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terça-feira, 28 de agosto de 2012

Santo Agostinho de Hipona, bispo e Doutor da Igreja

Valderi da Silva
Felizmente a Igreja é presenteada com grandes personagens que não somente vivem santamente, mas dedicam-se a defendê-la e torná-la mais compreensível para todos. Entre tantos homens e mulheres que durante todos estes séculos de história da Igreja, destaca-se hoje Agostinho de Hipona. Hipona, porque é nesta província africana que exerceu seu Santo Agostinho 1 ministério sacerdotal e episcopal. Era natural de Tegaste, atual Argélia, filho de Patrício e Mônica, esta que chorou e rezou a boa parte da vida pela conversão deste filho ingrato às graças divinas. Certamente, Santo Agostinho é tido e reconhecido como um dos maiores Padres que o Ocidente cristão viu surgir e por isso sua vida e escritos são fundamentais para a vida cristã e o estudo teológico.
O Santo Padre, Bento XVI, proferiu no ano de 2010 uma catequese dedicada a Santo Agostinho, nela desejava destacar simplesmente a visível necessidade do ser humano em encontrar a Verdade, mas ainda mais do que isso, o anseio que no íntimo de cada pessoa existe em encontrar esta verdade real da existência. “Santo Agostinho é um homem que nunca viveu com superficialidade; a sede, a busca inquieta e constante da Verdade é uma das características fundamentais de sua existência; não, porém, das “pseudo verdades” incapazes de levar paz duradoura ao coração, mas daquela Verdade que dá sentido à existência e é “a morada” em que o coração encontra serenidade e alegria” (Blog VALDERI. Santo Agostinho: Catequese do Papa Bento XVI. 29/08/2010). Através de suas “Confissões” é que podemos confirmar estas palavras do Papa de que sempre buscou inquietamente algo que pudesse preencher seu espírito. O ser humano sente constantemente esta necessidade interior de encontrar algo que realmente lhe preencha, que complete alguma coisa dentro de si. Por muitas vezes, dá-se nomes estranhos a esta busca interior, levando muitas pessoas ao encontro de lugares onde não esta aquilo que os vai saciar. Agostinho passou por isso, pois sua relutância em conhecer a fé de sua mãe, o empurrava para outros lados como por exemplo foi sua participação no grupo dos maniqueístas, seguidores do profeta Mani.
Mas o que pode preencher o ser humano, saciá-lo interiormente? Somente a Verdade, esta que Agostinho acabou encontrando depois de uma vida mergulhada na mentira e corrupção, ou seja, depois de viver chafurdado no pecado. Por vezes o ser humano pode se encontrar deste modo, quando a exemplo do velho Agostinho, reluta por saber de Deus,Santo Agostinho 3 reluta por ouvir a Verdade, pois quer criar a própria verdade, algo que não passa de apenas um escudo protetor, que lhe permite viver uma vida libertina, escravo do prazer, do poder e da vontade própria. Deve-se buscar a Verdade, mas não as falsas verdades, como fala o Papa, pois estas nunca irão saciar o ser humano. Percebemos que muitos dos que vão atrás destas pseudo-verdades, não permanecem atrelados a elas vitalisticamente, pois estas próprias falsas verdades acabam por contradizer-se e mostrar a si mesmo como caminhos sem saída, poço raso que não têm a profundidade necessária para saciar a sede do ser humano. Naturalmente, o ser humano não deve lutar contra esta feliz inclinação que todos possuem de sair ao encontro do verdadeiramente Eterno.
Na mesma catequese do papa se diz:
O caminho [de Santo Agostinho] não foi fácil, nós sabemos: pensava em encontrar a Verdade no prestígio, na carreira, na posse das coisas, nas vozes que lhe prometiam felicidade imediata; cometeu erros, atravessou a tristeza, enfrentou insucessos, mas nunca parou, nunca se satisfez com aquilo que lhe dava apenas um vislumbre de luz; soube perscrutar o íntimo de si e percebeu, como escreve nas Confissões, que aquela Verdade, que o Deus que buscava com suas próprias forças era mais íntimo de si que ele próprio, ele sempre esteve ao seu lado, nunca o tinha abandonado, estava à espera de poder entrar de modo definitivo na sua vida (cf. III, 6, 11; X, 27, 38).
Comentando o filme lançado em 2010, sobre a vida de Agostinho, Bento XVI continua dizendo:
[…] Santo Agostinho compreendeu, em sua busca inquieta, que não era ele quem havia encontrado a Verdade, mas a própria Verdade, que é Deus, tinha-o buscado e encontrado (cf. L’Osservatore Romano, quinta-feira, 4 de setembro de 2009, p. 8). Romano Guardini (um importante teólogo alemão do séc. XX), comentando uma passagem do terceiro capítulo das Confissões, afirma: Santo Agostinho percebe que Deus é “glória que se ajoelha, bebida que mata a sede, o amor que traz felicidade, [... ele era] a pacificante certeza de que finalmente tinha compreendido, mas também a beatitude do amor que sabe: isto é tudo e me basta” (Pensatori religiosi, Brescia 2001, p. 177).
Este santo deve inspirar-nos, principalmente, a nunca deixarmos de lado a busca pela Verdade nublada por nossos Santo Agostinho 4 pecados e também jamais permitir que o desânimo pelo esforço aparentemente sem resultado, nos deixe vencer e que nos acomodemos naquela pouca sabedoria que possuímos e deixemos de buscar a Deus com mais comprometimento. Na verdade, o que é simples de perceber em Santo Agostinho é que desde cedo nunca abafou em seu íntimo este desejo latente no ser humano pela verdade, sempre deu valor a ansiedade que o movia a não ficar quieto sem descobrir o que precisava, e no entanto, foi a própria Verdade, que é o próprio Deus, quem se mostrou a Ele, pois nunca havia deixado de estar com ele.
Caríssimos irmãos e irmãs, nas palavras do Santo Padre, “gostaria de dizer a todos, também àqueles que vivem um momento de dificuldade no seu caminho de fé, aos que participam pouco da vida da Igreja ou aos que vivem “como se Deus não existisse”, que não tenham medo da Verdade, não interrompam o caminho para ela, não deixem de buscar a verdade profunda sobre si e sobre as coisas, com os olhos interiores do coração. Deus não falhará em oferecer a Luz para fazer ver e Calor para fazer sentir, ao coração que ama e que deseja ser amado”.
Os filhos de Deus, buscando a Verdade plena, acabam descobrindo que Ela nunca morou em outro lugar que não o coração humano, mas é preciso vê-la com olhos não somente humanos, e com inteligência não somente humana, é precisa vê-la com olhos do coração e pensá-la com a inteligência da fé.
Peçamos a intercessão de Santo Agostinho, juntamente com sua mãe Santa Mônica, para que possamos percorrer este caminho da vida, para que ao fim a Verdade prevaleça em nós.

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