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quarta-feira, 18 de julho de 2012

Quarta-feira – Is 10,5-7.13-16 Mt 11,25-27

XV Semana do Tempo Comum
Valderi da Silva
Esta passagem da história do povo eleito é uma lição para todo o ser humano. Deus envia pessoas escolhidas para atuarem em Seu nome, com seu auxílio, mas estes não podem esquecer-se nunca de sua dependência deste Deus que os envia. Nesta leitura da profecia de Isaías, Assur, rei da Assíria, era como que o flagelo de Deus, desmantelando os povos que levavam uma vida sem preocupação com a boa conduta, inebriados pela imoralidade e idolatria, recusavam-se a reconhecer o Deus único e somente a Ele prestar culto.
Pois este rei esqueceu-se que ele mesmo estava nas mãos de Deus e que Dele depende para o bom êxito de suas empresas, então gaba-se de seus feitos realizados por sua experiência e esperteza diante do inimigo (cf. Is 10,13-16). Isto é o que acontece quando o ser humano deixa de creditar em Deus o sucesso de sua vida, quando coloca-se como sustentador de si mesmo, em nada precisando de Deus, não escutando mais Sua Vontade. O ser humano sempre acaba se desestruturando quando excede os seus limites acreditando que pode alcançar tudo o que se propõe, e nunca se perguntando se Deus o aprova em tal atitude. Isto pode acontecer entre os mais dedicados seguidores do Senhor, pois basta que comecemos a dar mínima importância e valor a nossas paixões, a nossas vontades acima da de Deus, para que comecemos a realizar tudo por nós e não por Ele.
Se trata de um abandono do realmente fundamental para apegar-se a ilusória potência pessoal é como o jogador de futebol que, depois de marcar vários gols, resolve não escutar mais o treinador, acreditando não ser mais necessário pois já faz um excelente jogo. Este esquece que é o treinador que o coloca no lugar certo diante de adversários diversos, que sempre possuem características diferentes. Não estamos nas mãos de nenhum treinador ou estrategista, mas nas mãos de Deus, Ele nos envia e sabe de nossa dependência de Sua Vontade. Jesus com as criancas
Jesus louva o Pai pela sabedoria da revelação aos homens (Mt 11,25-27). Não se trata somente de tomar as palavras de Cristo literalmente quando ele fala de “pequeninos”, pois nisto Jesus nos passa a mensagem de que, para a história, este povo que agora adere a Ele, que o escuta e segue-O são os pequeninos, os caçulas, pois são os primeiros numa família muito numerosa. Jesus vislumbra a imensa família cristã que virá ao longo dos séculos.
Cristo, ao mesmo tempo que diz que o Pai revelou estas coisas aos pequeninos, diz que foram escondidas aos sábios e entendidos. Isto muito em favor de como eles se portavam diante do povo e diante de Deus, com tamanha arrogância que mesmo Jesus realizando milagres e prodígios diante deles, não se convenciam e continuavam com suas certezas, colocando seu suposto conhecimento da Vontade de Deus acima da revelação divina.
Jesus nos oferece uma demonstração clara da resistência de Deus aos arrogantes e autossuficientes, aos céticos e orgulhosamente “sábios”, para revelar suas intenções e Sua verdade aos corações simples, que não colocam nenhuma resistência a voz de Deus.
Sabemos que o estudo é preciso, que adquirir conhecimento é fundamental para o desenvolvimento humano e intelectual, mas nunca este crescimento humano nestas dimensões pode trazer esquecimento daquele que esta sempre acima de nós, e que precisa de um coração silencioso e humilde para se fazer escutar. Diz acertadamente Clemente de Alexandria: “A noite é propícia para os mistérios; é quando a alma atenta e humilde olha para si mesma refletindo sobre a sua condição; é quando encontra a Deus”. É deste modo que uma pessoa simples, sem muito estudo pode ser mais sábia que o mais dedicado estudioso.







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