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sábado, 29 de setembro de 2012

XXVI Domingo do Tempo Comum

Nm 11,25-29 Tg 5,1-6 Mc 9,38-43.45.47-48

Pe. Valderi da Silva

Queridos irmãos e irmãs.

A liturgia dominical, nos leva a refletir sobre nossa responsabilidade diante da realidade injusta que nos rodeia, e que por vezes pode vir de nós mesmos, mas também nos exorta a movermo-nos em direção a uma correta compreensão da missão de anunciador da verdade e da justiça, oriundas da pregação da Palavra de Deus.

[Juntar riquezas para a vida eterna]

Da carta de São Tiago, salta a nossos olhos a desgraça causada pelo desejo do acumulo de riquezas neste mundo. Tiago condena claramente aqueles que, injustamente, recolhem fartas riquezas para si, depositando nelas a felicidade da vida passageira. Precisamos notar, que não é o simples fato de acumular riquezas que o apóstolo condena, é também a vida luxuriosa e negligente, sustentada pelas riquezas então acumuladas (cf. Tg 5,4). É por isso, que o apóstolo nos fala que é tão venenoso o ajuntar riquezas, até porque, muitos o fazem mesmo estando próximo do fim de seus dias. Daí surge a pergunta: de que adianta tanta riqueza na terra? Poderá comprar a vida eterna?

Mas o triste fato é que o pecado muitas vezes não afeta simplesmente ao pecador, sempre surge um efeito ao seu redor. No exemplo da carta de Tiago, notamos que o injusto acumulo de riquezas pode causar muitos males a tantos que estão necessitados do auxílio destes que possuem mais condições materiais. Esta injustiça, causada pelo pecado, clama aos céus, pois faz sofrer o inocente, o “pequenino”, como nos dirá Jesus no Evangelho (cf. Mc 9,42).

Existem muitos em nossos dias que se dedicam a vida inteira a enriquecer-se cada vez mais, levando uma vida boa e luxuosa. A estes é necessário lembrar o que diz Tiago, que estas próprias riquezas podem ser o passaporte para uma eternidade infeliz, longe de Deus. Isto muitas vezes acontece sem muita compreensão da situação, pois é justamente a riquezas, os bens materiais, que entorpecem a mente, endurecem o coração, tornam o ser humano mais humano é menos divino. Nas palavras do apóstolo, ouvimos que a ferrugem das riquezas servirá de testemunho contra seus próprios donos (cf. Tg 5,3).

[O Batismo que nos envia a missão]

A carta deste apóstolo nos coloca diante da própria missão apostólica, que é também a de orientar sobre o destino infeliz que terão aqueles que não vivem decididamente como Deus nos orienta. A voz do apóstolo, advertindo e exortando deve nos fazer lembrar da primeira leitura que nesta liturgia foi proclamada.

Na leitura do Livro dos Números foi nos dito que Deus compartilhou o espírito de Moisés com mais setenta homens. É a visão de que, a missão não esta reservada somente a uma pessoa, mas que Deus quer contar com mais pessoas dispostas a guiarem o povo segundo Sua Palavra. Interessante percebermos que a leitura não nos deixa claro que este espírito que foi compartilhado seja o Espírito Santo, pois Ele vêm somente do Alto, portanto não seria retirado de uma pessoa, como foi o caso de Moisés. Mas então que espírito foi compartilhado? Diz a leitura que foi o “espírito de Moisés”, pois ele era movido por um espírito já inebriado pela força de Deus. Moisés compartilha aquilo que têm, pela força de Deus, pois de Deus é que recebeu este espírito que agora irá mover tantos outros a missão que ele mesmo exercia.

Ainda nos remetendo à carta de São Tiago, podemos perceber sutilmente, uma referência a um possível compartilhar do espirito já evangelizado, com todos aqueles que ainda precisam de mais alguma força espiritual. É um não “acumular as riquezas espirituais” somente para si, mas distribuí-las com dons que de graça recebemos e de graça devemos dar, o que poderíamos também dizer nas palavras do Livro dos Números, devemos compartilhar, como que Deus nos pedindo para manifestarmos aos demais aquilo que recebemos.

Em realidade, o cristão é chamado para isso desde seu Batismo. Recebe ali, na fonte que o faz nascer para a nova vida, um chamado a ser solidário com aqueles que ainda não tiveram a graça de receber esta vida nova, seja pelo batismo ou a compreensão da mesma pela Palavra.

