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quinta-feira, 28 de junho de 2012

Solenidade de São Pedro e São Paulo

At 12,1-11 2Tm 4,6-8.17-18 Mt 16,13-19
Valderi da Silva
Sao Pedro e Sao Paulo
Irmãos e irmãs em Cristo.
A liturgia da Igreja nos brinda com esta solenidade em que nos colocamos diante destes dois homens exemplares daqueles bravos que enfrentaram tudo e todos pela vitória da verdade e do amor. Verdade e amor que são personificadas na pessoa de Jesus Cristo a quem estes dois levaram a todos com sua vida e com sua morte. São Pedro e São Paulo são dois apóstolos de Cristo que irresistivelmente foram chamados por Deus, que ouviram a voz do Senhor e não puderam ser indiferentes ao seu chamado, pois nos seus corações pulsava o ardente desejo pela verdade e pelo amor. Verdade e amor que movem o coração de todos aqueles que não os sufocam pelas substituições mundanas que somente fazer esmorecer a força que nos levaria a viver em direção a fonte, ou seja, em direção a Deus.Sao Pedro e Sao Paulo 02
Estes dois apóstolos com muita razão, são chamados de colunas da Igreja de Cristo, pois é através do apostolado deles que a Igreja primitiva pode se solidificar e crescer ao mesmo tempo que cumpria o mandato do Senhor de levar a todos a palavra do Evangelho. Em Pedro a Igreja se fundamenta e se organiza. Em Paulo a Igreja exercita sua vocação missionária que faz parte de sua natureza. A Igreja venera Pedro e Paulo principalmente pela fidelidade a Deus, expressa na firmeza da verdade e vida de amor.
[A vocação e missão de Paulo]
São Paulo, antes chamado de Saulo, recebe do próprio Senhor Jesus a missão de ser o anunciador da Boa Nova do Evangelho a todos os povos gentios, isto é, aqueles que não eram judeus ou próximos ao judaísmo. Assim, inicia a própria vocação da Igreja de Cristo, uma vocação universal, que abrange todos os seres humanos, pois é portadora da mensagem salvífica de Cristo trazida a todos os homens e mulheres.
Paulo entende nesta missão qual é o seu chamado e isto o faz dedicar-se incansavelmente ao trabalho para realizar sua vocação e assim cumprir sua missão de apóstolo dos gentios. Não é de estranhar que use estas palavras na carta à Timóteo para falar de seu fim que parece estar próximo: combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé (2Tm 4,7). Pensemos em cada uma destas afirmações de Paulo.
Combati o bom combate. Paulo parece usar palavras refentes a quem esta em guerra, numa luta contra um persistente inimigo. Pois é isto mesmo que ele nos quer passar, visto que ao longo de sua vida como apóstolo, tendo a inspiração do Espírito para discernir o bem do mal, sabia que o inimigo, que leva a perdição, nunca descansa, nunca esmorece, nunca desiste de nos ver cair. É uma real batalha espiritual que nos faz ser mais corajosos e valentes a medida que conhecemos os embustes do inimigo, suas armas que visam nos derrubar neste combate da fé. Combater o bom combate é estar sempre vigilante como nos pede Cristo, é não acreditarmos que já estamos livres do mal quando tudo parece bem, é sabermos que quando nos encontramos em estado de calmaria precisamos, neste momento, aumentar ainda mais nossa vigilância e oração.
Sao Paulo Diz também Paulo que completou a corrida. Isto precisa ser entendido não como se Paulo desejasse longo a morte, um cristão não pede para morrer por mais que alimente o desejo vivo de estar junto de Deus em Seu Reino. Paulo se refere a jornada da vida, da qual não sabemos o início nem o fim, mas que nos encontramos como que corredores que precisam passar por alguns obstáculos e manter o ritmo da marcha para não ficar muito distante do ponto de chegada. Completar a corrida é sinal de que alcançamos o objetivo profundo do ser humano, onde ele se encontra feliz pela jornada percorrida e mais ainda pelo prêmio merecido visto esforço realizado durante o caminho. Esta corrida é nossa vida, e não a fazemos com o espirito de competição, pois todos podem chegar ao fim vitoriosos, mas a percorremos pelo que podemos encontrar na linha de chegada: a vida eterna.
