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quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Quinta-feira – Jr 31,31-34 Mt 16,13-23

XVIII Semana do Tempo Comum

Pe. Valderi da Silva

Eis que virão dias, diz o Senhor (Jr 31,31), este tempo a que se refere Jeremias teve sua realização na encarnação do Verbo Eterno. Em Jesus Cristo realizou-se a Nova e eterna Aliança. Nova porque é a renovação da predileção de Deus pela humanidade, sem invalidar a Antiga renova-a trazendo uma mais completa compreensão da vida divina. Eterna porque sendo firmada por Deus só pode ser duradoura como Ele e também porque nos proporciona o único bem verdadeiro para todo ser humano, a vida eterna.Profeta Jeremias

Esta Aliança não será como a Antiga que contava com os corações endurecidos dos homens, ainda muito despreparados para compreender a mensagem divina para suas vidas terrenas, em curso para a vida eterna. Em realidade, as palavras que escutamos nesta leitura nos fazem concluir que é somente com Cristo que a humanidade têm a possibilidade de viver a plenitude da vida, pois abriu-se a nós a possibilidade do viver de Deus, sem a necessidade da constante manifestação extraordinária de Seu poder em nossa realidade. Podemos entender melhor esta nova capacidade humana em Cristo, através da vida na graça que o Senhor nos mostrou através da vida sem pecado, vida vivida exclusivamente no exercício do amor a Deus e ao próximo (leitura de Mt 22,36-40).

O cristão de hoje, não pode ler estas palavras do livro de Jeremias e deixar passar indiferente a clara menção de que, esta Nova Aliança assinada por Cristo, não é escrita em tábuas ou pedras, muito menos em papiros ou documentos. Ela é vida, algo que é gravado no coração dos homens e mulheres, uma vivência que difere essencialmente do rigorismo da Lei que era marca da Antiga Aliança.

Este evangelho que a liturgia nos apresenta neste dia nos traz diversos elementos que mereceriam uma atenção mais extensa. De fato, nestes versículos do evangelho de Mateus (16,13-23) encontramos elementos constitutivos da própria missão dos apóstolos, dos cristãos batizados, da comunidade em sua localidade e da comunidade-Igreja, ou seja, sua dimensão universal. Mas a liturgia da Santa Missa se faz um todo com a primeira leitura, por isso se deve ler estes versículos no espírito do que foi lido do profeta Jeremias.

Olhando para o todo deste evangelho vemos expressa a materialização da Aliança firmada por Cristo. Ele não somente desceu da eternidade para nossa perenidade a fim de nos revelar o Deus verdadeiro e eterno como também nos indicar nossa verdadeira vocação e missão. Como os profetas já mencionavam, veio trazer uma Nova Aliança selada por Ele mesmo, pela Sua oferta cruenta na cruz e consequente Ressurreição. É perceptível a preocupação de Cristo com o saber como as pessoas o estão chamando, pois assim se revelaria se estão ou não reconhecendo quem de fato Ele é. É crucial o verdadeiro conhecimento da pessoa de Cristo para entender esta Nova Aliança que Deus traz a seu “povo eleito”. A profissão de fé de Pedro é imagem da profissão de fé desta Igreja que é sinal visível da Aliança firmada por Cristo, pois Ela – a Igreja – conhece a Cristo e por isso sabe nomeá-lo perfeitamente.Basilica Sao Pedro

Esta Nova Aliança esta visivelmente na figura da Igreja de Cristo, pois nela também esta presente o poder indestrutível Daquele que a firmou com o gênero humano (cf. Mt 16,18-19). De certa maneira é lógico que assim fosse, pois esta vivência na comunidade do Povo de Deus (relendo o “povo eleito”) só poderia sobreviver se contasse com o poderoso braço de Deus.

Nos versículos finais deste evangelho, Cristo apresenta aos discípulos como se selará esta Aliança eterna e indestrutível: começou a mostrar aos seus discípulos que devia ir à Jerusalém e sofrer muito da parte dos anciãos, dos sumos sacerdotes e dos mestres da Lei, e que devia ser morto e ressuscitar no terceiro dia (Mt 16,21). Aqui o evangelista não deixa de mostrar que a natureza humana estava sempre presente na missão de Cristo até mesmo querendo o atrapalhar: Deus não permita tal coisa, Senhor! Que isto nunca te aconteça! (Mt 16,22). Evidentemente Jesus, de imediato, repreende a a vontade humana que não pensa como Deus e por isso sempre age contra a Vontade de Deus.

Nossa vida cristã deve ser de coerência com esta Aliança que Cristo firmou por nós, pois é somente através de nossa fidelidade a ela que conseguiremos ser salvos, ou seja, ser merecedores do Reino dos Céus.

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