidos.

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