Meus irmãos, estamos diante de nossa responsabilidade cristã, que nos deve impelir a esta compreensão das graças recebidas por Deus, e perceber que aquilo que recebi deve, em primeiro lugar, fazer-se ativo em mim e então compartilhar esta vida com quantos podemos.

[O Espírito de Deus abrange a todos]

Nos voltando mais ao Livro dos Números, percebemos que dois dos setenta homens não estavam junto aos demais na hora em que todos receberam a porção do espírito de Moisés (cf. Nm 11,26). Mas mesmo assim, no lugar onde estavam, receberam também o espírito. Isto mostra também o quanto Deus é livre para dar a Sua graça a quem deseja, sem se restringir a locais ou formalidades humanas. “O vento sopra onde quer” (Jo 3,8) e assim é o Espírito, mostrando que, mesmo muitos estando fora do ambiente naturalmente conhecido como lugar onde se recebe a graça de Deus, estes podem também receber o espírito necessário para fazer a vontade de Deus.

O que chama atenção ainda neste episódio da Sagrada Escritura é a incompreensão disto por aqueles outros sessenta e oito que estavam reunidos, pedindo a Moisés que não deixe profetizar estes dois que estavam fora do grupo reunido. Moisés chama a atenção para o possível sentimento de ciúmes (cf. Nm 11,29) entre eles, visto que mesmo os que não haviam respondido imediatamente ao chamado de presença diante de Moisés, estavam a profetizar como quem recebeu a porção do espírito. Aqui Moisés nos diz algo importante, que oxalá, todo o povo do Senhor profetizasse (cf. Nm 11,29). Podemos perceber o quanto isso seria salutar para o mundo, pois quanto mais houvesse vozes falando verdadeiramente em nome de Deus, mais Ele regeria a vida humana, diminuindo assim, os males e ofensas, sendo mais fácil a realização de Seu Reino.

No evangelho encontramos Jesus a dizer algo parecido aos discípulos. O Senhor acrescenta a novidade do Anúncio da Boa Nova, que não depende de títulos e cargos, mas simplesmente do seguimento comprometido. De fato, percebemos a lógica de simples de Cristo ao dizer “quem não é contra nós é a nosso favor” (Mc 9,40), fazendo assim que os discípulos compreendam que não devem desgastar-se demais por aqueles que pregam em conformidade com a Vontade de Deus e que não oferecem nenhum ataque claro e persistente a verdadeira fé.

É possível compreender isto nos dias de hoje? Não só é possível como necessário. Vemos inúmeras denominações religiosas tomando para si o direito de pregar e profetizar no espírito da Sagrada Escritura. Nossa atitude diante de tantos deve seguir as palavras de Jesus, primeiro analisar se não nos ofendem e atacam, se não causam nenhum perigo a integridade da fé em Cristo, e depois nos empenhar mais em viver uma vida cristã coerente que possa dar o testemunho que Cristo nos pede. Assim estaremos cumprindo em parte nossa missão recebida no Batismo.

[Percamos a comodidade da vida terrena, mas não a vida eterna]

Este evangelho apresenta-nos como que duas partes, na primeira ouvimos Cristo esclarecer os discípulos sobre aqueles que de alguma maneira estão fazendo o que Ele mesmo pede aos que o segue. Numa segunda parte Jesus apresenta a todos a necessidade da coerência de vida a ponto de não escandalizar os mais inocentes e puros, aqueles que tentam viver fielmente a sua fé. Somos convidados a isso, a não escandalizar com nossos pecados, ou seja, mostrando-nos piedosos e fieis a Cristo mas vez por outra cometendo os mais vergonhosos e detestáveis pecados.

O Senhor sempre nos auxilia a vivermos uma vida reta, livre do pecado, afastando qualquer motivo de escândalo que possa nos tocar. “se tua mão te leva a pecar, corta-a!... se teu pé te leva a pecar, corta-o!... se teu olho te leva a pecar, arranca-o!”, pois é melhor garantir que estamos aptos a entrar na eternidade junto de Deus do que pecar aqui, por motivos fracos, por prazeres passageiros e ir para a eternidade infeliz, longe de Deus, onde se fica eternamente ardendo pela dor (cf. Mc 9,43.45.47-48).

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