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quinta-feira, 12 de julho de 2012

Ser fiel para ser confiável

Confiança. Palavra que expressa a instantênea e plena entrega do incerto aos cuidados de alguém ou de algo, que por vezes nem convive conosco. Esta ação de um com o outro é movida por muitas variáveis, mas existe algo que é pressuposto para a confiança, é a fidelidade.
Lendo o livro Atitudes éticas fundamentais de Dietrich von Hildebrand, encontrei a clareza que precisava para firmar esta idéia. De fato, Hildebrand fala da incapacidade do infiel em confiar e ser confiável, tornando evidente que o pressuposto para a confiança é a fidelidade. O infiel é volúvel, não estabiliza seus sentimentos em um determinado ponto (pessoa ou coisa), também não consegue mostrar a firmeza que todo espírito precisa demonstrar para os outros que possam nele confiar. Sua vida esta tão dividida, assumindo vários sentimentos, sempre a busca de outros sentimentos semelhantes aos que por ventura já teria assumido, que não consegue ver a necessidade da exclusividade, ou seja, do compromisso firmado. Colocando em outras palavras, não enxerga a necessidade de ser fiel.Rocha
Este infiel não corresponde a fidelidade que clama na natureza humana, por isso sente-se sempre incompleto ao passo que uma vez tendo sido infiel sempre lhe será cada vez mais audível a voz da infidelidade. Por isso, sua infidelidade não o deixa ser confiado e nem confiável, pois não oferece nenhuma garantia humana de que deste momento em diante permanecerá firme como rocha, que seu caráter aceitou a necessidade da fidelidade ao depositado em si, como um gerente de banco que sabe o quanto seus clientes esperam que cuide fielmente de seus investimentos.
Hildebrand ainda nos oferece uma outra elucidação sobre a fidelidade: O que é o amor sem a fidelidade? No fundo, uma grande mentira [1]. No campo das relações humanas o amor é o mais exigente quanto a confiança por isso a fidelidade é mais expressiva e necessária, tanto que normalmente fica pressuposto no relacionamento, nem sendo congitado ou dialogado entre os amantes. Alguém que simplesmente mantem um relacionamento dizendo “te amarei para sempre”, tem que necessariamente entender que para prometer algo deste valor precisa ser fiel, pois a pessoa amada que o ouve confia no que diz. O amor pressupõe confiança que por sua vez pressupõe a fidelidade. Este que promete amor “eterno” e depois de algum tempo “arrepende-se”, rompendo a relação, nunca entendeu o amor e nunca o experimentou de verdade. Ainda mais, este mesmo, não encontrando o entendimento desde verdadeiro amor, esta fadado a morrer sem amar verdadeiramente. Pois o amor é perene, por isso somente a fidelidade prova o entendimento desta perenidade do amor.
Não consigo imaginar o que pode haver de mais degradante e putredo no ser humano do que a infidelidade. O cheiro azedo que exala o infiel sente-se ao longe quando este tornou a infidelidade marca registrada de sua vida. Como se aproximar de alguém infiel? Como entregar-lhe algo valioso? Como depositar nele a esperança de um futuro sonhado?
Triste és tu, infiel! Perdeu a confiabilidade e te será muito difícil reconstruí-la. Tens possibilidade de mudar, mas te será exigido muito mais do que ao fiel.
Ainda Hildebrand: a fidelidade é uma resposta livre e cheia de sentido ao mundo da verdade e dos valores [2]. Ela surge da liberdade humana, por isso somente a encontramos nos seres humanos, pois os animais não possuem a liberdade racional que temos. Por isso se dizer também que o homem que vive na infidelidade se afasta cada vez mais da “ser humano” para se assemelhar aos animais. É expressão de assentimento a verdade conhecida e aos valores adotados por causa da verdade.
Sem a fidelidade o mundo giraria em torno de uma instabilidade caótica, onde nada e nem ninguém teria alguma certeza, tornando impossível o conhecimento, a ciência, a organização da sociedade e a própria vida humana estaria se desfigurando. A fidelidade, como pressuposto indispensável da confiança, deve alcançar sempre os patamares mais elevados de valores na vida humana, para que o homem saiba viver tudo tendo ela como parte do alicerce de sua estrutura.
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[1] Von HILDEBRANDE, Dietrich. Atitudes éticas fundamentais. Quadrante, São Paulo, 1995, pg. 22
[2] Idem, pg. 23

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