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sábado, 18 de agosto de 2012

Solenidade da Assunção de Nossa Senhora

Ap 11,19a;12,1.3-6a.10ab 1Cor 15,20-27 Lc 1,39-56
Valderi da Silva
Estimados irmãos e irmãs.
Estamos reunidos para celebrar, como em todos os anos, uma das mais antigas e amadas festividades dedicadas a Maria Santíssima: a Solenidade da sua Assunção na glória do Céu de corpo e alma, ou seja, com todo o seu ser humano, na integridade da sua pessoa. Em primeiro de novembro de 1950, o venerável Papa Pio XII proclamava como dogma que a Virgem Maria, após terminado seu curso de vida terrena, foi assunta à glória celeste. Eis as palavras da Constituição:
Para a glória do Deus onipotente, que prodigou sua peculiar benevolência à Virgem Maria, para honra do seu Filho, Rei imortal dos séculos e vencedor do pecado e da morte, para incremento da glória da sua augusta mãe, e para gáudio e exultação de toda a Igreja, com a autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados Apóstolos Pedro e Paulo e a Nossa, proclamamos, declaramos e definimos ser dogma divinamente revelado que a Imaculada Deípara, sempre virgem Maria, completado o curso da vida terrestre, foi assumida em corpo e alma na glória celeste.
(Constituição Apostólica Munificentissimus Deus, 01/11/1950. In: Denzinger/Hünermann. CSDDFM*. n. 3903)
A Assunção de Nossa Senhora não se encontra na Sagrada Escritura, mas foi transmitida pelos cristãos oralmente duranteMaria Assuncao 1 os séculos. É por este motivo que foi necessário que o Santo Padre proclamasse oficialmente que a Igreja inteira tinha com certa a assunção da Mãe de Deus aos céus, de tal modo que ainda no mesmo documento, Pio XII acrescenta que “se alguém ousar, voluntariamente, negar ou pôr em dúvida o que foi [definido], tome conhecimento de ter-se apartado totalmente da fé divina e católica” (idem, n.3904).
Esta solenidade da Assunção de Maria nos traz algumas reflexões sobre a realidade que nos espera e a nossa vida presente.
Gostaria de olhar atentamente algumas das muitas imagens que esta liturgia de hoje nos apresenta. Primeiramente podemos olhar para esta primeira leitura que é tirada do Apocalipse de São João. Nela esta apresentada a figura da Arca da Aliança, objeto valioso e precioso já no Antigo Testamento, quando nela o povo eleito guardava as tábuas da Lei (cf. Ex 25,10-16), recebidas de Deus pelas mãos de Moisés. É sinal visível de Deus entre o povo, da presença palpável do Senhor entre seus filhos, por isso foi sempre tratada pelo povo hebreu com grande honra e veneração, pois era o lugar da manifestação de Deus. No Apocalipse vemos esta recordação da Arca não para trazermos novamente a imagem da antiga arca construída por mãos humanas, pois agora Deus mesmo fez sua arca para residir visivelmente entre seu povo. Agora o Novo Testamento nos diz que a verdadeira arca da aliança é uma pessoa viva e concreta: Maria, pois ela trouxe em seu ventre o Filho eterno de Deus que se fez homem, Jesus Cristo (cf. Homilia do Papa Bento XVI. 15/08/2011). Podemos lembrar que a piedade cristã trouxe através dos tempos este mesmo título à Maria nas ladainhas em sua honra invocando-a como Foederis Arca, ou seja, “arca da aliança”, que podemos traduzir como arca da presença de Deus, arca da aliança do amor que Deus quis estreitar de maneira definitiva com a humanidade. Nela, pela força do Altíssimo (cf. Lc 1,34-35), habitou a Nova Lei, que restauraria a Aliança realizada por Deus com seu povo.
Poderíamos nos questionar como Maria pode ser considerada ainda “Arca” mesmo depois do nascimento de Jesus. Devemos considerar que uma vez recebido em seu corpo o Filho de Deus, não poderia mais se separar Dele, pois aquela que desde sempre foi imaculada, tinha a perfeição necessária para tal e portanto não deixa de ter a presença de Jesus nela, mesmo após o nascimento de Cristo. Nisto já podemos ver a nossa condição nesta permanência com o Senhor, pois na Eucaristia o recebemos realmente e como Maria, nos tornamos “arca” no sentido de portadores do Filho de Deus em nós. Por este motivo, também é possível que preservemos em nós a presença de Cristo tendo a disposição de viver em estado de graça, ou seja, sem pecado grave.
O Apocalipse ainda nos dá um outro aspecto importante para nós desta imagem de Maria como Arca da Aliança. Seu destino final como portadora de Cristo será a glória do Céu: uma mulher vestida de sol, tendo a lua debaixo dos pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas (Ap 12,1). É o lugar daquela que acreditou e que serviu inteiramente a Deus, trazendo em seu ventre o Filho de Deus ao mundo. Notemos que este destino glorioso de Maria indica o destino de todo ser humano portador fiel do Senhor em sua vida. Todo aquele que recebe o Altíssimo e o guarda com adoração e confiança, lutando bravamente contra as várias ocasiões que tentam o ser humano a se apartar do Senhor, encontrará certamente Maria onde ela foi glorificada. Por isso, dizemos com toda confiança que Nossa Senhora, a Virgem Maria, nos ensina o caminho do céu, pois através de sua vida sabemos o que devemos fazer para estar eternamente junto de Deus.
