Destaque:

El centenario de las apariciones de la Virgem Maria en Fatima

Rosa Caroline Crespo Fernández Valderi da Silva En su visita al santuario de Fátima en 1982, San Juan Pablo II proclamaba que "a ...

Você escolheria a Monarquia como melhor sistema de governo para o Brasil?

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Quarta-feira – 2Tm 1,1-3.6-12 Mc 12,18-27

IX Semana do Tempo Comum

Pe. Valderi da Silva

Hoje o evangelho nos apresenta esta questão que foi levantada pelos saduceus, grupo de judeus que não acreditava na ressurreição dos mortos, pois afirmavam que esta não existia. Pois estes, maliciosamente, levantaram esta pergunta sobre com quem esta mulher que havia sido desposada por sete irmãos, ficaria casada após a ressurreição.Jesus Ressuscitado

Primeiramente, os saduceus, como não acreditavam na ressurreição, evidentemente não entendiam como ela poderia acontecer. Isto notamos no próprio jeito de formular a questão, deixando a entender que a ressurreição seria algo como o simples “atravessar uma porta”, ou seja, sem mudança no estado espiritual da pessoa que ressuscitou. Tendo ressuscitado a pessoa, além de receber uma condição espiritual pura, sem inclinação a imperfeição, ela se encontra totalmente inebriada da visão divina. A realidade que vê, a face de Deus, não a permite sequer pensar em outra coisa que não seja no Deus de infinito amor. Isto fica mais fácil de compreender quando lembramos que Deus têm em grau infinito a beleza, a bondade e a verdade. Contemplando isto quem conseguiria desviar sua atenção para outra coisa?

Além do mais, é necessário compreender que a ressurreição possibilitada por Jesus através de Sua obra salvífica, é individual, isto quer dizer que não se pode esperar manter os mesmos laços de relacionamento que se mantinha quando vivo neste mundo após a ressurreição. Por isso, é sem fundamento imaginar que os casados, após a ressurreição, continuaram neste laço matrimonial, também por que seria contra a finalidade do matrimônio que é fundado sobre a necessidade de geração de filhos. Na eternidade não será mais necessário haver esta finalidade, portanto, não haverá mais o matrimônio. Estaremos juntos, mas todos como seres espiritualmente puros, mirando um só ponto: a contemplação  da face divina.

“Tratar em termos terrestres uma realidade ultraterrestre é erro grosseiro” (Missal Quotidiano, 857). Nesta linha estão os saduceus do tempo de Jesus, nesta linha estão os materialistas de nosso tempo. Tentar pensar a realidade sobrenatural com categorias materiais é o fundamento de muitos que não conseguem aceitar as realidades além matéria. Tentam falar de Deus e da vida sobrenatural através do modo de vida humano-terrestre, com coisas e costumes que temos. Por isso, muitos destes acabam tendo uma ideia totalmente errônea de Deus e da vida sobrenatural, e até mesmo acabam por negar a própria realidade ultraterrestre, justamente porque não conseguem a conceber por estarem usando categorias materialistas por falar de algo que não é material.

Os cristãos precisam perceber que esta linguagem materialista, por vezes, pode estar na própria vida dos cristãos. Quando muitos não são capazes de aprofundar sua fé na ressurreição, aprofundar as realidades espirituais do ser humano, ou seja, quando não se procura compreender um pouco mais sobre o que Deus nos deixou claro sobre o céu, os anjos e a vida espiritual, acaba-se apelando para uma linguagem não muito adequada para expressar nossa fé na ressurreição. E às vezes agindo como os materialistas que se utilizam de coisas humanas para querer tocar uma realidade espiritual.

Nenhum comentário: