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sábado, 22 de setembro de 2012

XXV Domingo do Tempo Comum

Sb 2,12.17-20 Tg 3,16-4,3 Mc 9,30-37

Pe. Valderi da Silva

Estimados irmãos.

Ouvimos atentamente o Livro da Sabedoria e nele vemos o quanto que a santidade de vida incomoda o mundo. Nas palavras “justo” e “ímpios” vemos as figuras do homem santo e do homem mau, daquele que esta conduzindo sua vida no caminho da perfeição, como Deus nos pede, e daquele que esta se deixando conduzir pelas facilidades do mal, não se importando em levar uma vida de pecado.

Crucificado (salvador dali) O justo é incomodo aos maus porque não compactua com as ações injustas e desonestas, porque não deixa o medo orientar suas atitudes, porque não age egoisticamente como fazem os ímpios que somente pensam em sua própria vida, acima de da vida dos outros. Podemos pensar que é por isso que a santidade é tão difícil e por isso que muitos desistem de a perseguir, porque pensam primeiramente em suas vidas e no quanto ela será comoda e pacata se compactuar vez por outra com a maldade dos injustos e ímpios. Podemos notar que uma vida ímpia, injusta, covarde e egoísta só pode ser uma vida de pecado, e sabendo que um pecado traz muitos outros, a inveja não estaria fora. Os maus invejam uma vida santa, justa, totalmente voltada e orientada pelos princípios de Deus, porque enxergam que os santos são felizes. Por este motivo a felicidade dos justos é motivo de perturbação para os que não optam por ver segundo Deus.

Meus irmãos, o justo, ou aquele que tenta viver somente conforme Deus nos orienta e que é invejado e atacado pelos ímpios e maus, deve se importar? Deve temer? Certamente que não, e o simples fato de que sabe depositar sua confiança e sua vida em Deus não o permite temer qualquer coisa que estes contrários a sua vida podem lhe causar.

Nesta leitura, presenciamos a armação de um plano para fazer sofrer o justo e assim colocar a prova sua fé em Deus. O que estes algozes não entender é que colocando seu plano em prática não estarão testando somente o justo, mas a própria ação de Deus. Vemos isto diariamente em nosso tempo, através de muitas pessoas que colocam a fé dos cristãos a prova, querendo alucinadamente testar se realmente este Deus existe e pode salvar nossas vidas. São tolos que depositam sua fé em si mesmos e por isso querem provas de que sua autossuficiência é mais poderosa do que qualquer deus.

Deus permanece constantemente junto aos seus filhos, mediante a retitude de suas vidas, por isso são justos e conseguem se mantêm na justiça. Lembremos que na Sagrada Escritura, ser chamado de justo muitas vezes equivale a ser reconhecido como santo. É neste sentido que o Livro da Sabedoria trata os filhos de Deus, que não são santos por si somente, mas são santos em Deus e persistem na santidade por causa de Deus. Isto é o que os malfeitores não compreendem, pois aqui esta a salvação do justo, a constante presença de Deus em suas vidas. Deus não somente nos orienta para a santidade de vida, mas somente nos mantendo Nele e sempre o buscando é que nos manteremos neste estado de vida e assim encontraremos a salvação, mesmo que cheguemos ao fim de nossa peregrinação neste mundo.

Penso ser oportuna este olhar sobre este trecho do Livro da Sabedoria, porque ele certamente nos faz olhar para o próprio Cristo. O justo dos justos, o santo dos santos, caçado por ser bom, por fazer o bem a todos que o procuravam. Ele é o exemplo mais nítido de tudo o que vimos neste Livro do Antigo Testamento. Nele se cumpriram todas as afirmações dos profetas e também as ciladas do ímpios. Mas Cristo nos provou que não é infeliz quem morre por uma vida justa e santa.

Lembrando o que nos escreve São Tiago, percebemos o porque estes ímpios e maus agem da maneira como presenciamos. Diz São Tiago: “Onde há inveja e rivalidade, aí estão as desordens e toda espécie de obras más” (Tg 3,16). De certa, já mencionamos isto, mas o fato é que o ímpio deixa crescer em seu coração a desordem que o faz não se importar mais em pecar deixando, deste modo, de se preocupar com a justiça e retitude de vida a qual também é chamado. É através desta desordem interior, onde há um abafamento das virtudes e dos valores, que vai crescendo com facilidade os demais vícios, como imoralidades, mentiras e trapaças. Num mundo onde reina o caos só pode surgir mais caos, mais desordem. É por isso que cresce tão facilmente a inveja, principalmente daqueles que não se deixam viver deste modo, pois a custo de muito esforço acabam encontrando a verdadeira felicidade, e por isso causam inveja nos que preferiram a desordem de vida. Estes têm como sair deste estado, apesar de lhes custar muito esforço, mas precisam ver como necessário este grande empenho para que possam deixar de ser tropeço para os justos e santos, para andar junto com eles no caminho que leva a felicidade plena, junto de Deus.

Lembrando de tudo o que presenciamos de maldade em nosso tempo, fica fácil afirmar que isto acontece por falta desta atitude firme e decidida por este caminho de justiça e santidade. Assim como São Tiago (cf. Tg 4,1), podemos afirmar que é justamente por meio das variadas paixões individualistas e egoístas que surgem as guerras, brigas e toda variedade de conflitos, além das inúmeras maldades individuais que tanto nos horrorizam.Jesus com uma crianca

Tendo percebido tudo o que nos quer dizer estas palavras do Livro da Sabedoria e da carta de São Tiago, podemos escutar mais atentamente o que nos diz Jesus neste evangelho a respeito de sua morte. De fato, podemos transferir perfeitamente as palavras do Antigo Testamento a este momento da vida de Jesus, pois ele foi entregue por força dos pecados, motivados pela maldade nos homens. Sua vida foi tida como incomodo para os que não aceitavam sua mensagem de Salvação, pois lhes tirava do conforto de suas vidas cômodas e fixadas na tradição que eles haviam criado. Enfim, mostrava a vida hipócrita e incoerente que viviam todo o mal que causavam ao povo.

Também é preciso perceber que Jesus anuncia sua morte, exortando aos seus discípulos a humildade. O que poderia nos dizer tal coisa? Podemos ver nessa ligação aparentemente sem sentido claro, a via pela qual se chega a suportar toda a perseguição e maldade do mundo sem desistir no meio do caminho. Em realidade, já que a inveja é a arma mais usado pelo demônio, a humildade é a característica mais forte dos verdadeiros filhos de Deus. É com a humildade que se vence a maldade, pois nela se revela a força de Deus. É através da humildade que se alcança a alto cume da glorificação junto de Deus, pois quem se humilha será exaltado, como nos diz os evangelhos (cf. Mt 18,4; 23,12; Lc 14,11; 18,14). Por este motivo diz Jesus neste evangelho: “se alguém quiser ser o primeiro, que seja o último de todos e aquele que serve a todos!” (Mc 9,35).

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