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sábado, 11 de agosto de 2012

XIX Domingo do Tempo Comum

1Rs 19,4-8 Ef 4,30 – 5,2 Jo 6,41-51

Pe. Valderi da Silva

Caríssimos irmãos e irmãs em Cristo.

Unido ao evangelho do domingo passado – XVIII Domingo do Tempo Comum – a liturgia de hoje nos oferece uma atenção oportuna para o alimento que é a fonte da vida do cristão. Não podemos pensar que já não precisamos mais refletir e se aprofundar neste tema, em realidade sempre será necessário voltar a esta verdade de nossa fé e que é tão fundamental para nossa vida em vista da realidade eterna.Jesus segura a Eucaristia

Numa atitude verdadeiramente justa, pelo reconhecimento do amor de Deus para conosco, nunca devemos esquivarmo-nos de escutar atentamente o que se nos diz sobre o Pão da Vida.

[O alimento que Deus oferece nos dá a força necessária]

Acabamos de escutar a leitura do livro dos Reis que nos apresenta a eficácia do alimento dado por Deus aos seres humanos. Diz o livro que com o alimento dado por um anjo de Deus, Elias se sustentou por uma longa viagem que durou quarenta dias e quarenta noites até o monte de Deus.

Primeiramente notemos que quando a Sagrada Escritura fala no número “quarenta”, esta querendo dizer mais que uma medida exata do tempo, esta querendo mostrar que o tempo que passou foi longo, talvez mais do que o comum ou esperado. Da mesma forma ouvimos no livro do Êxodo que o povo viveu no deserto durante quarenta anos também com o mesmo significado, querendo acima de tudo nos dizer que passou muito tempo até a entrava do povo de Israel na terra prometida (cf. Ex 16,35). É desta maneira que olhamos para estes quarenta dias e quarenta noites em que Elias andou sem parar para chegar ao monte de Deus. E justamente partindo desta explicação é que percebemos a mensagem que este relato da vida de Elias nos quer transmitir. Aquilo que Deus oferece para nos alimentar é força que nos sustentar na longa caminhada da vida, neste longo peregrinar do ser humano desde seu nascimento até o dia que alcançara o “Monte de Deus”, lugar eterno para onde estamos direcionados. Como Elias sentimos cansaço e sono, o que podemos traduzir pelos muitos acontecimentos inesperados que podem nos desanimar neste caminho e que é momento favorável para o pecado nos tentar com mais força onde muitos caem e por isso sentem o “sono” da desesperança, o “sono” da ilusão do mundo, deixando assim de caminhar em direção ao “Monte de Deus” para buscar a letargia da vida perene.

Nesta vida terrena, Deus nos deixa visivelmente este Seu alimento para que o ser humano não venha a adormecer no caminho, deixando de caminhar. Se pretendemos caminhar conscientemente para Deus nos alimentemos deste alimento divino, oferecido por Deus gratuitamente.

[Cristo é o pão que vêm do Céu]

Parece claro que neste relato sobre Elias encontramos uma imagem antecipada de Jesus Cristo, pois Ele é o pão que veio e vêm do Céu: Eu sou o pão do céu (Jo 6,41b); Eu sou o pão vivo descido do Céu (Jo 6,51a). Sabemos da origem de Jesus, não humana mas divina, apesar de ter-se revestido de carne humana. Deste modo quando aceitamos que o pão – o alimento – que Ele nos oferece é Ele mesmo, devemos aceitar também que este alimento têm sua origem no Céu, na eternidade. Aceitando isso, não se torna exagero dizermos que recebemos um alimento eterno, constituído de eternidade, pois lá não existe tempo nem espaço e portando é bem possível o eterno se fazer presente num pão.

Colocando nosso pensamento inteiramente neste pão eterno, podemos pensar se esta eternidade constitutiva dele é passageira, se o que é próprio dele se desfaz com a ignorância e indiferença dos seres humanos a ele. Evidentemente que não. Sua matéria eterna uma vez formada em alimento visível não se dilui nem se desfaz, como se a eternidade presente tivesse prazo de validade!

Este Cristo, verdadeiro alimento para nós, vive para sempre, assim como o alimento que de seu corpo nos deixou.

[O amor e zelo pela Eucaristia]

Falando mais claramente, onde encontramos este pão vivo descido do Céu que é o próprio Jesus? Na Santíssima Eucaristia, sacramento que nos sustenta na longa jornada da vida. Este pão dos anjos (panis angelicus), como nos disse o grande santo Tomás de Aquino, merece toda a adoração dos cristãos pois nele esta a presença viva e real de Jesus Cristo, em Seu corpo, alma e divindade.

