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sábado, 2 de junho de 2012

Solenidade da Santíssima Trindade

Dt 4,32-34.39-40 Rm 8,14-17 Mt 28,16-20
Pe. Valderi da Silva

A palavra do Senhor criou os céus, e o sopro de seus lábios, as estrelas. Ele falou e toda a terra foi criada, ele ordenou e as coisas todas existiram (Sl 32,6.9).

Nestas palavras, o salmista expressa seu louvor pela criação de Deus e manifesta seu reconhecimento da onipotência divina que nos simples ordenar tudo foi feito. Esta obra criada, que hoje contemplamos ao nosso redor veio da vontade deste Deus, mas Ele ao mesmo tempo que é único em sua Divindade não existe solitário em sua maneira de existir. Desde a eternidade Deus é UNO na essência e TRINO nas pessoas desta existência, isto é, é um Deus mas ao mesmo tempo são três pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo.Santissima Trindade 03


Trindade: mistério e claridade
Não podemos imaginar alguém tentando abarcar toda a compreensão do Mistério da Trindade, visto ser um mistério que extrapola os limites de nossa capacidade intelectual. Realmente é algo rígido de se aceitar simplesmente em sua apresentação, pois logo tentamos racionalizar este relacionamento trinitário e uno ao mesmo tempo. Em um exemplo imperfeito, seria como imaginar uma criatura com um corpo mas com três personalidades que não se excluem, nem contradizem-se mutuamente, mas vivem com uma mesma vontade sobre uma mesma substância embora com suas personalidades bem distintas e ativas simultaneamente.
Mas este mistério do Deus Uno e Trino não é para que o tentemos desvendar, mas para que conhecendo-o possamos aceitar com maior fé as manifestações divinas no mundo e principalmente na vida das pessoas. Assim, pela fé aceitamos a revelação das pessoas divinas do Filho e do Espírito Santo, um que nos salva e o outro que santifica e conduz no caminho que Cristo abriu para o Reino dos Céus. Deste modo o mistério da Trindade é também luz, claridade para nossas vidas.

A Trindade criou o universo
Mas antes mesmo de se revelar aos seres humanos, a Trindade já existia e foi Ela quem criou o universo com o mundo em que vivemos e todas as criaturas. As três pessoas da Trindade Santíssima estavam presentes e atuantes na criação do mundo, visto que é de Sua essência a unidade mesmo que uma das pessoas se manifeste mais claramente dos que outras duas. Por isso, mesmo crendo que a obra da criação se deva atribuir a Deus Pai, junto a Ele estava presente o Deus Filho e o Deus Espírito Santo, e encontramos alguns sinais desta presença no livro do Gênesis:
Considerando que São João Evangelista denomina o Filho de Deus como Verbo do Pai, ou seja, a Palavra que dá a vida, que faz crescer, podemos enxergar em cada versículo do primeiro capítulo, onde se relata a criação do mundo, a ação do Verbo: Deus disse: faça-se a luz...(Gn1,3) Deus disse: faça-se um firmamento...(v.6) Deus disse: juntem-se num único lugar as águas...para que apareça o solo firme...(v.9) Deus disse: a terra faça brotar vegetação...(v.11) Deus disse: façam-se os luzeiros no firmamento do céu...(v.14) Deus disse: fervilhem as águas de seres vivos e voem pássaros sobre a terra...(v.20) Deus disse: produza a terra seres vivos...(v.24) Deus disse: façamos o ser humano à nossa imagem e segundo nossa semelhança (v.26). Nesta vontade de Deus Pai esta a ação do Verbo, isto é, da segunda pessoa da Trindade, de modo que podemos afirmar pela fé que o Filho estava presente e atuante com o Pai na obra da criação do mundo e do homem.
Mas também a terceira pessoa da Trindade se manifesta na criação do mundo. Logo da criação do céu e da terra o Espírito de Deus pairava sobre as águas (cf. Gn 1,2), abrangendo o lugar de Sua presença vivificadora.


Ser humano à imagem da Trindade
Neste versículo citado acima, quando Deus criou o ser humano, ouvimos o que saiu da boca de Deus: façamos o ser humano à nossa imagem e segundo nossa semelhança (Gn 1,26). Deus não disse façamos a “minha” imagem dando a entender que seria somente à imagem do Pai ou do Filho, mas disse à nossa imagem, para indicar claramente que não somos feitos à imagem de uma das pessoas da Trindade Santíssima, mas do Deus Uno e Trino.
Esta “imagem” de Deus deve ser bem compreendida, pois não se trata de sermos criados como simples reflexos de Deus. São Tomás de Aquino nos ajuda a compreender bem este termo da Sagrada Escritura:

“A imagem de qualquer um se encontra num outro de duas maneiras: seja em algo da mesma natureza segundo a espécie, como a imagem do rei se encontra em seu filho; seja em algo de natureza diferente, como a imagem do rei se encontra na moeda. Ora, é da primeira maneira que o Filho é a imagem do Pai; e da segunda que o homem é a imagem de Deus. Por isso, para significar essa imperfeição da imagem, no homem, não se diz que ele [o homem] é a imagem, mas é à imagem de Deus. Assim, fica assinalado o movimento de uma tendência à perfeição. Do Filho, ao contrário, não se pode dizer que ele seja à imagem, porque é a perfeita imagem do Pai” (Suma Teológica q35,a2)

Santo Tomás faz mostra esta diferença nos termos a serem usados em vista da não comparação de nossa imagem a Deus com a imagem de Jesus com o Pai. Cristo é a imagem perfeita Dele, nós somos imagem de Deus enquanto temos esta inclinação a perfeição, ou seja, enquanto uma pessoa mantêm a tendência a santidade, busca ser santa corrigindo todos os pecados e vivendo na graça de Deus, ela esta à imagem de Deus.


O amor é fruto da relação Trinitária
O papa Bento XVI, em um de seus pronunciamentos na oração do Ângelus (08/06/2009) apresentava um aspecto fundamental da Santíssima Trindade, o amor. Ele nos revelou – diz o papa – que Deus é amor “não na unidade de uma pessoa, mas na Trindade de uma só substância”. Com isso o papa nos quer dizer que Jesus Cristo nos revela a intimidade de Deus, vida íntima onde se relacionam três pessoas, distintas mas unidas pela substância. Nesta vida íntima de Deus o que os move em direção a si mesmos e aos outros é o amor. Este amor é gerado no relacionamento do Pai com o Filho, do Filho com o Pai, e destes com o Espírito Santo e este com os dois. O amor que o ser humano sente da parte de Deus é fruto da relação intra-trinitária, isto é, o amor entre as pessoas divinas é tão grande que transborda nas criaturas que Deus criou, por isso somos amados infinitamente por Deus, pois o amor com que nos ama é o mesmo amor com que as Pessoas divinas se amam.
Este amor de Deus é um amor vivenciado, um amor maduro em todas as circunstâncias, pois é um amor existente desde a eternidade.

“um amor que conhece a riqueza do relacionamento, um amor que não é como o humano, que pode ser confundido com sentimentos fúteis e superficiais. Este amor [da Trindade] é perfeito, sem defeitos, pois é oriundo [do] relacionamento [entre as pessoas divinas]. Deste amor do Pai pelo Filho vemos nascer o verdadeiro conceito em substância do amor: um amor eterno, sem limites, sem condicionamentos, livre de influências exteriores...”
(Homilia VI Domingo do Tempo Pascal, 12/05/2012. Blog VALDERI)

Este mesmo amor que em nós se manifesta ao passo que o reconhecemos verdadeiramente, nos faz fiéis a imagem de Deus em nós, na verdade a prova mais forte de que estamos criados à imagem da Trindade é esta: só o amor nos faz felizes, pois vivemos em relação e vivemos para amar e para ser amados (Bento XVI. Ângelus de 08/06/2009, Praça de São Pedro, Vaticano).
A doce imagem do Mistério da Santíssima Trindade, vemos como através de um véu, o qual não nos deixa contemplá-lo em sua totalidade, mas apesar disso, não deixamos de saber o que esta por trás dele. Nossa fé se direciona para lá, para o Deus Pai, que nos cria diariamente nos sustentado com seu poder; para o Deus Filho que se oferta diariamente pela nossa salvação; e pelo Deus Espírito Santo que nos anima e santifica nesta jornada ao Reino dos Céus.

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