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sábado, 7 de julho de 2012

XIV Domingo do Tempo Comum

Ez 2,2-5 2Cor 12,7-10 Mc 6,1-6

Pe. Valderi da Silva

Irmãos e irmãs.

Estamos neste caminho chamado tempo comum, e nele a liturgia nos apresenta todos os domingos pontos fundamentais a respeito da vida cristã com Deus e com o próximo. Hoje percebemos que a liturgia nos quer mostrar algo que muitas vezes é desconsiderado, esquecido ou até transformado em normalidade: a autossuficiência.

Profeta Ezequiel[Deus nos envia seu profeta]

Conhecemos em certa parte a natureza humana e podemos, por este motivo, afirmar que ela é suscetível a muitas inclinações que fogem do caminho traçado a esta natureza por Deus, seu criador. Quando alguém esta tão certo de suas convicções a ponto de negar qualquer outra possibilidade que não venha a ratificar suas posições, Deus faz surgir um profeta, alguém que novamente nos ajuda a sair desta “prisão” criada pelo próprio homem e retornar a fidelidade a Ele e ao próprio destino da natureza humana. É como escutamos nesta leitura do livro do profeta Ezequiel, Deus envia este homem para ser sua voz no meio deste povo de cabeça dura (cf. Ez 2,4), já cheio de certezas em suas convicções, não conseguindo ver além daquilo que eles mesmos interpretam e decidem.

Faz parte da missão do profeta quebrar esta muralha que o próprio ser humano edifica em torno de si, transformado sua mente em verdadeira fortaleza que impede a palavra de Deus de mostrar a verdade ao coração. De fato, quando o ser humano se afasta de Deus se afasta também da verdade ficando mais fácil ele mesmo desejar construir sua própria verdade, fazendo surgir “suas” convicções, “suas” ideias, “suas” opiniões, e não deixando a verdade lhe dizer o contrário.

[A absurda teimosia]

Existe uma absurda teimosia de muitas pessoas em resistir a palavra de Deus. Ouve-se expressões como “Deus diz isso, mas eu penso assim”, “cada pessoa tem o seu deus”, “cada pessoa têm a sua verdade”. Em primeiro lugar, notamos que pessoas que se defendem usando a expressão “Deus diz isso, mas eu penso assim”, estão se equiparando a Deus, estão trazendo Deus ao seu nível posicionando Ele numa mesa redondo onde simplesmente expomos nossas opiniões e Deus expõe a Dele. Na verdade é trazer o próprio Deus ao relativamo de nossas opiniões, com isto descartando a possibilidade de uma verdade eterna e imutável, ou seja, a verdade acaba se tornando individual e relativa. E mesmo aqueles que afirmam com muita certeza de si que cada um têm seu deus, acaba por negar esta diferença essencial do Altíssimo e Onipotente conosco, criaturas dotadas de uma razão que não é eterna nem onisciente (cheia de ciência). Notamos também a relatividade de Deus nestas pessoas, transformado Deus numa simples opinião que cada qual possui de modo diverso. Isto, na verdade, destrói a figura de Deus, fazendo que percebamos que aquele que assim pensa não sabe quem é Deus.

Determinar a si mesmo que “eu tenho a minha verdade” elimina a possibilidade de que Deus possa o instruir na Verdade. Destrói passo a passo a onipotência de Deus para a vida do ser humano, fazendo crescer qualquer outra coisa no lugar que Deus ocuparia no coração e na mente humana. É o contrário do que João Batista afirma de Jesus: Illum oportet crescere, me autem minui – Importa que Ele cresça e eu diminua – (Jo 3,30). O ser humano que teima em transformar sua opinião em verdade para si, esta buscando algo que o desculpe por não regrar sua vida conforme a própria lei natural e também a lei divina. Procura absurdamente negar a autoridade de Deus em sua vida, fazendo valer mais sua própria opinião mesmo que esta claramente venha a dar maus resultados.

[A consciência do pecado como remédio para a autossuficiência]

São Paulo neste trecho da carta aos Coríntios, fala-nos do espinho da carne que é como um alerta para lembrar sempre de sua miséria humana. Este espinho pode ser entendido de formas diversas, mas a que talvez fique mais clara é considerá-lo como a realidade do pecado que esta gravada na carne humana. Por isso é como um “anjo de Satanás a esbofetear” Paulo, para que lembre-se sempre de que não é onipotente e nem esta livre de erros. É em realidade, a consciência da pecabilidade humana, da imperfeição que têm uma vida carnal simplesmente.Espinho na carne

Este espinho da carne, isto é, esta consciência do pecado em nossa vida, deve ser como um remédio para a autossuficiência humana, pois nos leva a admitir nossa corruptibilidade, nos leva a sempre desconfiarmos de nossas certezas quando não estão fundamentadas na Palavra de Deus, ou seja, quando elas surgem aparentemente e simplesmente de nossas opiniões.

É fato que o pecado nos leva a negar a verdade ou distorcê-la para o benefício do próprio homem, por isso, nossa atitude deve conformar-se com a de São Paulo que parece até dar graças ao pecado, mas na verdade esta agradecido pela consciência firme e convicta desta capacidade humana de pecar, isto é, de errar e de se enganar. Algo adverso do espírito autossuficiente daquele que deseja ser como Deus, infalível e todo-poderoso e por isso relativiza tudo a sua volta para tornar sua opinião a verdade de sua vida.

Este permanente estado de alerta consigo mesmo, por causa do pecado, nos faz perceber que é somente com a graça de Deus que conseguimos nos manter na trilha da verdade incorrupta, imutável, independente das mudanças humanas. É como diz Paulo: Mas ele disse: 'Basta-te a minha graça. Pois é na fraqueza que a força se manifesta' (2Cor 12,9), é nesta consciência da não onisciência e não onipotência do homem, que elimina a razão de sua autossuficiência, que a Verdade vinda através da graça divina mostra ao próprio homem onde pôr a sua certeza, isto é, em Deus.

[A atitude autossuficiente também rejeita a Jesus Cristo]

O que refletimos é algo que também notamos nestas palavras do evangelho de Marcos, proclamadas nesta liturgia. Jesus se aproxima da região onde seus familiares residem, e é justamente neste encontro entre Jesus e os seus que se percebe a triste constatação que a realidade da rejeição duma verdade que vêm de fora, não é bem aceita por aqueles que ouvem a verdade através de rótulos surgidos da convivência. Acontece às vezes, quando ouvimos alguém a quem conhecemos e até presenciamos seu crescimento, de nos colocarmos, antes do assentimento do que fala como verdade, o rótulo da intimidade, o rótulo da proximidade de muito tempo, como acontece com Jesus. Um profeta só não é estimado em sua pátria, entre seus parentes e familiares (Mc 6,4). Mas por quê? Dentre outros motivos, esta o que hoje nos propomos a refletir: a rejeição da verdade em afirmação de uma “verdade individual”, ou o “autossuficientismo”, esta atitude que não deixa que outro mostre a verdade que contraria a minha opinião. Se trata no fundo, da decisão de assentir ou não a uma verdade universal que esta independente da minha razão e vontade.

Nestas palavras de Cristo, vemos que esta atitude pode surgir no meio de nossa família, entre nós. A grande família da comunidade cristã, reunida pela fé, também pode ser suscetível a este mal, que só é identificado quando cada um faz um exame sobre si mesmo, olhando honestamente para sua posição diante de Deus e das pessoas com quem vive, pois é nesta nossa realidade que expressamos nossa adesão a Verdade Eterna e Onipotente, que nos mostra o verdadeiro caminho para o Reino de Deus e nos dá a força necessária para alcançá-lo.

[Autossuficiência: fruto da falta de fé]

Jesus fica admirado com a falta de fé daqueles que rejeitam aceitar sua mensagem somente pelo fato de o conhecerem, colocando as relações humanas acima da verdade.

Esta atitude surge principalmente da falta fé, assim como todo pecado. É justamente aquele que não cultiva uma fé verdadeira e sincera que deixa prevalecer a suas ideias, suas opiniões obre a verdade na Palavra de Deus. Em realidade, é uma consequência da desvalorização da Palavra de Deus como regra de conduta e expressão da verdade universal para todo ser humano. Também é uma distorcida compreensão desta verdade que brota de Deus, pois ela é válida para todos e em todos os campos da vida humana. O que vemos muitos contestarem ao afirmar que Deus não têm nada a dizer sobre determinados assuntos, o que não é verdade, pois a verdade apresentada por Ele toca em qualquer assunto que faça parte da vida dos homens e mulheres.

Irmãos e irmãs, peçamos a Deus, donde vêm toda a nossa verdade, que envie seu Espírito para sempre orientar nossa mente e coração e assim fazer de Sua verdade a nossa verdade.

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