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sexta-feira, 20 de julho de 2012

Sexta-feira – Is 38,1-6.21-22.7-8 Mt 12,1-8

XV Semana do Tempo Comum

Pe. Valderi da Silva

[Preocupar-se com a vida após a morte]

Ezequias recebe de Isaías uma notícia que perturba qualquer coração humano, a proximidade do momento em que se deixará este mundo, ou seja, a morte. De modo semelhante reage qualquer pessoa ao saber deste destino inevitável, mas que ninguém procura saber o dia nem a hora. Vendo por este ângulo, este comportamento pode ter seu lado positivo, o de que não se gastar em pre-ocupações desnecessárias já prevenindo a morte. Mas por outro lado, também é necessário considerar o que nos pede claramente o Senhor nos evangelhos, para que sejamos vigilantes pois não sabemos nem o dia nem a hora. Portanto, cabe a nós vivermos sem a gastura da pre-ocupação mas em tudo visando uma preparação para o dia do encontro com o Pai.

A própria resposta de Deus a Ezequias, transmitida por Isaías, confirma nossa certeza de que esta realidade da morte é inevitável a todos. Deus concede mais anos a Ezequias, mas não lhe dá a vida imortal neste mundo, apenas lhe dá mais alguns anos. Ou seja, Ezequias viverá mais, mas um dia morrerá. Parece evidente a todos nossa condição mortal neste mundo, o que praticamente não deixa ninguém supor que pode ser imortal. No entanto, muitas pessoas desejam tornar-se imortais, de muitas maneiras, na preocupação de construir verdeiros impérios, na busca enlouquecida por destacar seu nome na sociedade e mesmo por manter uma conduta contrária a reação do tempo, através da busca desenfreada e absurda por uma beleza “eterna”. Tudo ilusão diante da realidade da morte, pois tudo é menos que pó, logo que o corpo perde o sopro da vida, revelando assim que tudo isto de nada mais vale.

O grande perigo disto é o que se deixa de buscar enquanto existe a preocupação por esta busca da “imortalidade”. O ser humano é limitado, e mesmo que desejasse não conseguiria alimentar sua alma iludida pelo ganância material e seu espírito que necessita de Deus. Aliás, isto seria impossível visto serem duas atitudes contraditórias, que não coexistem.

Olhemos com atenção para a reação de Ezequias após saber da notícia fatal: então Ezequias virou o rosto contra a parede e orou ao Senhor (Is 38,2). Em todos os momentos traumáticos de nossa existência, onde nos colocamos diante de uma realidade extrema ou muito dificultosa, nossa vida de oração vai se manifestar com a intensidade que ela conhece, ou seja, se vivemos diariamente como aquele que reza e sabe a importância da oração para a preparação e desenvolvimento espiritual, ao nos encontrarmos diante de situações adversas nosso espírito saberá que a oração é a primeira ferramenta, e depois, se saberá como orar, pois a experiência na oração já nos ensinou o suficiente para nos dirigirmos ao Pai com a adequada pureza. Consequentemente, com mais facilidade Deus ouvirá e atenderá nossas preces, como atendeu as preces de Ezequias: ouvi a tua oração, vi as tuas lágrimas (Is 38,5).

[Jesus é o Senhor do homem e do sábado]Jesus e os fariseus [discipulos comem espigas de milhos]

Jesus responde aos fariseus dando mostras de sua natureza divina, revelando claramente aos fariseus quem Ele era. Ao defender seus discípulos que apanhavam espigas para comer em dia de sábado, Jesus afronta o legalismo dos fariseus que nem sequer sabiam compreender o coração de Deus, mas apenas ler suas palavras fixadas no livro sagrado.

Cristo é maior que a Lei, maior que o Templo, na verdade é Ele a Lei e o Templo, por isso não teme contrariedade ao afirmar que a Lei e o Templo não são maiores que a misericórdia e o amor. Compreender que Jesus é maior que estas coisas, por mais que as tenhamos como partidas de Deus, é colocar Deus no lugar que lhe pertence, e manifestar nossa compreensão da Sua vontade que espera de nós não um simples e puro rigorismo da lei, mas um cumprimento da lei permeados pelo amor e a misericórdia que nos leva algumas vezes a agir priorizando a caridade ao cego cumprimento da lei.

O Filho do Homem é o senhor do sábado. O sábado para os judeus era o dia santificado, por isso nada braçal se podia fazer neste dia que era reservado apenas para Deus e o descanso. Jesus se declara Senhor deste sábado, ou seja, Senhor deste dia santo, Senhor de nosso descanso, Senhor a quem dedicamos nossa atenção quando não mais precisamos nos ocupar de nosso sustento. O dia santo é Dele. Hoje vivemos este dia santo no domingo – dies domini – que se tornou para nós o dia santificado pela Ressurreição de Jesus Cristo.

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