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segunda-feira, 20 de agosto de 2012

A santidade: Bernardo de Claraval e outros

Neste dia comemoro meu natalício, e sem querer escrever algum discurso do tipo autobiográfico – porque seria presunção demais! – desejo compartilhar com os amigos este texto do Papa Bento XVI falando sobre a santidade que envolve algumas figuras que a Igreja lembra neste mês, incluise São Bernardo de Claraval, meu querido patrono e inspirador, que hoje também é lembrado em toda a Igreja.

O que nos atarefa neste caminhar é a busca pela santidade, algo precisamos almejar com os pés no chão e coração no alto.

*Recomendo este artigo também: Piedade e devoção com inteligência. 20/08/2010

Pe. Valderi

***

Adudiência Geral do Papa Bento XVI no dia 20 de agosto de 2008

Prezados irmãos e irmãs

Cada dia a Igreja oferece à nossa consideração um ou mais santos e beatos para invocar e imitar. Nesta semana, por exemplo, recordamos alguns que são muito queridos à devoção popular. Ontem, São João Eudes, que diante do rigorismo dos jansenistas estamos no século XVII promoveu uma devoção terna, cujas fontes inesgotáveis ele indicou nos Sagrados Corações de Jesus e de Maria. No dia de hoje recordamos São Bernardo de Claraval que o Papa Pio VIII denominou Sao Bernardo "doutor melífluo", porque sobressaía "fazendo destilar dos textos bíblicos o sentido que neles se encontra escondido". Este místico, desejoso de viver mergulhado no "vale luminoso" da contemplação, foi levado pelos acontecimentos a viajar pela Europa para servir a Igreja, nas necessidades do tempo e para defender a fé cristã. Foi definido também "doutor mariano", não porque tenha escrito muitíssimo sobre Nossa Senhora, mas porque soube compreender o seu papel essencial na Igreja, apresentando-a como o modelo perfeito da vida monástica e de todas as outras formas de vida cristã.

Amanhã recordaremos São Pio X, que viveu num período histórico difícil. Em 1985, quando visitou a terra natal deste Santo, João Paulo II pôde dizer: "Lutou e sofreu pela liberdade da Igreja, e por esta liberdade revelou-se pronto a sacrificar privilégios e honras, a enfrentar a incompreensão e o desprezo, enquanto avaliava esta liberdade como garantia última para a integridade e a coerência da fé" (Insegnamenti di Giovanni Paolo II, VIII, 1, 1985, pág. 1818).

A próxima sexta-feira será dedicada à Bem-Aventurada Virgem Rainha, memória instituída pelo Servo de Deus Pio XII em 1954, e que a renovação litúrgica desejada pelo Concílio Vaticano II decidiu como complemento da solenidade de Nossa Senhora da Assunção, porque os dois privilégios formam um único mistério. Enfim, sábado rezaremos a Santa Rosa de Lima, primeira santa canonizada do continente latino-americano, do qual é Padroeira principal. Santa Rosa gostava de repetir: "Se os homens soubessem o que significa viver na graça, não se assustariam diante de qualquer sofrimento e padeceriam de bom grado qualquer pena, porque a graça é fruto da paciência". Faleceu com 31 anos, em 1617, depois de uma breve existência repleta de privações e de sofrimentos, na festa do Apóstolo São Bartolomeu, de quem era muito devota, porque tinha sofrido um martírio particularmente doloroso.

Caros irmãos e irmãs, dia após dia a Igreja oferece-nos portanto a possibilidade de caminhar em companhia dos santos. Hans Urs von Balthasar escrevia que os santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma sua actualização na vida quotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus. O escritor francês Jean Guitton descrevia-os "como as cores do espectro em relação à luz", porque com as suas próprias tonalidades e matizes cada um deles reflecte a luz da santidade de Deus. Portanto, como é profícuo e importante o compromisso de cultivar o conhecimento e a devoção dos santos, juntamente com a meditação diária da Palavra de Deus e com um amor filial a Nossa Senhora!

Sem dúvida, o período de férias constitui um tempo útil para pegar nas mãos a biografia e os escritos de algum santo ou santa em particular, mas todos os dias do ano oferece-nos a oportunidade de nos familiarizarmos com os nossos padroeiros celestes. A sua experiência humana e espiritual demonstra que a santidade não é um luxo, não é um privilégio para poucos, uma meta impossível para um homem normal; na realidade, ela é o destino comum de todos os homens chamados a ser filhos de Deus, a vocação universal de todos os baptizados. A santidade é oferecida a todos; naturalmente, nem todos os santos são iguais: com efeito, como eu disse, constituem o espectro da luz divina. E não necessariamente é um grande santo aquele que possui carismas extraordinários. Efectivamente, existem numerosos deles cujos nomes só são conhecidos por Deus, porque na terra levaram uma existência aparentemente normalíssima. E em geral são queridos por Deus precisamente estes santos "normais". O seu exemplo testemunha que, somente quando estamos em contacto com o Senhor é que nos tornamos repletos da sua paz e da sua alegria, e que somos capazes de difundir por toda a parte a serenidade, a esperança e o optimismo. Considerando precisamente a variedade dos seus carismas, Bernanos, grande escritor francês que se sentiu sempre fascinado pela ideia dos santos cita muitos deles nos seus romances observa que "cada vida de santo é como um novo florescimento de primavera". Que isto aconteça também connosco! Por isso, deixemo-nos atrair pela fascinação sobrenatural da santidade! Obtenha para nós esta graça Maria, Rainha de todos os Santos, Mãe e Refúgio dos pecadores!

© Copyright 2008 - Libreria Editrice Vaticana

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