Destaque:

A retrospectiva de Brás Cubas

Tenho grande apreço por Machado de Assis, pois acredito que sua contribuição para a Literatura Brasileira foi muito além de incrementar ...

Você escolheria a Monarquia como melhor sistema de governo para o Brasil?

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Quarta-feira – Ez 9,1-7;10,18-22 Mt 18,15-20

XIX Semana do Tempo Comum

Pe. Valderi da Silva

Nesta leitura da profecia de Ezequiel encontramos uma visão deste profeta, sobre a qual esta relacionado destino final do mundo infiel a Deus, coberto pelos pecados cometidos e não arrependidos. No Antigo Testamento, Deus sempre reprova a conduta infiel do povo eleito, mas também dá mostras de Sua insatisfação com toda a humanidade que vive na perversidade, maltratando seus próprios irmãos de natureza, não se importando com a vida humana que se maltrata ao diminuir de qualquer forma a dignidade da pessoa humana. É por este motivo que o coração de Deus sempre arde de compaixão mas também arde por justiça, visto que nunca pode amar sem ser justo.batismo2

Nesta voz ouvida pelo profeta encontramos claramente estes sentimentos de Deus, amor e justiça, mesclados mas coerentemente ordenados. Ele ama aqueles tementes ao Seu nome, ama os coerentes com a dignidade humana, que não tentam usurpar a si o poder de controlar a vida alheia e muitos menos decidir que progrida ou não. Mas também exercita a justiça, condenando os injustos e deuses de si mesmos a morte eterna, algo que podemos considerar o definitivo afastamento de Sua presença na eternidade.

É interessante notarmos que um dos seres que Ezequiel distingue vai a frente dos exterminadores para marcar com uma cruz os que são dignos da vida. Primeiro é curioso notar que um profeta do Antigo Testamento já viu de Deus o sinal que trará a salvação da morte a todos os homens. A cruz será o sinal de salvação eterna, permitindo que o fiel receba a dádiva da vida e não seja ameaçado de morte. Depois, podemos ver exatamente a imagem do sacramento do Batismo, conferido pela Igreja de Cristo. Este sacramento vêm a frente da possibilidade de morte, ele marca com este sinal salvador a alma destinada a vida. No entanto, é fato que este sinal recebido no Batismo deve ser vivificado ao longo da vida com os demais sacramentos.

No evangelho que hoje escutamos, Jesus nos revela o poder da fé unida com a dos irmãos. Estando a comunidade unida sob a mesma intenção, como o mesmo sentimento de súplica a Deus em nome de Jesus, dificilmente tal pedido não será concedido. É neste sentido que a Igreja sempre motivou a oração em comum, seja na comunidade ou na família, pois nos apoiamos nestas palavras de Cristo: onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome eu estou ali, no meio deles (Mt 18,20). Certamente que aqui encontramos também a fundamentação para a necessidade de sairmos de nossas casas e nos dirigirmos a um lugar comum para rezarmos a uma só voz, sempre em torno deste nome do Filho de Deus. Isto não quer nos dizer que a oração particular que cada um possa fazer seja descartada como algo infrutífero por Cristo, pois ela têm efetivamente seu valor enquanto permanência na união da alma a Deus a cada momento do dia. Mas Cristo nos quer passar especificamente neste evangelho de hoje a eficácia prometida por Ele quando os cristãos estão unidos sob a mesma oração.

Surgi naturalmente das palavras de Cristo a característica que é própria da vida cristã, a permanente união com os irmãos não somente na vida de oração mas também no cotidiano, terreno onde se batalha pelas virtudes. O que nos fala o Senhor sobre como corrigir um irmão que esta pecando publicamente, deve ser entendido como o amor fraterno que deve mover a comunidade cristã, pois somente assim é que se pode chegar perto de um irmão nosso para tentar lhe mostrar o erro e conduzi-lo a verdade. É notável a prudência com Cristo instruí seus discípulos, pedindo que após a recusa por parte deste irmão pelo esclarecimento do erro, que se aproxime novamente com testemunhas. Jesus conhece a fragilidade humana e por isso conhece também os pecados mais íntimos que o ser humano pode cometer. Por isso, sabe que a necessidade de testemunhas pode levar a diminuir muitos estragos a outros irmãos e a própria comunidade.

Por fim, Jesus pede que se leve a causa a Igreja que é a detentora das Chaves que ligam e desligam, que abre e fecha, enfim, que pode declarar a santidade ou a maldade de uma vida. Assim, como ouvimos na leitura da profecia de Ezequiel, a Igreja é a que conduz a vida através de Cristo e é também a que julga quando necessário, como na visão de Ezequiel, porque se estende no mundo com o poder do próprio Deus.

Nenhum comentário: