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quinta-feira, 14 de junho de 2012

Solenidade do Sagrado Coração de Jesus

Os 11,1.3-4.8c-9 Ef 3,8-12.14-19 Jo 19,31-37

Pe. Valderi da Silva

Estamos celebrando hoje, a solenidade do Sagrado Coração de Jesus, e esta solenidade litúrgica não nos quer simplesmente lembrar que Jesus nos amou até o extremo, mas que Ele continua a nos amar, Seu coração continua a pulsar por cada ser humano, amado por Ele e redimido pelo Seu sangue na cruz. Sagrado Coracao de Jesus

Desde a primeira aliança selada com os homens, Deus demonstra Seu amor por nós, Ele realmente ama de modo inimaginável sua obra. Deseja sempre nos conduzir pelo amor que sente por cada um de nós, assim o fez com o povo eleito da antiga aliança: quando Israel era criança, eu já o amava, e desde o Egito chamei meu filho (Os 11,1). Deus com toda certeza já nos olha com amor mesmo antes de o reconhecermos, mais ainda, mesmo antes de abrirmos os olhos para a luz deste mundo, pois não pode “não amar” aquele que é fruto do Seu amor. Este amor que não somente nos olha passivamente, mas de modo ativo nos orienta e conduz para a felicidade, conforme a natureza mesma do amor, que faz de tudo para o bem do amado: ensinei Efraim a dar os primeiros passos, tomei-o em meus braços... eu os atraía com laços de humanidade, com laços de amor (Os 11,3-4). Este amor de Deus pelo seu povo o faz descer a natureza humana para amar a nós, que nem somos dignos de Seu amor. Mas o Amor olha para o grau de dignidade da pessoa que deseja amar para dispensar seu amor? Não faz isso, senão correria o risco de não ser mais amor, pois o amor em sua perfeição não escolhe ou seleciona quem vai amar, não consegue direcionar seu raio de alcance a somente este excluindo estes outros. Ele é abrangente e ama mesmo os que não são merecedores de tamanho amor.

O amor de Deus pela humanidade O faz olhar em segundo lugar e com menos rigor para nossos pecados. Ao demonstrarmos nosso arrependimento pelos erros cometidos, seu coração bate ansioso pelo momento de nos perdoar para que voltemos a procurar-Lo de maneira mais plena, com perfeito amor. Meu coração comove-se no íntimo e arde de compaixão (Os 11,8c).

Olhando com atenção para este evangelho, iremos perceber que esta solenidade quer nos trazer a mente a tamanha obra salvífica realizada por Cristo com sua morte na Cruz.

O coração sempre foi símbolo daquele lugar donde floresce o amor, donde sai a motivação para a caridade e a misericórdia. Este símbolo é usado para Cristo, Seu coração, transbordante de amor pelos homens e mulheres, sabia que não poderia manisfestar todo o amor que sentia se não se ofertasse até a morte. Por esta razão, se deixou levar até a cruz e lá padeceu sob os olhos dos que não compreendiam quem era e daqueles que não compreendiam tanto amor. “Amou-nos até o fim”, costumamos dizer, e é justamente o que Cristo fez, mas não até o Seu fim, mas até o fim da condição humana, conhecida até então, pois Ele não esta morto, vive e continua a nos amar com o mesmo amou, nos mostrando também que o amor não acaba com a aparente morte do corpo, mas vive como a alma imortal.

[A dolorosa morte de Jesus]

Escutando este relato de João sobre a morte de Jesus, podemos imaginar o quanto foi terrível suportar tanta dor pendurado na cruz. Vários especialistas já deram seus testemunhos de que Sua agonia na cruz foi certamente horrível, pois era preciso força nos músculos para suportar o próprio peso para que talvez a morte fosse menos dolorosa. Mas com Jesus não era o que acontecia, ele já havia sido duramente castigado antes de subir ao patíbulo da cruz. Seu corpo já não tinha forças nem para carregar a própria cruz até o local de sua morte. Esta dolorosa morte de Jesus somente faz aumentar o testemunho de seu imenso amor, pois chegou a este momento por ele.

Os soldados romanos costumavam quebrar as pernas dos crucificados quando precisam que estes morressem mais depressa. Quando iriam quebrar as pernas de Jesus notaram que já havia morrido. Faziam isso não para ser-lhes misericordioso e dar-lhes uma morte mais rápida, mas para seu próprio proveito, pois geralmente não queriam perder muito tempo ficando de guarda até que morressem. Vendo que Jesus já havia morrido não lhe quebraram as pernas mas transpassaram-lhe uma lança, foi quando jorrou sangue e água.