No evangelho de São Lucas (1,30-56), encontramos outra imagem perfeita de Maria que nos toca sensivelmente. Ela é a adoradora perfeita de Deus, pois sabe da grande maravilha que o Altíssimo realizou em sua pessoa. Neste momento, Maria certamente, deve ter glorificado a Deus por dois motivos: por fazer dela instrumento para a vinda ao mundo do Filho de Deus e por ter percebido que o Senhor somente poderia fazer-se presente num corpo protegido do mal, sem a mácula do pecado, e então compreendemos porque a manifestação de Maria dizendo que o Senhor fez por ela grandes maravilhas (cf. Lc 1,49).
Maria visita Isabel Nesta imagem de Maria como a perfeita adoradora do Senhor, percebemos a necessidade da adoração àquele que nos pode levar a vida eterna, como levou Maria aos Céus. De fato, não podemos separar nossa vida cristã da obrigação da adoração a Deus, assim como canta o salmo 95: vinde, adoremos e prostremo-nos por terra e ajoelhemo-nos ante o Deus que nos criou (v.6). Digo obrigação, pelo simples fato de que, o ser humano ao não se importar em adorar o Senhor, pode começar a adorar outras coisas, edificando para si deuses no qual pode ele mesmo, determinar que tipo de adoração deve prestar. Temos aqui, uma atitude conveniente de quem não quer dobrar-se a Deus.
O canto de Maria ao visitar sua parenta, Isabel, nos apresenta não somente o louvor adequado a Deus naquele momento, mas nos acaba ensinando como O louvar em nossas adorações. Penso que Maria nos transmite que é necessário o reconhecimento das maravilhas que Deus realiza em nossas vidas para que daí brote um sincero louvor a Deus. Certamente que além de saber identificar as obras de Deus é preciso reconhcê-Lo através delas, ou seja, conhecer mais a Deus por meio de suas manifestações. De certo, conhecê-Lo mais perfeitamente, será um efeito salutar da atitude de adoração, de modo que, a quem têm esta consciência de que precisamos conhecer sempre mais a Deus para estarmos mais junto Dele, a adoração se faz uma obrigação.
Mas ainda temos outra imagem clara que esta solenidade nos quer deixar. Esta foi abordada pelo Santo Padre, Bento XVI, em sua homilia nesta Solenidade no último dia 15:
O que a Assunção de Maria ensina ao nosso caminho, à nossa vida? [Primeiramente], na Assunção vemos que em Deus há espaço para o homem, Deus mesmo é a casa com muitas moradas da qual fala Jesus (Jo 14,2).
(Homilia do Papa Bento XVI. Assunção de Maria, na Paróquia Pontifícia de São Tomás de Villanova, em Gastel Gandolfo. 15/08/2012)
É uma verdade que Jesus mesmo nos apresenta com Seu evangelho, expressando o desejo do Pai de que todos possam gozam de Sua eternidade. Neste sentido, concluímos com o Papa que Deus nos mostra, através da Assunção de Maria, que nos quer lá, junto Dele pois esta agora sabemos que Nele esta aberto um espaço para o ser humano.
Mas notemos o que nos deixa mais claro as palavras do Santo Padre:
Maria, unindo-se a Deus, não se distância de nós, não vai para uma galáxia desconhecida, mas quem vai a Deus se aproxima, porque Deus está perto de todos nós, e Maria, unida a Deus, participa da presença de Deus, está muito perto de nós, cada um de nós. (idem)
Maria Assuncao 2É a ratificação de nossa devoção a Maria Santíssima, pois sabemos que realmente sua presença junto de nós, é possível  pois ela está junto de Deus. Com isto, não podemos mais ter a desconfiança se Maria nos escuta ou se nos assiste, pois ela está constantemente próxima de nós assim como Deus está, e por isso, pode tão eficazmente interceder por nós.
Ainda nos diz o papa em sua homilia que existe aí outro aspecto, o de que “não só em Deus há espaço para o homem; no homem há espaço para Deus” (ibidem). E é precisamente em Maria que percebemos isto também, pois ela não recebeu outra coisa que não fosse o próprio Deus em sua vida. Portanto, é sim possível e perfeitamente realizável que Deus habite no ser humano, assim como habitou em Maria, mostrando definitivamente que no ser humano há um grande espaço para Deus.
Por fim, lembremos o por que é importante para os católicos recordarem e se aprofundarem no dogma da Assunção da Virgem Maria. O Catecismo da Igreja (966) nos dá a resposta de modo simples e claro: "A Assunção da Santíssima Virgem constitui uma participação singular na Ressurreição do seu Filho e uma antecipação da Ressurreição dos demais cristãos" (cf. Blog VALDERI. A Assunção de Maria. 15/08/2009). Se não tivéssemos outros motivos para lembrar da Assunção de Maria, bastaria considerar este, de que em sua elevação ao Pai, temos a certeza da Ressurreição da carne, ressurreição visualizada na assunção da Mãe de Jesus.
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*CSDDFM = Compêndio dos símbolos, definições e declarações de fé e moral (Enchiridion symbolorum, definitionum et declarationum de rebus fidei et morum)

















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