A presença eucarística de Cristo começa no momento da consagração e dura também enquanto subsistirem as espécies eucarísticas. Cristo esta presente inteiro em cada uma das espécies e inteiro em cada uma das partes delas, de maneira que a fração do pão não divide o Cristo (CIC 1377).

Sua presença neste mundo se faz de muitas maneiras, mas nada é tão excelente como a sua presença na Eucaristia.

Deus mesmo esta presente aqui, ao nosso alcance! Na minha frente vejo o mesmo Jesus que se sacrificou pela humanidade a dois mil e tantos anos atrás. Cada católico (como cada pessoa no mundo) tem este privilégio, de ter na sua frente algo que encontrará somente no céu. (Blog VALDERI. Adoremos ao Senhor na Eucaristia. 11/06/2009)

E ainda mais: este Senhor do universo, eterno e infinito, põe-se tão pequeno para que possamos o pegar e tomar como alimento. É por este motivo que devemos alimentar em nós um amor extremo a esta Santa Eucaristia, pois não se trata de mais um símbolo cristão, nem de um alimento qualquer como se fosse um “quitute” semelhante aos servidos em festas. Se trata do Rei dos Reis, do Senhor dos Senhores, do milagre mais extraordinário que poderemos presenciar neste mundo.

Tendo isto, não seria natural que o cristão estivesse perfeitamente digno para receber tamanho dom? Que estivesse perfeitamente preparado para receber esta Eucaristia através de uma sincera purificação de seus pecados? Certamente que esta dádiva concedida a nós, exige um cuidado todo especial. Estar de coração e alma limpos diante de Deus, em estado de graça, sem pecado mortal (grave), assim como nos diz o Catecismo: Quem está consciente de um pecado grave deve receber o sacramento da reconciliação antes de receber a comunhão (CIC 1385). O mesmo número do Catecismo cita São Paulo sobre a recepção da comunhão indignamente:

Todo aquele que comer do pão ou beber do cálice do Senhor indignamente, será réu do Corpo e do Sangue do Senhor. Por conseguinte, que cada um examine a si mesmo antes de comer desse pão e beber desse cálice, pois aquele que come e bebe sem discernir o Corpo, come e bebe a própria condenação (1Cor 11,27-29)

Estando aptos a receber a Eucaristia ainda temos mais a cuidar. Nosso zelo pelo Senhor não deve ser menor quando o recebemos para comungar. Muitos preferem receber a Sagrada Eucaristia na palma da mão para depois a levar a boca. Estes devem ter muito cuidado para que não deixem cair fragmentos do Corpo do Senhor no chão e nem que fiquem grudados na mão. Lembremos o que diz a Igreja no Catecismo, Cristo esta presente inteiro em cada uma das espécies e inteiro em cada uma das partes delas, de maneira que a fração do pão não divide o Cristo (CIC 1377). Deste modo, Cristo também esta presente nos fragmentos que se desprendem da partícula que cada um recebe. É por este motivo que a Igreja sempre incentivou a recepção da comunhão diretamente na boca, para que o cristão não tenha que se preocupar com este cuidado em especial e também para que o Corpo de Cristo não seja profanado

[A fonte da vida é o alimento que dá a vida]

Quem comer deste pão viverá eternamente (Jo 6,51). Esta é mais que uma promessa é uma realidade desvelada por Cristo a todo ser humano. Aquele que se aproxima de Deus, e se alimenta somente Dele encontra a vida eterna e por isso diz Jesus que viverá eternamente.

A vida que se pode procurar neste mundo é alimentada pelo próprio alimento do mundo, que como ele, é perecível e com destino certo. Já a vida que foge deste mundo, a vida eterna, não é perecível, isto é, não têm tempo determinado para acabar, por isso o alimento que deve nos sustentar para esta vida também deve ser eterno como ela: imperecível. Assim é Cristo Eucarístico, Pão eterno que nos fortalece mediante o caminho tortuoso e difícil da jornada neste mundo.

[Cristo dá seu corpo para que o mundo não morra]

Na oferta de Cristo pela humanidade vemos também o amor de Deus pela sua criação toda. Este alimento que nos sustenta no caminho em via para a vida eterna, também é sustento para que o mundo não morra. Diante da vida na graça de cada ser humano, sustentado pelo Pão do Céu, a convivência com a criação se torna mais edificante, pois o ser humano compreende mais perfeitamente a ordenação de toda a criação saída das mãos de Deus.

Nossa necessidade deste Pão Eucarístico passa também pela necessidade de sermos melhores administradores da terra e irmãos uns dos outros, pois é este alimento salutar que nos restaura o espírito de forma necessária para agirmos como devemos com Deus, os homens e o mundo.

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