Neste percurso, Paulo reconhece algo vital para o bom êxito desta marcha da vida, guardar a fé, ou seja, manter sempre a fé viva e operante em nosso viver, no dia a dia, na rotina das tarefas, na vivencia com a família e outras pessoas. Guardar a fé não é motivo de orgulho mas de necessidade, pois é através dela que mantenho-me unido a Deus e fiel a Sua vontade. É como reconhece o próprio Paulo mais adiante na mesma carta: mas o Senhor esteve a meu lado e me deu forças (2Tm 4,17), pois esta presença viva de Cristo ao nosso lado é real, mas somente aquele que permanece vivo na fé, atento a voz de Deus e suas mais sutis manifestações consegue usufruir deste auxilio divino.
A certeza do prêmio consola e alegra o Apóstolo, pois não lhe é necessário mais nada que não seja este alento valioso, poder estar eternamente junto de Deus.
[Igreja com a missão universal de Paulo]
Esta característica singular e importantíssima do apostolado de Paulo a Igreja assumiu e colocou toda a sua vitalidade nesta missão por entender que ela é herdeira desta vocação de Paulo. Por isso a Igreja é fundada sobre os apóstolos, pois é deles que nasce a própria compreensão da missão da Igreja. Principalmente nos dias de hoje é preciso reafirmar esta missão universal, pois sempre surgem vozes que pretendem restringir a voz da Igreja aos seus templos, querendo destituir este chamado que Igreja recebe de Cristo e que nos foi apresentado pelo Apóstolo Paulo.
Apesar das muitas vozes contra esta missão de Igreja de anunciar a todos os a verdade da mensagem de Cristo, ela continuará até o fim dos tempos sendo porta-voz da verdade e do amor, a fim de que os homens e mulheres possam reconhecer o bem do mal e fazer a escolha que leva a vida eterna.
[A fé inspirada de Pedro]
Olhando ao mesmo tempo para Pedro, notamos sua participação especial na edificação da Igreja de Cristo. A resposta dada por ele a Jesus neste evangelho, nos mostra que, apesar de suas fraquezas, mantinha uma fé verdadeira e sincera em Jesus e por isso foi capaz de ser sensível a inspiração de Deus que o fez professar a fé no Senhor: Tu és o Messias, o filho do Deus vivo (Mt 16,16). Imediatamente, ao receber esta resposta Jesus lhe faz perceber que não foi de sua própria inteligência que responder deste modo. Pois a carne dificilmente nos dá a resposta voluntariamente àquilo que Deus nos pede, e muito mais difícil é ela reconhecer a verdade invisível. Por isso, somente a fé é capaz de ver o que não vemos e reconhecer a verdade escondida.
Esta fé firme e convicta de Pedro deve servir de inspiração para todos, pois neste apóstolo encontramos o primeiro que satisfatoriamente professou a fé em Jesus Cristo, não deixando margem para dúvidas a respeito da natureza e missão do Messias. De fato, a fé de Pedro é fundacional da fé cristã visto que ao longo dos séculos se reportará a esta confissão como a imagem perfeita da visão do fiel sobre Jesus Cristo, e assim, sendo possível que todos possam se reunir em torno de um só pastor encontrando uma única verdade.