[“Logo saiu sangue e água”]

A mais piedosa teologia sempre viu nesta cena o nascimento da Igreja. Desta fonte nasceram os sacramentos que a Igreja administra, nasceram do coração de Cristo, pois é dali que vêm nossa salvação: De seu flanco formou Cristo a Igreja, como do de Adão formara Eva (SÃO JOÃO CRISÓSTOMO. Las Catequesis Bautismales. 2ed. Madrid: Ciudad Nueva, 2007, p.150).

Também uma interpretação teológica a respeito desta fonte jorrada do lado de Cristo, é de que este sangue e esta água representam os dois batismos que os cristãos podem receber. Em via de regra recebe-se apenas um, o de água. Mas aqueles que, em determinadas circunstâncias são chamados ao martírio, recebem este batismo de sangue. Por isso, esta fonte sublime é também chamada de “fonte da nova vida” ou “fonte de vida eterna”, pois através dela recebemos o batismo que abre as portas do Reino dos Céus. Esta vida nova recebida através desta fonte só poderia brotar do Coração de Cristo, pois não é por merecimento ou por conquista que entramos nesta vida eterna, mas por amor daquele que nos criou e se ofertou até a morte por cada um de nós.

[O discípulo amado]

Este relato é feito por quem mais poderia compreender esta cena da lança perfurando o coração de Cristo. JoãoUltima Ceia 02 Evangelista é aquele discípulo amado, que na Santa Ceia repousa a cabeça sobre o peito de Cristo, como que desejando perscrutar os segredos deste Coração transbordante de amor. Em realidade, sua permanência junto a Jesus na hora da morte lhe autoriza a escrever sobre coisas que quase ninguém presenciou. Podemos notar que este pequeno fato é somente mencionado no Evangelho de João, não estando presente nos Evangelhos Sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas).

São João Crisóstomo nos diz algo interessante sobre este detalhe do Evangelista João registrar este momento da morte de Cristo: segundo o santo, João achou por bem registrar este momento “para frear as línguas mentirosas dos hereges, para predizer os futuros mistérios e em consideração ao tesouro que neles albergavam” (SÃO JOÃO CRISÓSTOMO. In Joannem Homiliae, o.c.). Principalmente no início do cristianismo muitos que eram contrários a fé cristã, negavam veementemente que Cristo realmente havia morrido. Muitos deste chegavam a afirmar que os discípulos de Jesus haviam pago aos soldados romanos (como propina) para tirarem Jesus da cruz antes que morresse, assim, fingiriam que ele havia morrido, quando na verdade somente estava escondido. Por mais que muitos séculos tenham já se passado, sempre volta à tona a voz “solitária” de alguém que deseja levantar esta dúvida para desacreditar o cristianismo.

[O Cordeiro Pascal]

Isso aconteceu para que se cumprisse a Escritura, que diz: 'Não quebrarão nenhum de seus ossos' (Jo 19,36). O Papa Bento XVI nos oferece uma explicação clara sobre este versículo:

É a hora em que são degolados os cordeiros pascais; para estes, vigora a prescrição segundo a qual não se lhes deve quebrar nenhum osso (cf. Ex 12, 46). Jesus aparece aqui como o verdadeiro Cordeiro pascal, que é puro e perfeito. Por conseguinte, nessa palavra podemos vislumbrar também uma recordação tácita dos inícios da história de Jesus, daquela hora em que João Batista dissera: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1,29). Aquilo que então devia permanecer ainda incompreensível – era apenas uma misteriosa alusão a algo futuro – agora é a realidade. Jesus é o cordeiro escolhido pelo próprio Deus. Na cruz, Ele carrega o pecado do mundo e “tira-o fora”.

(BENTO XVI. Jesus de Nazaré – Da entrada em Jerusalém até a Ressurreição. 3ed. São Paulo: Planeta. 2011, p.203-204)

Este cordeiro pascal, perfeito em sua oferta integral no sacrifício, fez correr as graças necessárias a toda a humanidade de Seu Coração Santíssimo. Neste precioso momento a terra foi banhada pelo sangue e a água, e nesta terra está toda a criação que é lavada pelo sacrífico de Cristo.

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