[“sobre esta pedra”]
Ouvindo esta confissão firme de Pedro, Jesus coloca sobre Pedro a edificação de Sua Igreja: tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei minha Igreja (Mt 16,18). Em primeiro lugar, é sempre notável como Jesus nunca desejou fundar mais que uma Igreja, a comunidade dos seus irmãos, os filhos de Deus, deve se reunir em torno de um só pastor, tendo como guia aquele que Ele mesmo instituiu como pedra angular, como pastor dos pastores sem deixar de ser igual a todos. É sobre Pedro que Cristo edifica esta sua única e verdadeira Igreja, não podendo os homens determinar outra edificação diferente, mesmo que sob pretexto de melhora ou mais perfeição. Ninguém pode almejar melhorar ou aperfeiçoar aquilo que o próprio autor da perfeição instituiu, do contrário é duvidar da própria perfeição da ação divina, colocando, assim, em questão a perfeição de Deus. Pedro é a prova de que esta Igreja é divina pela instituição mas humana pela formação. Por isso, ela é divina e humana, pois nela age a santidade ao mesmo tempo que esta presente a pecabilidade humana.
Jesus já havia anteriormente mudado o nome de Pedro outrora chamado de Simão. Na mente divina já devia estar presente a escolha daquele que seria a coluna que se ergueria a comunidade do povo de Deus, o Corpo de Cristo. Chamou-se Cefas, que dizer pedra (rocha), pois nele a construção se ajusta e se firme para suportar todo peso e tormenta.
Nos sucessores de Pedro, vemos que Cristo continua a edificar sua Igreja nestes homens escolhidos para esta árdua missão. São humanos como nós, mas escolhidos por Deus para segurar firme o cajado do pastor, conduzir pelos caminhos da história a Igreja, até o dia em que todos encontraremos a morada definitiva junto de Deus. O papa São Leão Magno expressa a distinção de Pedro desta forma:
“Embora no povo de Deus haja muitos sacerdotes e pastores, na verdade, Pedro é o verdadeiro guia de todos aqueles que têm Cristo como chefe supremo. Deus dignou-se conceder a este homem uma grande e admirável participação no seu poder”.
Hoje este sucessor chama-se Bento XVI, nosso papa, que nos convoca constantemente a ir ao encontro de Cristo, pois ele sabe – como Pedro o sabia – que a Igreja deve caminhar com os olhos fixos no Senhor, deixando de lado as paixões humanas e tudo o que nos pode afastar deste olhar.
[“o poder do inferno nunca poderá vencê-la”]
Sendo filhos da Igreja nos confortamos que esta nossa mãe é mais poderosa que as forças malignas, pois Jesus nos garante que o poder das trevas nunca vencerá esta Igreja que ele edificou. Nossa confiança se baseia nas palavras de Cristo: e o poder do inferno nunca poderá vencê-la (Mt 16,18).
[O poder de ligar e desligar da Igreja]Bento XVI segurando vela
Nas mãos de Pedro, Cristo entregou as chaves do Reino, e isto significa que somente através da Igreja podemos alcançar o tão desejado Reino de Céus. É dentro da Igreja que encontramos a salvação que Jesus Cristo nos conseguiu, pois Ele desejou que ela fosse a detentora dos meios salvíficos. Não que alguém, desconhecendo a Igreja, não venha a se salvar mediante sua boa conduta, mas é nela que aquele que foi devidamente instruído encontra a salvação e não fora dela. Os preceitos definidos por ela juntamente com todo o magistério, são meios eficazes de condução da nossa vida pela via da santidade. O poder da Igreja esta em abrir as portas do Céu àquele que lhe procura de coração sincero e realmente crente em Deus. Não é um poder para colocar alguém no inferno, mas para fazer o possível para que este não seja o seu destino.
Irmãos, estamos repletos de motivos para alegrarmo-nos pelo sublime dom de Deus que é a Igreja sustentada pelos apóstolos Pedro e Paulo. Neles encontramos tudo o que necessitamos para viver em Deus e não no mundo, para nos fixar somente no olhar do salvador. Exultemos de alegria e louvemos a Deus pelo testemunho e apostolado destas colunas da Igreja.
Exultemos pela ininterrupta sucessão apostólica, que nos dias de hoje temos a graça de ver claramente na pessoa do Vigário de Cristo. Ao Santo Padre, nosso amor, nossa obediência e nossas orações.

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